O silêncio que se instalou na sala era tão espesso que parecia sufocar até mesmo o som da chuva que agora castigava as janelas da mansão. Quando o trovão rugiu, ecoando através dos salões vazios, soou como o lamento de uma besta ferida: um presságio apropriado para a cena que se desenrolava.
Benjamin avançou. Um passo. Depois outro. Seus olhos estavam injetados de sangue, vermelhos como brasas, mas seu rosto permanecia uma máscara de granito, aquela calma mortal que precede a explosão mais violenta.
— Repita — sua voz saiu baixa, quase um sussurro, mas cada palavra carregava o peso de uma ameaça mortal. — Diga novamente o que você ousou declarar nesta sala, Clara.
Clara recuou, suas costas encontrando a parede fria de mármore. Seus olhos, arregalados com pânico, buscaram desesperadamente os de Alexander, mas o homem permaneceu imóvel, os braços cruzados, um espectador impassível de sua própria criação desmoronando.
— Benjamin, por favor... — sua voz engasgou, as palavras saindo entrecortadas. — Deixe-me explicar... se você apenas me ouvir...
— Explicar? — A fachada de Benjamin finalmente rachou, sua voz crescendo até um rugido que fez os cristais do lustre tilintarem. — Explicar que a criança que você carrega, que eu anunciei ao mundo, que já registrava como minha, pertence a esse... monstro? Explicar que você se deitou comigo enquanto abria as pernas para o homem que quer destruir minha família?
Clara tentou se aproximar, suas mãos trêmulas estendidas em súplica.
— Foi um erro! Eu juro, não foi planejado! — Lágrimas começaram a escorrer por seu rosto, manchando sua maquiagem impecável. — Eu estava confusa, vulnerável...
— Um erro? — O riso de Benjamin ecoou pela sala, um som vazio e amargo que não carregava nenhum traço de humor. — Um erro é esquecer de desligar as luzes ao sair, Clara! Não é deitar com o inimigo sob o mesmo teto onde dorme com seu homem! Você planejou isso, não foi? Tudo isso foi meticulosamente arquitetado!
Ela ofegou, seu rosto pálido sob as lágrimas.
— Eu nunca quis machucá-lo! Ele me manipulou, Benjamin! Alexander... ele me prometeu proteção! Disse que cuidaria de mim e do bebê se as coisas desandassem aqui! Eu estava com medo, você não faz ideia do que tem acontecido nesta casa, de como Ian tem...
Benjamin a interrompeu com um rugido que pareceu vir das profundezas de sua alma:
— Não ouse usar o nome do meu tio para justificar sua traição!
O som foi tão violento que Léo soltou um grito agudo de terror, enterrando o rosto no vestido de Olívia. Rapidamente, ela começou a guiar o menino para fora da sala, mas parou na soleira da porta, seu instinto materno lutando contra a necessidade de testemunhar o que estava prestes a acontecer.
Benjamin fechou a distância entre eles até que Clara estivesse encostada contra a parede, sem ter para onde escapar.
— Eu lhe dei tudo — sua voz tremia, carregada de uma dor tão profunda que era quase palpável. — Um nome, um lugar nesta família, minha lealdade... E você me paga com essa... essa facada nas costas?
Ela chorava agora sem controle, seus ombros sacudindo com cada soluço.
— Eu... eu estava aterrorizada — ela sussurrou, sua voz quase inaudível sobre o som da chuva. — Ele sabia de tudo sobre mim. Das chantagens... Dos vídeos... Ele me ameaçou, Benjamin! Não tive escolha!
— Mentira! — Benjamin a agarrou pelos ombros, seus dedos afundando na carne dela com força brutal. — Você sempre teve escolha! Sempre! E eu não me importava com seus vídeos íntimos, com seu passado! Eu a aceitei assim mesmo!
Ela gritou, tentando se libertar de seu aperto.
A voz de Olívia cortou o ar como um raio, fazendo-o congelar no lugar. Ela atravessou a sala em passos rápidos e determinados, seu coração batendo tão forte que ela quase não conseguia ouvir nada além de seu próprio sangue pulsando em seus ouvidos.
— Solte-a! Agora! — sua voz era um comando, carregada de uma autoridade que nem mesmo ela sabia possuir.
Benjamin virou-se para enfrentá-la, seus olhos selvagens e desconhecidos.
— Isso não é da sua conta, Olívia! Saia daqui!
— Eu não vou a lugar nenhum — ela respondeu, posicionando-se entre ele e Clara, que agora soluçava no chão. — Olhe para você! Olhe para o que você está se tornando!
— Ela merece isso! — Benjamin gritou, seus punhos cerrados ao lado do corpo. — Ela destruiu tudo!
— E destruir ela vai consertar alguma coisa? — Olívia contra-atacou, sua voz tremendo mas firme. — Vai fazer você se sentir melhor? Vai apagar a traição?
— Não me dê lições de moral! — ele rosnou, avançando em sua direção. — Você não sabe o que é isso! Não sabe o que ela fez!
— Não sei? — Olívia arqueia as sobrancelhas. — Quer dizer que quando eu te encontrei na minha cama com ela, não foi uma traição? Seu karma chegou, Benjamin.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido