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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 201

O sol da manhã dançava através das janelas da casa de Carla, projetando padrões dourados que se moviam lentamente pelo chão de madeira. A luz parecia zombar de seu estado interior; enquanto o mundo exterior brilhava com promessas de um novo dia, ela permanecia presa nos vestígios emocionais da noite anterior.

Ainda vestindo a mesma camiseta larga e com o cabelo preso em um coque desleixado, Carla se movia pela casa como um fantasma em seu próprio espaço.

Quando a campainha tocou, seu primeiro instinto foi ignorar, talvez quem quer que fosse desistisse e a deixasse em sua solidão autoimposta. Mas o som persistente ecoou pelo apartamento, cada toque uma agulha de ansiedade penetrando em sua já frágil compostura.

Ao abrir a porta, o ar pareceu sair de seus pulmões de uma vez só.

Matheus.

Ele estava parado no corredor, não como o segurança profissional que ela conhecia, mas como um homem cuja postura rígida não conseguia completamente esconder a tensão que habitava seus ombros. Suas mãos estavam enterradas nos bolsos do casaco, seus olhos escuros fixos nela com uma intensidade que fez sua pele formigar.

— Você devia ter me avisado que viria — ela disse, sua voz mais áspera do que pretendia, as palavras saindo como acusações. — Nós... tínhamos um acordo. Não nos ver mais.

Matheus ofereceu um sorriso leve que não alcançou seus olhos.

— Eu sei do nosso acordo. Mas algumas coisas são mais fortes que acordos. — Seu olhar percorreu seu rosto, estudando cada detalhe como um homem faminto. — Só vim para conversar, Carla. Nada mais.

Ela cruzou os braços, sentindo a fragilidade de suas próprias defesas.

— Conversar? Sobre o quê, exatamente?

— Sobre o que está acontecendo com todos nós — ele respondeu, dando um passo à frente que diminuiu a distância entre eles. — Sei que Ian e Olívia saíram hoje por causa do Léo. Imaginei que você estivesse sozinha. E... preocupada.

A hesitação dela foi quase imperceptível, mas ele a captou; ele sempre captava as nuances que ela tentava esconder. Sabia que deixá-lo entrar era abrir uma porta que deveria permanecer trancada, um convite para o caos que ambos vinham tentando evitar. No entanto, algo em sua presença a puxava, uma gravidade que ela não conseguia resistir.

— Entra — ela disse finalmente, afastando-se da porta. — Mas só por alguns minutos.

Matheus caminhou até o sofá, o mesmo sofá que, horas depois, se tornaria o palco de uma intimidade que nenhum dos dois poderia mais negar. Seus olhos percorreram a sala, absorvendo os detalhes de seu espaço como se estivesse memorizando-a.

Carla retirou-se para a cozinha, suas mãos trêmulas preparando duas xícaras de café enquanto tentava recuperar algum controle sobre a situação. Quando retornou, encontrou-o de pé perto da janela, observando a cidade que despertava ao redor.

— Estou preocupado com Olívia — ele disse, aceitando a xícara que ela oferecia. — Ian está... diferente. Mais frio, mais imprevisível. Como um homem que não tem mais nada a perder.

Carla assentiu, seu olhar fixo no vapor que subia de sua xícara.

— Ela está despedaçada. E ele... ele não está ajudando. Eles são iguais, sabia? — Ela suspirou, o som carregado de exaustão emocional. — Os dois fogem justamente quando mais precisam ficar e se escutar.

Matheus a observava com uma atenção que era quase física em sua intensidade. Havia algo em Carla que sempre o desarmara, aquela combinação peculiar de força resiliente e vulnerabilidade mal escondida, a maneira como ela mascarava seus medos atrás de sarcasmo e uma independência quase agressiva.

— E você? — a pergunta veio suave, mas penetrante. — Como você está realmente?

Ela riu, um som amargo e sem humor.

— Eu? Estou tentando não me afogar nos destroços que outras pessoas criaram.

— Mentira — sua voz era baixa, mas incrivelmente clara no silêncio da sala. — Você se importa demais para ser apenas uma espectadora.

Ele não respondeu com palavras. Em vez disso, fechou a distância final entre eles até que o ar que compartilhavam se tornasse quente e carregado.

— Acho que, pela primeira vez em minha vida, não estou pensando em como fugir depois.

O coração de Carla batia com tanta força que ela temia que ele pudesse ouvir. Ela queria protestar, queria recuar, queria dizer qualquer coisa que restaurasse a sanidade à situação. Mas as palavras morreram em seus lábios quando Matheus levantou a mão e tocou seu rosto. Seus dedos eram surpreendentemente suaves contra sua pele, seu toque hesitante, quase reverente, como se estivesse pedindo permissão para algo que ambos sabiam ser inevitável.

E, mesmo com cada fibra de seu ser alertando sobre as consequências, ela não se afastou.

O primeiro beijo começou lentamente, uma exploração cautelosa de lábios que hesitavam em admitir o quanto ansiavam por isso. Mas então algo mudou, uma faísca se tornou chama, a hesitação deu lugar à certeza, e o beijo se aprofundou, tornando-se algo voraz e inevitável. Tinha gosto de café e de verdades não ditas, de desejo reprimido e de medo.

— Isso é um erro — ela murmurou contra seus lábios, as palavras saindo sem convicção, suas mãos já subindo para enterrar-se em seus cabelos.

— O erro mais fácil que já cometi — ele respondeu antes de capturar seus lábios novamente, suas mãos encontrando sua cintura para puxá-la mais perto.

O mundo exterior desapareceu, reduzido ao espaço entre seus corpos. As xícaras de café caíram no chão em um ruído abafado, mas nenhum deles deu atenção.

Matheus a levou para o sofá, seus corpos se encontrando no tecido macio com uma familiaridade que beliscava suas consciências. Suas mãos percorreram seu corpo como um homem redesenhando um mapa que nunca deveria ter memorizado, cada toque acendendo novos fogos, cada beijo apagando mais um fragmento de sua resistência.

— Ainda acha que é um erro? — ele sussurrou contra seu pescoço, seus lábios traçando um caminho até seu ombro.

Carla não respondeu com palavras. Em vez disso, suas mãos falaram por ela, deslizando sob sua camisa para encontrar a pele quente de suas costas, seus dedos pressionando contra os músculos tensos, puxando-o mais perto até que não houvesse espaço para dúvidas ou arrependimentos entre eles.

Não ainda.

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