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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 22

A atmosfera da sala parecia ter perdido o peso. Ou talvez, tivesse ganhado mais.

O som que veio depois da pergunta de Léo não foi exatamente silêncio. Foi um esvaziamento. Como se todos os móveis tivessem sido retirados da sala, deixando apenas a tensão no lugar.

A voz de Léo, pequena e pura, ecoava na cabeça de Olivia como se o tempo tivesse desacelerado. “Você que é o meu pai?”

Clara parou de respirar por um segundo, mas se recompôs com um sorriso que não chegava nos olhos.

Benjamin ficou estático por um segundo. Apenas um segundo. E foi o suficiente para que Olivia percebesse que ele não esperava aquela pergunta, mas também não se incomodava com o fato de tê-la acontecido.

Clara finalmente se mexeu. Jogou a cabeça para trás, soltando uma risada breve que soou tão falsa quanto o diamante na sua orelha.

— Oh, querido... — disse ela, rindo baixo, e abaixando-se para ficar na altura de Leo.

Sua voz melosa era puro veneno, quase como quem tenta distrair uma criança de um brinquedo perigoso para atraí-lo para uma armadilha ainda maior.

— Você é muito engraçado. Mas claro que não! O tio Benjamin só é... — ela hesitou, procurando uma palavra que não comprometesse — …amigo da sua mamãe.

Benjamin ao lado, que havia travado num primeiro instante, já havia se recomposto como um ator experiente que era.

— Amigo. — repetiu Benjamin, lentamente, como se degustasse a palavra.

O sorriso dele, enviesado, não era de quem queria acalmar. Era de quem tinha acabado de encontrar uma arma nova. Olivia rapidamente apressa os passos, indo em direção ao filho.

No mesmo momento, Benjamin relaxou os ombros, inclinou-se para frente e soltou:

— Mas... Você acha mesmo que eu poderia ser seu pai, garoto? — disse, com uma suavidade calculada, olhando para Olívia quando ela se aproximou. — E se eu fosse, você gostaria?

Olívia sentiu o corpo congelar. Não pela pergunta, mas pelo olhar. Era um jogo… e Benjamin sabia jogar sujo.

Seu coração bateu uma vez, forte, e depois veio a segunda, mais rápida, como se o corpo tentasse reagir antes da mente.

— Léo, querido, vem cá. — a voz de Olivia cortou a sala. Não era alta, mas carregava um fio de aço que só uma mãe desesperada saber usar. Naquele momento, Olívia só sonhou em levá-lo para longe. De tudo. De todos.

Ela se abaixou, segurando as mãos dele, ignorando completamente Benjamin e o guiou para longe, antes que qualquer outra palavra pudesse ser dita.

— Já está tarde, e você deveria estar na cama. Amanhã é um dia importante, lembra? Vamos subir. — Sua voz soou firme, mas por dentro era puro tremor.

Enquanto subiam a escada, Leo ainda olhou para trás. Benjamin levantou uma sobrancelha, como se dissesse que a conversa não acabou.

No corredor, Olivia se agachou diante. O menino ainda parecia hesitante, olhou para escadas e depois para a mãe, sem entender.

— Mas… — ele começou.

—Não ouça tudo o que dizem, meu amor. Algumas pessoas... gostam de inventar coisas. — ela forçou um sorriso. — Além do mais, você sabe que eu nunca deixaria ninguém confundir você, certo?

Ele assentiu, mas o olhar curioso permanecia. Curioso... e inquieto.

— Agora, a mamãe vai buscar um cookie para você, o que acha?

Ele sorriu largamente. No hospital, não poderia comer nada do que ele mais gostava. Agora, com aquele sorriso, vê-lo feliz era tudo para ela.

— Você me espera no quarto e não saia até eu chegar. Você entendeu, Leo? — Ela não aumentou o tom, mas deixou nele um peso que o filho reconheceu. E ele, obediente, seguiu para o quarto.

Quando Olívia voltou para sala, seu corpo estava tenso, ombros rígidos, cada respiração sendo medida para não explodir.

Benjamin e Clara ainda estavam lá. Ela, sentada no braço do sofá, como uma gata observando a briga de dois cães.

— Você perdeu completamente o juízo? — Olivia rosnou quando se aproximou dele, mantendo o tom baixo para não ecoar pela mansão. — Nunca mais… — disse em um tom baixo, quase um sussurro ameaçador — …diga algo assim perto do meu filho.

Benjamin riu. Um riso breve, de canto de boca.

Quando Olívia saiu daquela relação, estava completamente machucada. Foi preciso toda sua força só para levantar a cada dia. Tudo que ela fazia era pensar sobre os sentimentos que escondia. Sentar calada, esperando por um sinal que diria que tudo iria ficar bem. Daria pra escrever um livro se ela fosse contar tudo que passou durante todo seu processo de cura.

Mas ela se curou e agora que as marcas de um amor cruel já haviam cicatrizado, ela não tremia sob seu olhar. Não mais.

— Eu? — ele abriu os braços, fingindo inocência. — Eu só respondi a uma pergunta de uma criança.

— Que pergunta?

Benjamin inclinou a cabeça, os olhos pregados em Olivia.

— Leo me perguntou se eu era o pai dele.

O silêncio que se seguiu não foi de choque. Foi de cálculo. Mas Olivia percebeu que ele absorvia cada sílaba.

Ian não reagiu com palavras. Nem com o rosto. Não piscou. Não deu um passo.

Mas o olhar ficou fixo em Olívia por um segundo a mais do que deveria. E naquele segundo, algo se moveu por dentro dele. Algo que ele não queria reconhecer.

— E você respondeu o quê? — Ian perguntou, a voz baixa.

— Que era uma possibilidade. — Benjamin não desviou o olhar. Era um duelo silencioso entre eles.

Olivia bufou, indignada.

— Isso é mentira. E você sabe disso.

Ian se virou para ela.

— Ele realmente sabe disso?

Ela não respondeu. Não ali. Não com Clara sorrindo feito cobra prestes a dar o bote. Tudo aquilo era delicado, mas Olívia faria o seu melhor para parecer ser inabalável.

Nicolau, que havia assistido todo aquele espetáculo, finalmente falou:

— Ian. — disse apenas. — Preciso falar com você. Agora.

O tom não deixava espaço para recusa. Ian lançou um último olhar a Olívia, ele sabia que que por agora não havia nada a ser dito. Mas com aquele último olhar... ela sentiu que havia mais nele do que ela queria admitir.

O que Nicolau decidiria agora? Será que logo no primeiro dia, tudo já havia sido arruinado?

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