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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 207

O quarto estava envolto na penumbra aconchegante da noite, com apenas o abajur do criado-mudo projetando um círculo dourado sobre o tapete repleto de brinquedos. Léo estava sentado na cama, seu pequeno corpo envolto em pijama azul-marinho, abraçado ao travesseiro como se fosse um companheiro de aventuras. Seus olhos, grandes e curiosos, seguiam cada movimento da mãe enquanto ela se aproximava, como se soubesse que algo importante estava prestes a ser revelado.

Olívia respirou fundo, sentindo o ar entrar em seus pulmões como se fosse feito de vidro; cada inspiração uma ameaça de quebrar a frágil compostura que mantinha. Seu coração batia com força contra suas costelas, um tambor ansioso anunciando a tempestade emocional que se aproximava. Ela sentou-se na beira da cama, a colchão cedendo suavemente sob seu peso, e passou os dedos pelos cabelos macios do filho, buscando conforto no toque familiar.

— Filho… — começou, sua voz saindo mais suave do que esperava, mas carregada de uma emoção que tremia nas bordas. — A mamãe precisa te contar uma coisa muito importante.

Léo franziu a testa em uma expressão que era espantosamente parecida com a de Ian quando pensativo.

— É sobre o tio Ian?

A perspicácia da pergunta a pegou desprevenida. Ela sorriu, um gesto frágil que mal conseguiu sustentar por mais de um segundo.

— É, meu amor. É sobre ele.

Por um momento que pareceu se estender além do tempo, as palavras fugiram de sua mente, substituídas por uma enxurrada de memórias; o olhar de Ian naquela primeira noite no bar, o som de sua risada quando estava genuinamente feliz, a dor crua em seus olhos quando descobrira a verdade sobre Léo. Mas ela precisava ser forte agora, mais forte do que jamais fora, porque esta verdade pertencia ao filho tanto quanto a ela.

— Léo, o tio Ian… — ela fez uma pausa, buscando coragem nos olhos inocentes que a fitavam com absoluta confiança. — Ele é mais do que um amigo da mamãe. Ele… ele é o seu pai.

O silêncio que se seguiu foi profundo, preenchido apenas pelo tique-taque distante de um relógio na sala. Olívia pôde sentir cada batida de seu próprio coração enquanto observava o filho processar a informação. Então, com a simplicidade desarmante que apenas as crianças possuem, um pequeno sorriso iluminou seu rosto.

— Então é por isso que ele tem os olhos parecidos com os meus?

Olívia soltou uma risada entrecortada pelas emoções, as lágrimas que teimava em conter finalmente rompendo as barreiras e escorrendo silenciosamente por seu rosto.

— É, meu amor. É exatamente por isso. E o jeito que você franze a testa quando está pensando, e a maneira como ri quando algo é realmente engraçado...

Léo simplesmente assentiu, como se aquela revelação fosse a peça que faltava em um quebra-cabeça que ele nem sabia estar montando.

— Eu gosto dele, mamãe. Ele é legal. E ele me escuta de verdade, não finge.

Meio sonolenta, estendeu a mão automaticamente, assumindo que seria Carla checando se estava bem ou Helena com alguma atualização sobre Léo. Mas quando a tela iluminou-se no escuro do quarto, o ar pareceu ser sugado para fora de seus pulmões de uma vez só.

Era uma mensagem de um número desconhecido. Sem texto, sem explicação. Apenas uma única imagem que fez seu mundo parar de girar.

A fotografia mostrava Ian, deitado de lado em uma cama que ela reconheceu de fotos antigas com uma dor aguda no peito; o quarto de Carolina, com sua decoração distintamente elegante e as cortinas de seda. Ele parecia estar em sono profundo, seu rosto relaxado em uma expressão de paz que ela não via nele há muito tempo. E ao lado dele, com o lençol de linho cobrindo seu corpo até a cintura, estava Carolina, seu sorriso dirigido diretamente para a câmera com uma intimidade que era impossível ignorar.

A legenda abaixo da imagem era simples, cruel em sua brevidade: Alguns laços nunca morrem.

Olívia ficou olhando para a tela, seus dedos tremendo ligeiramente, até que as lágrimas começaram a turvar sua visão e a imagem borrou-se em manchas de cor sem significado. Era como se o universo tivesse decidido partir seu coração em silêncio, sem drama, sem gritos; apenas o som abafado de algo precioso se quebrando irreparavelmente.

Ela pressionou o celular contra seu peito, como se o gesto físico pudesse proteger seu coração já ferido, respirando fundo na tentativa de conter os soluços que ameaçavam explodir em sua garganta. Mas não havia mais o que conter, não havia mais paredes a erguer. A imagem era o ponto final em sua história com Ian - frio, calculado, deliberadamente cruel em sua mensagem.

E ali, na escuridão solitária de seu quarto, com as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto e pingando no travesseiro, Olívia finalmente entendeu a verdade mais dolorosa de todas: aquilo realmente tinha acabado. Não havia mais "nós", não havia mais "um dia". Restavam apenas ela, seu filho, e as cicatrizes de um passado que, por mais que tentasse enterrar, continuava a doer como se tivesse sido feito ontem.

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