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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 195

O beijo foi breve, mas parecia ter durado uma eternidade; um momento confuso e carregado de todas as emoções que não ousavam ser nomeadas. O sabor de lágrimas salgadas, a uísque amargo e ao desespero solitário de duas pessoas que haviam se perdido em suas próprias vidas. Era um beijo de quem busca consolo no único lugar que resta: o erro familiar.

Olívia ficou imóvel por um instante que pareceu se estender além do tempo, seu corpo paralisado pelo choque. Então, como se acordasse de um pesadelo, ela o empurrou com uma força que surpreendeu a ambos.

— Não! — O grito saiu de sua garganta como algo vivo e ferido, e ela recuou vários passos, levando as costas das mãos aos lábios como se pudesse apagar o contato. — Não ouse, Benjamin! Não tem esse direito!

Ele cambaleou para trás, o rosto uma máscara de choque e vergonha imediata. Mas a vergonha, Olívia percebeu com um frio na espinha, rapidamente se transformou em algo mais sombrio, mais familiar; aquele desespero venenoso que tantas vezes o transformara na versão mais cruel de si mesmo.

— Olívia, por favor, me escuta — ele suplicou, a voz rouca e quebrada, as mãos estendidas em um gesto de apelo. — Eu sei que errei, eu sei! Mas tudo isso... tudo que aconteceu... foi por causa dela. Clara me destruiu por dentro, e agora ela se foi. Foi embora com ele, Olívia! Me deixou aqui sozinho!

— E isso te dá o direito de me beijar?! — As palavras saíram como um chicote, as lágrimas de dor misturando-se às de raiva. — Depois de tudo que você fez comigo, Benjamin? Depois de me trair com minha melhor amiga, de me humilhar, de me culpar por anos por algo que estava além do meu controle? Por não poder te dar o filho que você tanto queria?

Ele passou as mãos pelos cabelos em um gesto de puro desespero, seus dedos tremendo visivelmente.

— Eu estava com raiva, estava perdido! Mas agora... agora tudo pode ser diferente. — Ele deu um passo à frente, seus olhos implorando por uma compreensão que ela não podia dar. — Nós podemos começar de novo, você e eu. Sem mentiras, sem o peso sufocante dessa família maldita.

Olívia riu, um som curto e amargo que ecoou no quarto silencioso.

— Você realmente acredita que ainda existe um 'nós' depois de tudo que nos separou?

— Eu acredito — ele insistiu, as lágrimas finalmente rompendo as barreiras e escorrendo por seu rosto. — Porque eu te amei, Olívia. Ainda te amo. — Outro passo, diminuindo a distância entre eles. — E porque eu sei o que Ian é capaz de fazer. Ele vai te destruir, do mesmo jeito que destrói tudo que toca.

Ela ergueu a mão, a palma voltada para ele em um gesto claro de parada.

— Não fale dele. Você não entende o que há entre nós.

Benjamin ignorou o gesto, seu desespero se transformando em um impulso cego. Ele fechou a distância restante e agarrou seus braços, seus dedos afundando na carne macia de seus bíceps com uma força que faria marcas.

— Eu te entendo mais do que ele jamais entenderá! — ele explodiu, sua voz carregada de uma intensidade quase violenta. — Eu te conheço desde antes dele sequer saber que você existia! Eu sei o que você gosta de comer quando está triste, sei que você tem medo do escuro mas nunca admite, sei que você quebra por dentro quando alguém levanta a voz! Eu sei quem você é, Olívia!

— Me solta! — ela gritou, lutando contra seu aperto, sentindo o pânico começar a subir em sua garganta. — Você não sabe nada sobre mim!

Ele se aproximou dela novamente, mas desta vez seus movimentos eram diferentes, mais determinados, mais ameaçadores. Seus braços a encurralaram contra a parede, prendendo-a no espaço entre o aparador e a cama.

Olívia ficou imóvel, tremendo, tentando recuperar o fôlego que parecia ter fugido de seus pulmões. A pele de seus braços ardia onde ele a segurara, e seu coração batia num ritmo descompassado de medo genuíno. A realidade da situação atingiu-a com força total; eles estavam sozinhos na mansão, com a tempestade rugindo lá fora abafando qualquer som. O que quer que ele decidisse fazer, não haveria testemunhas.

Um pressentimento gelado percorreu sua espinha enquanto ela olhou para o espelho em frente à cama e viu seu próprio reflexo: olhos vermelhos e inchados, cabelos desgrenhados, e uma mulher que não reconhecia mais, alguém que havia se perdido tanto em suas próprias mentiras que já não sabia onde a persona terminava e a pessoa verdadeira começava.

"O que mais você vai tirar de mim, Moretti?" ela pensou, sem saber ao certo se se referia a Ian, a Benjamin, ou à parte de si mesma que havia se sacrificado no altar da ambição dessa família.

Benjamin continuou a pressioná-la contra a parede, seu rosto tão próximo que ela podia sentir seu hálito quente contra sua pele.

Mas antes que qualquer palavra pudesse ser dita, antes que o próximo movimento pudesse ser feito, um trovão particular ecoou pelo quarto; não vindo da tempestade lá fora, mas da porta entreaberta.

A voz que seguiu o som fez o sangue de Olívia gelar instantaneamente nas veias.

— Então é assim que você busca consolo agora, Olívia? Nos braços do primeiro homem que aparece?

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