Olívia verificou duas vezes se Leo estava dormindo. O monitor emitia o bip suave e constante, quase como uma respiração. Ela ajeitou a coberta no ombro dele, a mesma que Ian havia acabado de colocar sobre ele.
— Fica tranquilo em seu descanso, meu amor. Mamãe volta rapidinho. — sussurrou, passando os dedos pelo seu cabelo macio.
Leo sorriu sonolento, já voltando ao descanso. Sentiu o calorzinho da pele do seu garoto e fechou os olhos por um segundo, só para lembrar a si mesma que ele estava ali. Que ainda estava ali. E ela sempre o manteria assim; seguro, vivo, seu.
Então, se virou e saiu.
Olivia esperou o corredor ficar em silêncio antes de deixar o quarto de Leo. O som constante do monitor cardíaco ainda vibrava na casa dela, mas pelo menos o número estava estável. A verdade era que ele realmente parecia melhor e era só isso acalmava o seu coração no meio da fúria daquele momento.
Quando atravessou o estacionamento, viu os faróis de um carro acenderem. Era irreconhecível, era o carro preto de Ian, e ele já estava no volante, já pronto para sair. O motor ligado.
A pressa dele não combinava com o jeito metódico que costumava ter. Aquilo fez Olivia se mover antes de pensar. Ela acelerou o passo.
— Ian! — chamou, quase sem pensar.
Ele girou o rosto na direção dela, mas não desligou o carro. Olivia não hesitou. Abriu a porta e se sentou no banco do passageiro.
— Você enlouqueceu? — perguntou, batendo a porta atrás de si com força. — Acha que pode simplesmente decidir onde eu e o Leo vamos dormir, como se fosse... dono da gente?
Ian nem olhou para ela e também não respondeu. Apenas engatou a marcha e acelerou, o carro em movimento.
— Fala comigo! — insistiu. — O que há de errado com você? Não era isso que a gente tinha combinado. Eu não pensei que fosse tão rápido... E principalmente, com o Leo assim.
— Isso não é novidade. — ele falou baixo, mas cortante. — Só estou fazendo o que você sempre soube que ia acontecer. — sua voz era seca, sem espaço para réplica.
— Eu sabia que ia acontecer? Não dessa forma!— Ela quase riu, amarga. — Ian, o Léo ainda está internado! Você acha que é assim, fácil? Rápido?
Silêncio. O motor preenchia o espaço. Ian manteve o olhar, sem desviar na estrada. Não respondeu. Em vez disso, desbloqueou o celular, fez alguns toques rápidos e jogou o aparelho no colo dela.
— Lê.
Olívia abaixou o olhar, olhou para tela. O documento estava aberto. Leu uma vez, sem processar.
Era sobre Leo.
“O paciente apresentou melhora significativa. Quadro estável. Aguardar prazos para cirurgia.”
Leu de novo, o coração acelerado.
O estado de Leo havia melhorado.
Alta hospitalar autorizada em breve.
Aguardando apenas os dias certos para a cirurgia.
Seu coração apertou.
— Como… como você conseguiu isso? — perguntou, quase num sussurro. — Eu... Eu não recebi nada. Como você recebeu antes de mim? — A voz falhou.
— Eu sempre sei.
Aquilo a assustou de novo, mesmo assim, guardou em silêncio. Olivia aceitou aquela não-resposta. Ela não quis discutir. Já estava cansada demais por todo aquele dia.
— Antes de qualquer coisa, eu vou falar com o Leo. E também irei ver essa questão da cirurgia. — Ela abriu a porta. — E depois, quero conversar com você sobre essa mudança. Tenho regras quanto a convivência com o Leo.
Ian arqueou uma sobrancelha. O canto da boca dele puxou num sorriso irônico.
— Você colocando condições... É quase engraçado.
— Não estou brincando. — respondeu firme.
— Mas isso é Interessante… — ele inclinou-se levemente, apoiando o braço no volante, seus olhos encarando diretamente dentro dos dela.. — Me lembra de outra condição minha.
Ela franziu o cenho.
— Que condição?
O sorriso dele desapareceu. O tom frio voltou.
— Controle seus sentimentos, Olivia. Clara e Benjamin também vão passar alguns dias hospedados na mansão. Prepara-se.
Olivia sentiu o chão desaparecer sob os pés dela, mesmo ainda estando sentada. Se tentasse aquilo, poderia ser fatal.

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