O mundo desacelerou até parar quando Ian desabou no chão com um baque surdo que ecoou pelo apartamento silencioso. Por um momento que pareceu se estender além do tempo, Carolina ficou completamente paralisada, observando o corpo imponente do homem que tanto amara - e odiara em igual medida - espalhado em seu tapete branco imaculado como a mais cruel das ironias. O vinho tinto escorria da garrafa tombada em ritmo lento e constante, manchando a lã clara com um vermelho vivo que lembrava sangue fresco, um símbolo apropriado para tudo que havia sido derramado entre eles.
— Meu Deus... Ian — sussurrou, sua voz desaparecendo em um sopro de horror genuíno enquanto se via incapaz de se mover, seus pés enraizados no mesmo chão que agora sustentava seu corpo inerte.
Finalmente rompendo a paralisia, ela se ajoelhou ao lado dele, suas mãos tremendo violentamente enquanto tocava seu rosto pálido. A pele estava fria e úmida de suor, seus traços outrora tão cheios de vida agora relaxados em uma máscara de inconsciência. O cheiro distinto do uísque caro que ele trouxera consigo misturava-se ao aroma enjoativo do vinho barato - a mesma garrafa genérica que ela comprava religiosamente todas as semanas na loja de conveniência da esquina, escondendo-a entre suas compras como um segredo sujo.
Não era para ele. Aquele vinho era seu ritual noturno, sua vergonha particular, seu segredo mais bem guardado. Há mais de um ano, ela meticulosamente misturava calmantes e ansiolíticos no vinho tinto, a única maneira de conseguir navegar através das noites intermináveis que se estendiam diante dela como um deserto de solidão. As substâncias que mantinham seus demônios afastados, que silenciavam as vozes em sua cabeça, agora ameaçavam levar Ian junto para as profundezas de sua própria escuridão.
— Por que você teve que beber? — ela murmurou, seus dedos percorrendo a linha forte de seu queixo com uma mistura de ternura e exasperação. — Sempre tão impulsivo, tão certo de que tudo gira em torno de você. Mesmo depois de todos esses anos, você ainda entra aqui como se fosse dono do lugar, como se fosse dono de mim.
Com um esforço que deixou seus músculos fracos tremendo de exaustão, ela o virou de costas, observando com alívio agonizante enquanto seu peito ainda subia e descia em um ritmo fraco mas constante. Alívio e pânico se entrelaçaram em seu peito, criando uma emoção complexa e contraditória. Ele estava vivo - isso era inegável - mas por quanto tempo? E o que aconteceria quando ele descobrisse exatamente o que havia naquela garrafa? A verdade seria pior que o veneno.
Agarrando-o firmemente pelas axilas, Carolina começou a arrastá-lo em direção ao quarto, seus pés arrastando-se no chão de madeira polida. Cada centímetro era uma batalha épica contra a física; ele era pesado, solidamente musculoso, um peso morto que testava cada grama de sua força limitada. Sua respiração saía em arfadas curtas e ofegantes enquanto lutava, as lágrimas de frustração e esforço misturando-se ao suor que escorria por suas têmporas.
— Por que você não me quis assim? — ela sussurrou entre dentes cerrados, puxando-o pelo corredor escuro como se estivesse arrastando não apenas um corpo, mas todo o peso de seu passado compartilhado. — Por que sempre ela? O que ela tem que eu nunca tive?
Quando finalmente o depositou na cama de dossel que dominava seu quarto, ela caiu de joelhos ao lado, ofegante e exausta. O cabelo escuro de Ian estava espalhado sobre o travesseiro de seda branca como uma coroa negra, seus traços afiados e angulares suavizados pela inconsciência que o envolvia. Naquela paz artificial, ele era o homem que ela conhecera anos atrás - antes de Olívia, antes das mentiras entrelaçadas, antes de Nicolau sistematicamente destruir tudo que eles poderiam ter sido juntos.
Desta vez seria diferente. Desta vez, ela engravidaria e manteria o bebê, custasse o que custasse. Nicolau estava morto e enterrado, Alexander era volátil e imprevisível, mas Ian... Ian ainda era a chave para tudo o que ela sempre quisera - segurança, status, legitimidade e, acima de tudo, vingança.
Deitando-se novamente ao lado dele, ela puxou as cobertas de seda sobre ambos, seu corpo nu pressionado contra o dele em uma intimidade não consentida. Suas mãos percorreram seu peito, seu abdomen, memorizando cada centímetro como um cartógrafo mapeando território conquistado.
— Você vai ser meu novamente, Ian Moretti — sussurrou em seu ouvido, seus lábios tocando levemente sua têmpora em um beijo fantasma. —Desta vez, não vou deixar você escapar. Desta vez, vou garantir que você fique.
O veneno em seu sangue agora era ambição pura, destilada em anos de rejeição e obsessão, e Carolina sabia que desta vez, jogaria muito melhor do que antes. Ela tinha toda a noite pela frente e talvez, se os comprimidos no vinho fizessem efeito por tempo suficiente, toda uma vida para executar seu plano. O jogo havia começado novamente, e desta vez, ela não pretendia perder.

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