Benjamin avançou como um touro cego, cada passo seu ecoando no mármore como um tambor fúnebre. O ar ao seu redor parecia vibrar com a fúria pura que emanava de seu corpo tensionado. Olívia não recuou: permaneceu firme como uma rocha entre ele e Clara, seus pés enraizados no chão, seus olhos brilhando com uma coragem nascida do desespero.
— Afaste-se dela — a voz de Ian cortou o ar como uma lâmina, surgindo ao lado de Olívia como uma extensão de sua própria determinação. — Agora, Benjamin.
Benjamin congelou por uma fração de segundo, seus olhos incendiados fixos no tio. Na profundidade de sua fúria, havia mais do que raiva; havia a ferida aberta de uma humilhação que ia além da traição, uma vergonha pública que atingia o cerne de seu orgulho.
— Você tem a audácia de me dar ordens? — Benjamin cuspiu as palavras, mas seu olhar desafiador incluía ambos, Olívia e Ian, numa acusação silenciosa. — Depois de tudo que essa família me fez passar? Me deixando de fora por anos?
Ian não respondeu com palavras. Em um movimento fluido e mortal, ele agarrou Benjamin pelo paletó, puxando-o para perto até que seus rostos estivessem separados por meros centímetros.
— Toque nela novamente — Ian sussurrou, sua voz tão baixa que era quase inaudível, mas carregada de uma promessa sinistra — e eu vou despedaçar você. Pedaço por pedaço.
Tio e sobrinho travaram em um duelo silencioso; o mais novo representando a tradição e o orgulho ferido, o mais velho personificando uma ameaça muito mais perigosa e imprevisível. Algo na expressão implacável de Ian fez Benjamin recuar, seus ombros ainda tremendo de raiva contida.
Foi então que Olívia falou, sua voz carregada de uma emoção que fez ambos os homens virarem-se para ela.
— Você acha que é o único que sabe o que é traição? — suas palavras saíram como um chicote, cortando através da tensão. — Deixe-me contar sobre traição, Benjamin. Traição é encontrar seu marido e sua melhor amiga transando na sua cama. Traição é ser usada como um peão em um jogo que você nem sabe que está jogando. É ter seu corpo marcado como propriedade. É quase morrer nas mãos de alguém que jurou protegê-lo.
Ela deu um passo à frente, seus olhos faiscando.
— O que você sente agora? Essa dor cortante no peito? Essa vergonha que queima sua alma? Eu conheço cada centímetro desse território. E deixe-me dizer uma coisa; o que ela fez com você não chega nem perto do inferno que eu atravessei.
Benjamin a encarou, sua respiração ainda pesada, mas agora misturada com algo que se parecia com reconhecimento.
— Você não entende... — ele começou, mas Olívia o interrompeu.
— Não, é você que não entende! — sua voz subiu, carregada de uma paixão que vinha das profundezas de sua própria dor. — Eu fui sequestrada, marcada como gado, jogada de um penhasco! Tudo em nome do poder e da vingança dessa família! E você está aqui pronto para cometer violência porque seu orgulho foi ferido?
Clara, ainda encolhida no chão, olhava de um para o outro, primeiro para Benjamin, depois para Olívia, sua expressão mudando de medo para algo mais complexo. Quando o aperto de Benjamin finalmente a soltou, ela ergueu o rosto marcado por lágrimas.
Benjamin, ainda de pé, respirava como um homem tentando apagar um incêndio interno. Ian avançou, seu corpo tensionado como uma mola prestes a ser liberada, pronto para interceptar qualquer tentativa de Alexander de partir com sua cúmplice.
Foi Olívia quem interveio mais uma vez, sua mão fechando-se com força surpreendente ao redor do braço de Ian.
— Chega. Hoje não. — sua voz era firme, carregando uma autoridade que ecoava através da sala. — Já tivemos violência demais por hoje. Não vamos transformar esta sala em um campo de batalha.
Ian ergueu a cabeça; por um momento, seu rosto foi uma máscara de conflito: o desejo primal de destruir Alexander lutando contra o respeito crescente pela mulher que agora lhe pedia paz.
Alexander sorriu, um gesto largo e satisfeito que não chegou perto de seus olhos vazios. Antes de desaparecer na cortina de chuva que caía além da porta, ele virou-se para Ian e disse, em um tom quase confidencial:
— Sinto muito pelo que aconteceu com sua mãe, Ian. Realmente sinto. Mas se você soubesse a verdade, a verdade completa sobre o que sua família fez com a minha... talvez entendesse que tudo isso não é vingança. É justiça tardia.
As palavras pairaram no ar como fumaça tóxica, deixando para trás não respostas, mas perguntas mais profundas e perigosas. E enquanto a porta se fechava atrás de Alexander, cada pessoa na sala ficou com a inquietante sensação de que as fundações de suas vidas haviam sido abaladas, e que os piores segredos ainda estavam por vir.

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