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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 170

O céu sobre a mansão Moretti permanecia mergulhado em trevas profundas, uma noite sem estrelas que parecia conter a respiração junto com os habitantes da casa ancestral. A tempestade que ameaçara desabar por horas finalmente se condensava sobre os pináculos do telhado centenário, e o ar dentro da grande sala estava pesado, eletrizado; uma calmaria enganosa prestes a ser rasgada pelo caos.

Olívia estava sentada com Léo no sofá de veludo bordô, seus dedos distraídos embaralhando um deck de cartas enquanto tentava manter o menino entretido. Do outro lado da sala, Ian permanecia imóvel junto à lareira, seu perfil cortado contra as chamas dançantes, o corpo ainda tensionado pelo peso dos segredos recentemente revelados.

Foi então que o som ecoou, a porta principal se abrindo com um rangido sinistro que parecia vir das próprias entranhas da mansão.

Matheus apareceu no arco do corredor quase instantaneamente, sua mão voando instintivamente para o revólver oculto sob seu paletó. Mas ele congelou no lugar, seus olhos arregalando-se diante da visão que se desdobrava na entrada.

Era Alexander.

Vestido com um terno negro impecável, agora encharcado pela chuva que começava a cair, seu olhar era uma mistura de frieza calculista e triunfo contido. E, agarrada ao seu braço como uma possessão preciosa, estava Clara.

— Que diabos... — Ian começou, sua voz saindo como um rosnado baixo, carregada de uma mistura de incredulidade e fúria pura. — Como você tem a audácia de pisar nesta casa?

Alexander permitiu que um sorriso lento se espalhasse por seus lábios, um gesto calculado, ensaiado, a calma de um jogador que já antecipara cada movimento no tabuleiro.

Mas foi Clara quem respondeu, sua voz cortando o ar tensionado como uma lâmina.

— Porque chegou a hora, Ian — ela declarou, erguendo o queixo em um gesto de desafio. — Hora de reivindicar o que sempre deveria ter sido meu.

Olívia levantou-se imediatamente, puxando Léo para trás de si em um movimento protetor instintivo. O menino agarrou-se às suas pernas, seus olhos arregalados fixos nos recém-chegados.

— O que você está insinuando, Clara? — Olívia questionou, sua voz mais firme do que sentia.

Clara deslizou uma mão sobre seu ventre ainda plano em um gesto deliberadamente teatral.

— Estou dizendo que a criança que carrego é o primeiro bisneto de Nicolau Moretti sob os termos do novo testamento — ela anunciou, cada palavra saindo clara e cortante. — E, portanto, o verdadeiro herdeiro de tudo isso.

Um murmúrio de choque percorreu os criados que observavam discretamente das sombras do corredor. Ian avançou um passo, seu rosto transformando-se em uma máscara de granite.

— Você perdeu completamente a razão — ele cuspiu, seus dentes cerrados. — Nicolau é bisavô de Benjamin, não avô. A criança que você carrega, sendo de Benjamin, seria tataraneta, não bisneta.

Seu olhar cortou através dela como uma faca.

Foi então que uma nova voz irrompeu na sala, cortando a tensão como uma lâmina.

— O que você acabou de dizer, Clara?

Benjamin estava parado no arco da porta, sua silhueta molhada pela chuva, seu rosto uma máscara de incredulidade e fúria nascentes. Ele devia tê-los seguido, chegado momentos depois, e agora testemunhava a cena com olhos que pareciam não acreditar no que viam.

Clara empalideceu visivelmente, toda sua confiança anterior desmoronando como um castelo de cartas.

— Benjamin... — sua voz tremeu, vacilante. — Eu... eu posso explicar...

Mas Benjamin já estava se movendo em sua direção, cada passo medido e perigoso sobre o piso de mármore.

— Repita — ele ordenou, parando diante dela, sua voz baixa e controlada, mas com uma raiva fervendo logo abaixo da superfície. — O que foi que você disse?

O olhar de Clara vacilou, sua coragem evaporando-se sob o intenso escrutínio do amante. Alexander, ao seu lado, permaneceu imóvel, seu leve sorriso não desaparecendo, ele parecia alimentar-se da destruição.

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