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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 176

A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas do quarto, tingindo tudo de um dourado suave e frágil. O mundo lá fora parecia suspenso, como se o caos da véspera tivesse decidido conceder-lhes algumas horas de trégua.

Olívia abriu os olhos lentamente. Por um momento, esqueceu de respirar.

Ian estava ao seu lado, adormecido.

O lençol cobria metade do seu corpo, deixando à mostra o peito nu, o cabelo ainda ligeiramente úmido da noite anterior e o traço sereno, quase vulnerável, que raramente permitia que o mundo visse.

Ela o observou em silêncio, o peito subindo e descendo em um ritmo tranquilo, os lábios entreabertos, o braço estendido sobre o travesseiro, como se ainda a procurasse mesmo dormindo.

Um sorriso involuntário curvou os lábios de Olívia.

Ela se virou de lado, apoiando o queixo sobre o travesseiro, e sussurrou, apenas para si:

— Eu não devia ter me apaixonado por você...

Ian murmurou algo ininteligível, os cílios tremendo, e então abriu os olhos. O olhar dele a encontrou, e um pequeno sorriso cansado, mas real, apareceu em seus lábios.

— Está me observando dormir? — perguntou, a voz rouca de sono.

— Só certificando que você ainda respira. — Ela sorriu de leve.

— Com você do meu lado, não tem perigo. — Ele se aproximou, encostando a testa na dela. — Achei que talvez você tivesse ido embora.

— Eu pensei... — ela hesitou, olhando-o com sinceridade — ...mas não consegui.

Ele riu baixo, um som quase satisfeito.

— Ainda bem. Eu teria te buscado.

Ela o empurrou de leve no peito.

— Você precisa parar de achar que pode resolver tudo me perseguindo.

— Só quando você parar de achar que pode me deixar sem aviso.

Por um instante, ficaram em silêncio, o tipo de silêncio confortável que nasce quando as palavras já não são necessárias. Ian foi o primeiro a quebrá-lo.

— Eu tenho que ir à empresa. — Ele suspirou, erguendo-se da cama e pegando a camisa jogada no chão. — Depois do caos de ontem, preciso conter o incêndio literal e figurativo.

— Achei que você fosse tirar o dia pra descansar — ela disse, puxando o lençol para si.

— Descansar é um luxo que os Moretti não podem se dar.

Ela revirou os olhos, sorrindo.

— Então acho que vou aproveitar esse luxo no seu lugar.

Ele se inclinou e a beijou, devagar, como se quisesse memorizar o gosto dela antes de sair.

— E você? Vai ficar em casa?

— Não. Hoje é o dia da revisão do Léo — respondeu, ajeitando o cabelo. — Helena vai comigo, mas Carla insistiu em acompanhar.

— Quer que eu vá? — ele perguntou, sério.

— Não precisa. — Ela pousou a mão sobre o braço dele, gentil. — Vai ser rápido. E... eu prefiro que o Léo veja você como uma presença calma, não um furacão que arrasta seguranças pelos corredores.

Ian arqueou uma sobrancelha.

— Então quer dizer que eu intimido o pessoal do hospital?

— Intimida o planeta inteiro, Ian. — Ela sorriu, e por um segundo, o olhar dele suavizou.

— Me liga quando sair de lá, tudo bem? — ele pediu. — Só pra eu saber que vocês estão bem.

— Prometo. — Ela beijou o canto da boca dele. — Agora vai antes que eu te convença a ficar.

Ele riu, pegou o paletó e saiu, deixando para trás o perfume amadeirado que sempre a fazia lembrar de noites perigosamente intensas.

O caminho até o hospital foi tranquilo. Carla dirigia o carro, os óculos escuros escondendo os olhos curiosos.

— Então... quer dizer que finalmente rolou? — ela perguntou, um sorriso malicioso curvando os lábios.

Olívia fingiu indignação.

— Eu disse que era forte, mamãe. Igual ao Ian.

O comentário fez o coração dela se apertar, e Carla, do outro lado da sala, desviou o olhar, discretamente.

Elas estavam saindo quando o barulho começou.

Gritos abafados. Passos apressados. O som metálico de uma maca sendo empurrada.

Olívia virou-se no mesmo instante. Médicos e enfermeiros corriam pelo corredor, abrindo caminho com urgência.

Uma figura conhecida vinha logo atrás, molhado pela chuva, o rosto transtornado.

Benjamin.

Ela congelou.

— Benjamin? — Sua voz saiu rouca, incrédula. — O que aconteceu?

Ele parou diante dela, ofegante, os olhos sombrios.

— Eu tentei ligar pra Ian. Ele não atende. — Passou as mãos pelos cabelos, desesperado. — Você precisa falar com ele, Olívia. Agora.

— Por quê? O que houve?

Benjamin respirou fundo, sua voz embargada quando finalmente respondeu:

— É o Nicolau.

O nome soou como uma sentença.

Olívia sentiu o sangue gelar nas veias.

Benjamin segurou seu braço, o olhar fixo nela, e completou, com o tom devastado de quem carrega uma notícia impossível:

— Ele tem poucas horas de vida.

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