A chave mal girou na fechadura, com aquele som áspero e cansado de metal desgastado, e Olívia já sentia cada músculo do corpo gritar por clemência. O peso do dia parecia ter se infiltrado em seus ossos, uma fadiga que ia além do físico; era o cansaço da alma que há muito tentava se recompor sobre alicerces trincados.
O dia havia sido uma maratona de humilhações silenciosas. Ela percorrera a cidade como uma sombra, de um lado para o outro entre prédios impessoais de escritórios, agências de emprego com ar condicionado gelado e entrevistas improvisadas em mesas de reunião que cheiravam a desinfetante e falsa promessa. Em todos os lugares, os mesmos olhares: primeiro curiosos, depois calculistas, sempre desconfiados. Todos os recrutadores pareciam reconhecer seu rosto, ou talvez apenas o eco do sobrenome que ela carregara, ainda que por poucos dias. Mas isso bastava.
— Ah, a Sra. Olívia... você tem experiência significativa com os Moretti, não é?
A frase vinha sempre acompanhada de um sorriso profissional, tão polido quanto vazio, e logo em seguida, o inevitável:
— Seu currículo é excelente. Vamos analisar e entramos em contato.
Ninguém entrou. O silêncio que se seguia era mais estridente que qualquer rejeição.
Quando finalmente cruzou a soleira de seu apartamento, o sol já se punha, tingindo as paredes vazias de tons alaranjados e roxos que deveriam ser bonitos, mas que só acentuavam a solidão. O silêncio era diferente, mais agudo, mais pessoal, porque era a primeira noite em que Léo dormia longe dela. A primeira noite em anos que seu apartamento não era embalado pela respiração suave do filho.
A dor de deixá-lo com Ian havia sido uma faca afiada e paradoxalmente doce. Ela confiava em Ian com a vida de Léo — o instinto paternal dele era genuíno, inegável —, mas já não era capaz de confiar nele com os pedaços quebrados de seu próprio coração. Era um reconhecimento doloroso: o homem que fora seu porto seguro também era a tempestade que a deixara à deriva.
Ela largou a bolsa pesada no chão com um baque surdo, os sapatos foram chutados para o canto, e a casa vazia devolveu cada pequeno ruído como um eco solitário. Em poucos dias, nem mesmo aquele refúgio precário ela teria mais. A hipoteca estava atrasada há meses, uma espada sobre sua cabeça. As suas economias haviam secado como um rio em época de seca. E o salário dela — sua independência, sua identidade — desaparecera junto com o emprego que ela abriu mão nas indústrias Moretti.
E a única saída que conseguia enxergar era empacotar seus fracassos e partir para outra cidade. De novo. Fugir. De novo. A história se repetindo, um refrão cansado de sua vida.
— Meu Deus… — o sussurro escapou de seus lábios rachados enquanto ela pressionava as palmas das mãos contra as pálpebras fechadas, como se pudesse empurrar as lágrimas de volta para onde haviam vindo.
Por um instante de fraqueza visceral, seus dedos tremeram sobre a tela do celular, quase discando o número dos pais. Quase. Mas então veio a memória, nítida e cortante como vidro: o silêncio deles durante o divórcio, não um silêncio de apoio, mas de julgamento. A forma como a culparam por "ter abandonado Benjamin". O modo como nunca perguntaram por ela, apenas pelo escândalo. Como a rejeitaram antes mesmo que ela tivesse a chance de se rejeitar.
Não.
Ela estava completamente sozinha. A solidão era uma casa vazia dentro de outra casa vazia.
No armário da cozinha, a garrafa de vinho tinto a chamou, um véu prometido de esquecimento. Ela a pegou, dispensando a cerimônia de uma taça, e levou o gargalo diretamente aos lábios. O primeiro gole foi ácido, queimando suavemente a garganta. O segundo, mais suave. O terceiro... até que sentiu o corpo ceder ligeiramente, não mais leve, mas entorpecido, como se estivesse envolta em algodão. Um anestésico barato para uma dor de luxo.
Um banho quente veio a seguir, o vapor enevoado encobrindo o rosto no espelho embaçado. Ela esfregou a pele até ficar rosada, tentando lavar não apenas a sujeira da cidade, mas a sensação pegajosa de fracasso, o medo constante, a exaustão que a consumia por dentro. Saiu do banheiro envolta em uma toalha que cheirava a amaciante genérico, os cabelos molhados escorrendo água fria em seus ombros, e caminhou em direção à cama desfeita, seu santuário de sonhos interrompidos.
Foi então que o celular tocou.
O som, estridente e invasivo, fez seu corpo inteiro congelar no lugar.
IAN.
O nome queimava na tela, um farol em sua névoa.
Seu coração deu um salto violento contra as costelas, um reflexo condicionado pela história, pelo amor, pela dor. Sem pensar, com os dedos ainda úmidos, ela atendeu.
Lá estava ele.
Ian.
Apenas um homem, parado sob a luz amarela e trêmula do poste na calçada, do lado de fora de sua casa simples. Seu rosto estava marcado, esculpido por algo que ela nunca testemunhara antes em seus olhos negros.
Era medo. Era dor crua. Era desejo desesperado. Era o desespero de um homem que havia alcançado o fim de sua própria corda.
Os olhos de Ian encontraram os dela através da escuridão, e tudo dentro dela congelou — e então, num instante, incendiou-se, uma combustão espontânea de memórias, de amor não resolvido, de uma conexão que teimava em não morrer.
— Ian… — seu nome saiu de seus lábios como um sussurro rouco, o ar faltando em seus pulmões.
Não houve aviso. Nenhum pedido de permissão. Nenhum espaço para o pensamento racional, para as dúvidas, para os anos de mágoa acumulada.
Ele avançou.
Seus passos foram determinados, consumindo a distância entre eles em dois movimentos largos. Sua mão, grande e quente, ergueu-se para envolver seu rosto com uma força que não era violenta, mas profundamente necessitada, urgente. Seu corpo, sólido e familiar, colidiu com o dela, não como um impacto, mas como um fechamento, um ímã finalmente se realinhando após anos fora de polaridade.
E Ian Moretti — o homem que controlava impérios, mas nunca conseguira controlar o turbilhão que ela despertava em sua alma — a beijou.

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