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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 167

O som dos monitores ainda piscava no quarto quando Ian arrancou os fios do braço.

— Senhor Moretti! — a enfermeira gritou, correndo em sua direção.

Ele ignorou.

O corpo doía, o ferimento latejava, mas a dor era só um lembrete distante. O que ardia agora vinha de dentro.

Olívia levantou-se num salto, tentando acompanhá-lo.

— Ian, espera — ela implorou, pegando o casaco sobre a cadeira. — Você mal consegue ficar em pé.

— Eu não posso esperar! — ele rosnou, o olhar selvagem, tomado por algo entre pânico e raiva. — Eles... eles mexeram com o nome dela.

Dois seguranças e um médico apareceram à porta, bloqueando a saída.

— Senhor, o senhor não está liberado. Seu quadro é grave — disse o médico com firmeza. — Uma queda agora pode ser fatal.

Ian se virou lentamente, o rosto pálido, mas o olhar assassino.

— E ficar aqui, enquanto eles enterram minha mãe de novo, não seria?

A tensão na sala era sufocante.

Olívia se aproximou, colocando a mão sobre o peito dele, tentando conter o tremor que o percorria.

— Então eu vou com você — disse firme. — Mas, por favor, deixa eu dirigir.

Ele a fitou por um segundo, como se quisesse discutir. Depois, simplesmente assentiu.

— Me leve até ele. Agora.

O carro avançava pela estrada úmida, as luzes da cidade ficando para trás.

Ian olhava fixamente para frente, a mandíbula travada, as mãos crispadas sobre o joelho.

Olívia lançava olhares curtos na direção dele, cada respiração dele parecia um estouro contido.

— Ian... — ela começou com cautela. — Você sabe o que pode ter motivado essa matéria?

— Motivado? — ele riu, um som amargo e sem humor. — Essa família é um cemitério de segredos, Olívia. Tudo que o mundo precisa fazer é cavar.

O silêncio voltou, pesado, até que os portões da mansão Moretti surgiram à frente.

A estrutura imponente parecia mais sombria do que nunca, como se até as paredes pressentissem o que estava prestes a acontecer.

Nicolau estava acordado, apoiado em travesseiros, quando Ian entrou.

A batida da porta fez o velho sobressaltar, o lenço caindo de suas mãos trêmulas.

— Então você não ouviu? — Ian disparou, sem preâmbulos. — Estão falando dela de novo. Diana.

Os olhos do patriarca se estreitaram, um lampejo de medo percorrendo seu rosto cansado.

— Como descobriram? — ele perguntou em voz baixa, como se falasse consigo mesmo. — Ninguém fora da família sabia... Ninguém, exceto...

Ele hesitou, o olhar perdido.

— ...exceto Carolina.

E então ele disse:

— Você não entende, Olívia.

Ela franziu o cenho, confusa.

— O que eu não entendo?

Ian respirou fundo, as palavras parecendo arrancadas à força.

— Eu vou pagar por isso.

— O quê? — ela sussurrou, a voz falhando.

Ele ergueu o olhar, e pela primeira vez, ela viu nos olhos dele não arrogância, não fúria, mas puro arrependimento.

— Porque fui eu, Olívia. — A voz dele saiu quase num sussurro, quebrada, irreconhecível. — Eu sou o responsável pela morte da minha mãe.

O quarto mergulhou em silêncio.

Nem o vento ousou atravessar as janelas.

Nicolau fechou os olhos lentamente, e um suspiro pesado escapou de seus lábios, o som de um homem que sabia que, finalmente, o passado havia retornado para cobrar sua dívida.

E Olívia, paralisada no meio do quarto, sentiu o chão sumir sob seus pés.

O amor que acabara de encontrar começava, mais uma vez, a ruir sob o peso das verdades que os Moretti nunca deveriam ter deixado escapar.

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