O coração de Olívia batia com tanta força que ela conseguia senti-lo pulsando em suas têmporas, um ritmo acelerado e caótico que ecoava o turbilhão em sua mente. Ela empurrou Benjamin com toda a força que seus membros trêmulos conseguiam reunir, um movimento nascido tanto do desespero quanto da revolta. Ele cambaleou para trás, um passo apenas, mas o suficiente para romper a intimidade ameaçadora que se estabelecera entre eles. Seus olhos se arregalaram de surpresa genuína; talvez ele realmente acreditasse que ela cederia, que encontraria consolo em seus braços depois de tudo.
Seu peito subia e descia em respirações curtas e ofegantes, como se tivesse corrido não apenas pelo corredor, mas por todos os anos de mentiras e segredos que a trouxeram até aquele momento.
Mas então, ao levantar os olhos além de Benjamin, além do quarto desarrumado e da mala aberta que testemunhava sua fuga precipitada, ela viu; e congelou.
Matheus. Parado na soleira da porta como um espectro silencioso, seu uniforme impecável de segurança contrastando com a cena caótica do quarto. Seu olhar não era apenas duro ou frio, era uma tempestade contida de julgamento e decepção. Ele não precisava dizer uma palavra; cada linha de seu corpo, cada nuance em seus olhos claros condenava-a mais eloquentemente que qualquer acusação.
— Matheus... — O nome saiu de seus lábios como um sopro, tão trêmulo e frágil que mal conseguiu romper o silêncio tenso. — O que você está fazendo aqui?
Ele a observou por um momento que pareceu se estender além do tempo, seus olhos alternando entre ela e Benjamin com uma calma perturbadora. Quando finalmente respondeu, sua voz era controlada.
— Apenas cumprindo ordens. — A simplicidade da resposta foi mais devastadora que qualquer explicação elaborada.
E sem acrescentar mais nada, ele começou a se virar, como se a cena que testemunhara fosse insignificante, apenas mais uma tarefa em sua rotina.
— Espera! — O grito de Olívia ecoou no quarto, um som agudo de pânico genuíno. Ela se agarrou à mala ao lado da cama, suas mãos tremulas fechando-se nas alças como se fosse uma tábua de salvação.
Mas antes que pudesse dar outro passo, a mão de Benjamin fechou-se em torno de seu braço com força suficiente para fazer seus dedos formigarem.
— Você não vai sair daqui desse jeito! — ele rosnou, sua voz carregada de uma mistura de embriaguez e desespero.
O estalo que seguiu ecoou pelo quarto como um tiro: um tapa seco e preciso que deixou uma marca vermelha e ardente no rosto de Benjamin.
Benjamin ficou imóvel, atordoado não tanto pela dor, mas pelo choque. Sua mão voou instintivamente para o lado de seu rosto que ardia, seus olhos abertos com incredulidade.
— Nunca mais ouse encostar em mim. — As palavras saíram dos lábios de Olívia como veneno, cada sílaba carregada de uma fúria que havia fermentado por anos.
Sem olhar para trás, sem olhar para o homem que um dia amara, para o quarto que compartilhara com outro homem, para a vida que construíra sobre alicerces podres, ela saiu correndo pelo corredor, arrastando a mala atrás de si. As rodas batiam irregularmente contra os degraus de mármore, criando um ritmo caótico que ecoava pela escadaria vazia, um som de fuga e desespero.
Ela encontrou Matheus já descendo as escadas com sua marcha característica, eficiente e impessoal.
— Matheus! — chamou, ofegante, sua voz embargada pela combinação de corrida e emoção.
Ele se virou, mas não parou completamente, seu corpo mantendo uma postura profissional mesmo enquanto seus olhos a avaliavam.
— Não tem o que explicar, Olívia.
— Tem, sim! — ela insistiu, descendo os degraus apressadamente, sua mala batendo contra seus calcanhares a cada passo. — Você entendeu tudo errado. Não estava acontecendo nada entre mim e Benjamin. — As palavras saíam em um fluxo rápido e desesperado, sobrepondo-se umas às outras em sua urgência. — Eu estava com medo, Matheus. Com medo do que ele podia fazer se você não tivesse aparecido.
Matheus a observou em silêncio, seu rosto uma máscara de impassibilidade que era mais eloquente que qualquer ceticismo verbal.
— Entendo. — Foram as únicas palavras que ofereceu, em um tom que deixava claro que não acreditava.
— O que você estava fazendo aqui? — ela perguntou, sua voz mais baixa agora.
— Vim buscar algo para Ian. — A resposta veio sem hesitação, um fato simples e incontestável.
Olívia sentiu seu coração se apertar no peito, uma dor física e aguda que a fez respirar fundo.
— E onde ele está? — arriscou, sabendo que a resposta provavelmente a machucaria, mas incapaz de resistir à necessidade de saber.
Matheus a encarou, seus olhos claros fixos nos dela com uma intensidade que quase a fez recuar.
No meio do trajeto, o celular de Matheus tocou, o toque padrão soando estridentemente no silêncio do carro. Ele atendeu imediatamente, sem verificar quem era.
— Sim. — Sua voz endureceu imediatamente, tornando-se ainda mais impessoal. — Está. Certo. Entendido.
Olívia desviou o olhar para a janela, observando as gotas de chuva deslizarem pelo vidro como lágrimas que ela mesma já não conseguia chorar, mas sentiu seu coração se apertar em seu peito. Ela não precisava ouvir o nome do outro lado da linha. Sabia, com uma certeza que a queimava por dentro, que era Ian.
Quando o carro finalmente parou em frente à casa simples de Carla, ela soltou o cinto de segurança com mãos trêmulas e respirou fundo, reunindo os fragmentos de sua dignidade. Matheus desceu junto, abrindo o porta-malas para pegar sua mala com um gesto eficiente.
Carla apareceu na porta, seu rosto iluminado pela luz quente do interior, sua expressão mudando rapidamente de surpresa para preocupação genuína ao ver a amiga acompanhada por Matheus.
— Olívia? O que aconteceu? — perguntou, seus olhos escaneando o rosto pálido e marcado da amiga.
— Eu só preciso entrar e descansar. — murmurou Olívia, seus olhos marejados, sem energia para explicar a complexa teia de eventos que a trouxera até ali.
Ela já estava se afastando, já sentindo o alívio da proximidade do refúgio que a casa de Carla representava, quando ouviu a voz de Matheus atrás dela, firme e inescapável, cortando o ar úmido da noite.
— Olívia.
Ela se virou lentamente, cada movimento um esforço.
— O quê?
Matheus a olhou com uma expressão indecifrável, não era raiva, nem julgamento, mas algo mais complexo, quase como pena, antes de dizer, devagar, cada palavra cuidadosamente medida como uma sentença sendo proferida:
— Ian deseja ter um momento a sós com Léo. E caso você não permita isso... — Ele fez uma pausa calculada, seu olhar fixo no dela com uma intensidade que a fez estremecer. — ...os advogados dele entrarão em ação."

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