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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 194

Olívia permanecia no jardim, jogada naquela grama, enquanto observava, completamente desolada, a figura de Alexander se aproximar ainda mais.

Alexander fechou a distância entre eles, seus sapatos afundando levemente na grama encharcada. Sua voz, quando veio, era um contraste perturbador com a fúria dos elementos: serena, medida.

— Você poderia ter evitado todo este desastre, sabia? — ele disse, suas palavras cortando limpa e precisamente através do rugido da tempestade. — Tudo o que precisava fazer era não mentir. Era contar a ele desde o início, como uma mulher honesta faria.

Olívia ergueu o rosto lentamente, gotas de chuva escorrendo por suas têmporas como lágrimas adicionais. Seus olhos, normalmente tão expressivos, agora faiscavam com uma mistura de dor e desafio através do véu aquoso.

— E você realmente acredita que teria sido diferente? — ela rebateu, sua voz rouca da emoção contida. — Que Ian teria acreditado em mim? Que ele não teria me odiado com a mesma intensidade, talvez até mais, por ter escondido algo assim durante todos esses anos?

Alexander encolheu os ombros em um gesto deliberadamente casual, um meio sorriso cruel dançando em seus lábios.

— Talvez. Ou talvez ele te amasse o suficiente para encontrar o perdão em seu coração. Mas agora... — ele inclinou levemente a cabeça, seus olhos escuros fixos nela com intensidade predatória —, agora você o perdeu definitivamente. E essa é uma verdade que nem mesmo você pode contestar.

Foi a gota d'água. Algo dentro de Olívia estilhaçou, e a fúria que ela mantivera contida por tanto tempo explodiu em uma erupção vulcânica de emoção.

— Cale a boca — ela gritou, o som saindo de sua garganta como um rugido primal que parecia desafiar até mesmo o trovão que rolava acima deles. — Você não sabe nada! Nada do que nós vivemos, do que passamos juntos! Você não tem a menor ideia do que é amar alguém tão profundamente que a simples ideia de machucá-lo é mais aterrorizante que qualquer outra coisa neste mundo!

Alexander riu, um som baixo e completamente desprovido de alegria que parecia mais uma expressão de desprezo do que de diversão.

— Amar? — ele repetiu, carregando a palavra com um cinismo que a fez estremecer. — Não, querida. Você nunca amou ninguém além de si mesma. Você mentiu para todos; para Ian, para a família, para o velho Nicolau em seu leito de morte. Mas o pior de tudo é que você mentiu para si mesma, convencendo-se de que suas intenções eram nobres.

O peito de Olívia subia e descia em ritmo acelerado, cada respiração uma batalha contra as lágrimas que insistiam em voltar. Por um momento fugaz, ela pensou em responder, em gritar até não restar ar em seus pulmões, em empurrá-lo com toda a força que possuía, em feri-lo tanto quanto ele a ferira com suas palavras. Mas as palavras morreram em sua garganta, sufocadas pelo peso esmagador da verdade que suas acusações carregavam.

Ela virou-se bruscamente, suas solas escorregando levemente na grama molhada, e correu em direção à mansão, tropeçando em sua própria agonia, ignorando o chamado quase imperceptível de Alexander que se perdeu no som da chuva.

Ao entrar na mansão, ela passou como um furacão pelo hall de entrada, tão consumida por seu próprio tormento que nem notou Benjamin parado perto da escada, nem Clara, imóvel ao seu lado com a mala ainda firmemente segura em sua mão.

Olívia subiu as escadas com passos pesados, cada degrau uma montanha a ser escalada, seu coração já em frangalhos dentro de seu peito.

Ao chegar ao quarto que compartilhara com Ian, ela empurrou a porta com força suficiente para fazê-la bater contra a parede, e começou a jogar roupas dentro de uma mala aberta na cama, seus movimentos caóticos e desprovidos de propósito; tudo o que queria era desaparecer, sumir da face da terra e do inferno que ela mesma ajudara a criar.

Ela caiu de joelhos ao lado da cama, exausta além da medida, seu rosto escondido entre as mãos tremulas.

— O que eu fiz? — ela sussurrou para as palmas de suas mãos, a voz tão quebrada que mal era reconhecível. — Meu Deus... o que eu fiz?

Enquanto isso, lá fora, no andar inferior, a tensão entre Benjamin e Alexander atingia seu clímax.

—:Quanto a você... — Alexander finalmente se voltou completamente para Benjamin, seu olhar desdenhoso. — Na verdade, não há nada quanto a você. Durante toda essa história, você tem sido completamente irrelevante. Pode ficar tranquilo, não vou perturbar sua existência medíocre.

Benjamin instintivamente deu um passo à frente, seus punhos se cerrando, mas algo no olhar gelado de Alexander o fez congelar no lugar. Havia uma promessa de violência naqueles olhos escuros, uma ameaça não dita mas profundamente sentida.

— Não me faça mudar de ideia, Benjamin. — Alexander sussurrou, cada palavra pontuada pela chuva que batia nas janelas.

Benjamin permanecera parado na escada por tempo demais, um espectador impotente de seu próprio desmoronamento, observando Alexander e Clara se afastarem sob a cortina de chuva. Alexander nem sequer olhou para trás, simplesmente estendeu a mão com uma confiança que beirava a arrogância, e Clara, após um momento de hesitação quase imperceptível, aceitou-a.

Benjamin sentiu o mundo ao seu redor se esvaziar, toda a fúria e dor dando lugar a um vazio profundo e ressonante. Ele não gritou. Não implorou. Apenas observou, paralisado, enquanto as duas figuras se perdiam na escuridão além do portão, até que o som do motor de partida se misturou e finalmente foi engolido pelo rugido da tempestade.

— Você acha que ele vai te perdoar? — Benjamin perguntou finalmente, sua voz pouco mais que um sussurro rouco.

Olívia não respondeu imediatamente, seus dedos traçando padrões invisíveis no carpete.

— Eu não sei. — ela admitiu finalmente, levantando o olhar para suas próprias mãos como se elas contivessem as respostas que procurava. — Mas mesmo que ele nunca me perdoe... eu precisava contar tudo. A verdade completa. Ele merecia saber.

Benjamin assentiu lentamente, seu queixo repousando em seus joelhos dobrados.

— Ian nunca foi bom com perdão. — ele observou, fazendo uma pausa enquanto seus olhos se fixavam nela com uma intensidade incomum. — Mas ele te ama. Mesmo que negue, mesmo que fuja, mesmo que tente destruir tudo que vocês construíram... ele te ama.

Olívia mordeu o lábio inferior, sentindo as lágrimas voltarem aos seus olhos, quentes e familiares.

— Isso não muda o que eu fiz. — ela sussurrou, sua voz trêmula. — Não apaga os anos de mentiras.

Benjamin suspirou profundamente, e em um gesto que ela nunca teria esperado dele, estendeu a mão e tocou a dela, seus dedos envolvendo os dela em um aperto surpreendentemente gentil.

— Às vezes — ele disse, sua voz tão suave que ela quase não ouviu sobre o som da chuva, — o amor e o erro são a mesma coisa. Dois lados da mesma moeda amaldiçoada.

Ela olhou para ele, verdadeiramente olhou, e foi então que percebeu a dor estampada em seus traços; não a raiva performática que ele usualmente exibia, nem o orgulho ferido que o mantinha ereto, mas a dor crua e exposta de alguém que também havia perdido tudo que importava.

— Benjamin... — ela começou, mas ele não a deixou terminar.

Em um movimento repentino, guiado por um impulso cego de desespero e solidão compartilhada, ele se inclinou para frente e colou seus lábios nos dela.

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