O som dos monitores ainda piscava no quarto quando Ian arrancou os fios do braço.
— Senhor Moretti! — a enfermeira gritou, correndo em sua direção.
Ele ignorou.
O corpo doía, o ferimento latejava, mas a dor era só um lembrete distante. O que ardia agora vinha de dentro.
Olívia levantou-se num salto, tentando acompanhá-lo.
— Ian, espera — ela implorou, pegando o casaco sobre a cadeira. — Você mal consegue ficar em pé.
— Eu não posso esperar! — ele rosnou, o olhar selvagem, tomado por algo entre pânico e raiva. — Eles... eles mexeram com o nome dela.
Dois seguranças e um médico apareceram à porta, bloqueando a saída.
— Senhor, o senhor não está liberado. Seu quadro é grave — disse o médico com firmeza. — Uma queda agora pode ser fatal.
Ian se virou lentamente, o rosto pálido, mas o olhar assassino.
— E ficar aqui, enquanto eles enterram minha mãe de novo, não seria?
A tensão na sala era sufocante.
Olívia se aproximou, colocando a mão sobre o peito dele, tentando conter o tremor que o percorria.
— Então eu vou com você — disse firme. — Mas, por favor, deixa eu dirigir.
Ele a fitou por um segundo, como se quisesse discutir. Depois, simplesmente assentiu.
— Me leve até ele. Agora.
O carro avançava pela estrada úmida, as luzes da cidade ficando para trás.
Ian olhava fixamente para frente, a mandíbula travada, as mãos crispadas sobre o joelho.
Olívia lançava olhares curtos na direção dele, cada respiração dele parecia um estouro contido.
— Ian... — ela começou com cautela. — Você sabe o que pode ter motivado essa matéria?
— Motivado? — ele riu, um som amargo e sem humor. — Essa família é um cemitério de segredos, Olívia. Tudo que o mundo precisa fazer é cavar.
O silêncio voltou, pesado, até que os portões da mansão Moretti surgiram à frente.
A estrutura imponente parecia mais sombria do que nunca, como se até as paredes pressentissem o que estava prestes a acontecer.
Nicolau estava acordado, apoiado em travesseiros, quando Ian entrou.
A batida da porta fez o velho sobressaltar, o lenço caindo de suas mãos trêmulas.
— Então você não ouviu? — Ian disparou, sem preâmbulos. — Estão falando dela de novo. Diana.
Os olhos do patriarca se estreitaram, um lampejo de medo percorrendo seu rosto cansado.
— Como descobriram? — ele perguntou em voz baixa, como se falasse consigo mesmo. — Ninguém fora da família sabia... Ninguém, exceto...
Ele hesitou, o olhar perdido.
— ...exceto Carolina.
E então ele disse:
— Você não entende, Olívia.
Ela franziu o cenho, confusa.
— O que eu não entendo?
Ian respirou fundo, as palavras parecendo arrancadas à força.
— Eu vou pagar por isso.
— O quê? — ela sussurrou, a voz falhando.
Ele ergueu o olhar, e pela primeira vez, ela viu nos olhos dele não arrogância, não fúria, mas puro arrependimento.
— Porque fui eu, Olívia. — A voz dele saiu quase num sussurro, quebrada, irreconhecível. — Eu sou o responsável pela morte da minha mãe.
O quarto mergulhou em silêncio.
Nem o vento ousou atravessar as janelas.
Nicolau fechou os olhos lentamente, e um suspiro pesado escapou de seus lábios, o som de um homem que sabia que, finalmente, o passado havia retornado para cobrar sua dívida.
E Olívia, paralisada no meio do quarto, sentiu o chão sumir sob seus pés.
O amor que acabara de encontrar começava, mais uma vez, a ruir sob o peso das verdades que os Moretti nunca deveriam ter deixado escapar.

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