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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 178

O som do motor parecia distante, abafado, como se viesse de outro mundo.

Ian observava a estrada pela janela do carro, o asfalto se estendendo diante deles em uma linha infinita, cortando o cinza pesado do céu.

O vento batia contra o vidro, e o cheiro de chuva iminente misturava-se ao de couro e perfume; o perfume de Olívia, sentada ao seu lado, imóvel, silenciosa.

Mas ele mal percebia.

Sua mente vagava para longe dali, para um tempo em que tudo era mais simples.

Lembrou-se da infância, das manhãs no jardim da mansão Moretti, o som grave da risada de Nicolau ecoando quando ele o levantava nos braços, girando-o no ar.

O avô tinha mãos grandes, firmes, e olhos severos que sabiam, mesmo quando o mundo parecia ruir, manter tudo em ordem.

“— Homens Moretti não choram, Ian. Eles constroem impérios com as próprias lágrimas.

— Mas e se eu não quiser um império?

— Então construa algo que sobreviva a você, menino.”

Ele construiu, pensou agora.

Construiu poder, medo, silêncio... e perdeu quase tudo no processo.

O reflexo no vidro lhe devolvia a imagem de um homem que não reconhecia; pálido, exausto, com o olhar oco.

Um herdeiro sem trono, um filho sem pai, um neto que agora corria para não perder o último fio de sangue que o ligava à história.

Olívia o observava, inquieta.

Ela via o peso que ele carregava, a rigidez em seu maxilar, o punho cerrado sobre o joelho. Quis falar, mas não encontrou palavras.

O silêncio entre eles era feito de dor e respeito, uma trégua em meio ao colapso.

Ela tentou mesmo assim.

— Ian... — sua voz saiu suave, quase um toque. — Ele vai querer te ver. Você ainda tem tempo.

Ele virou o rosto lentamente, seus olhos encontrando os dela.

Havia algo ali que o desarmava; aquela compaixão, aquele amor sem exigência.

Mas ele não conseguiu responder. Apenas assentiu e voltou o olhar para a estrada.

O carro parou diante do hospital, o nome em letras douradas iluminadas refletindo nas poças de chuva no chão. Ian saiu antes mesmo que o motorista pudesse abrir a porta.

Andava rápido, decidido, cada passo uma batalha contra o colapso iminente.

— Quero o médico responsável pelo Sr. Nicolau Moretti. Agora. — sua voz ressoou no saguão, fria e firme.

A enfermeira, nervosa, balbuciou algo antes de chamar um homem de jaleco que se aproximou depressa.

— Sr. Moretti — o médico começou, tirando os óculos e limpando-os com o lenço. — O quadro é crítico. Seu avô teve uma insuficiência cardíaca durante a madrugada. O corpo dele... está desistindo.

Ian prendeu a respiração. O chão pareceu se mover.

— Ele está consciente? — perguntou, a voz tensa, quase um rosnado.

— Por enquanto, sim. Mas não sabemos por quanto tempo.

— Quero vê-lo. — Não foi um pedido.

O médico hesitou, depois assentiu.

— Apenas alguns minutos.

Olívia tentou acompanhá-lo, mas Ian levantou uma mão, suave, pedindo que esperasse.

— Eu preciso fazer isso sozinho — disse, sem encará-la.

E então entrou.

O quarto era silencioso, com aquele silêncio frio e estéril que só hospitais sabiam ter.

O bip do monitor cardíaco era um metrônomo da morte, marcando o ritmo exato do tempo que restava.

— Não estou falando de poder, garoto. — Nicolau o interrompeu com um esforço que lhe roubou o ar. — Estou falando da verdade.

O olhar dele ficou distante, perdido em memórias que ninguém mais poderia acessar.

— Há coisas... que nunca te contei — disse finalmente. — Coisas sobre sua mãe. Sobre seu irmão. Sobre o que foi apagado da nossa história.

Ian o encarou, o coração disparado.

— Então me conta. Agora.

O velho tossiu, o som úmido e áspero preenchendo o quarto. Uma enfermeira entrou, mas Nicolau ergueu a mão fraca, dispensando-a.

Virou-se para Ian com um último lampejo de lucidez.

— Não é sobre eles que você precisa se preocupar agora — disse. — É sobre ela.

Ian franziu o cenho.

— Ela quem?

Nicolau sorriu levemente, quase triste.

— Olívia.

O nome dela soou como uma sentença.

— Existe algo sobre Olívia... que você precisa saber.

O monitor cardíaco apitou, acelerando de repente. O médico correu para dentro, e Ian foi puxado para trás enquanto os enfermeiros cercavam o leito.

Mas o velho ainda o olhava, seus lábios se movendo lentamente, formando palavras que Ian não conseguiu ouvir; apenas ver.

Três palavras.

Duas sílabas.

E antes que pudesse decifrá-las, o som contínuo do monitor preencheu o quarto, e Nicolau Moretti finalmente se calou.

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