O mundo desabou no sabor dele.
Quando os lábios de Ian a encontraram, não foi um beijo—foi um terremoto. Um tremor que partiu de algum lugar profundo dentro dela, daquele lugar adormecido que só ele sabia encontrar. O gosto do vinho em sua língua se misturou ao sabor dele, salgado, familiar, dele. E algo dentro de Olívia estilhaçou.
Um gemido baixo, rouco, rasgou-se de sua garganta. Suas mãos, que um segundo antes estavam imóveis ao lado do corpo, subiram para se agarrar aos ombros dele, às costas, aos cabelos, puxando-o com mais força contra si, como se temesse que ele fosse uma miragem. A racionalidade, os avisos, os anos de dor—tudo se dissolveu no calor daquele beijo. Ela estava bêbada. Bêbada de vinho barato, sim, mas muito mais bêbada de Ian. Da sensação dele, do cheiro dele, do desespero cru que emanava de seu corpo.
Ele a devorava. Suas mãos deixaram seu rosto e percorreram seu corpo com uma urgência selvagem, uma palma quente se fechando em torno de sua cintura através do tecido fino da camisola, puxando-a tão perto que ela sentiu cada linha dura de seu corpo contra a sua maciez. A língua dele invadiu sua boca, uma dança possessiva e familiar que ela lembrava em cada célula. Era uma reconquista. Uma afirmação.
— Olívia... — ele rosnou contra sua boca, o nome saindo como uma maldição e uma prece.
Ela não respondeu com palavras. Sua resposta foi arquear o corpo contra o dele, um movimento instintivo e primal que fez ele gemer profundamente. Suas mãos deslizaram para baixo, agarrando suas nádegas, levantando-a levemente do chão. Ela envolveu as pernas em torno de sua cintura, ancorando-se nele, seu centro pressionado contra a rigidez evidente através de suas calças. O atrito era uma tortura doce, uma promessa.
— Dentro — ela ofegou, quebrando o beijo por um segundo, sua testa encostada na dele, a respiração um caço. — Ian, por favor... dentro.
Ele não precisou que dissesse duas vezes. Com um movimento fluido, carregando-a como se não pesasse nada, ele a levou em direção ao carro. A porta do passageiro foi aberta com um movimento brusco de seu braço livre. Ele a depositou no assento de couro, seu corpo grande preenchendo o espaço da porta, bloqueando a visão do mundo exterior.
O interior do carro cheirava a couro caro e a ele. O ar estava carregado, elétrico. A luz fraca do poste entrava pela janela, iluminando ângulos de seus rostos, os olhos escuros de desejo.
— Eu preciso de você — ele confessou, sua voz um rugido baixo enquanto suas mãos encontraram a barra da camisola. — Deus, como eu preciso.
Ele puxou o tecido para cima e ela o ajudou, arrancando-o sobre a cabeça e jogando-o em algum lugar no banco de trás. Ficou ali, ofegante, apenas de calcinha, sua pele arrepiada no ar noturno. Os olhos de Ian percorreram seu corpo na penumbra, e a admiração crua neles foi como um toque físico.
— Tão linda — ele sussurrou, rouco. — Sempre tão maldita e perfeitamente linda.
Suas mãos, grandes e quentes, fecharam-se em torno de seus seios, seus polegares esfregando os mamilos endurecidos. Ela arqueou as costas, um gemido escapando de seus lábios.
— Tira... tira isso, Ian — ela suplicou, suas próprias mãos indo até o cinto dele, os dedos trêmulos e desajeitados tentando abrir a fivela.
Ele a ajudou, despindo-se com uma eficiência frenética. Roupas foram jogadas no chão do carro, uma pilha caótica de algodão, seda e couro. Quando ele finalmente entrou nela, foi com um único, profundo e devastador movimento que fez os dois gritarem ao mesmo tempo.
Era como voltar para casa. Um encaixe perfeito e primordial que seu corpo reconheceu instantaneamente. Um suspiro de alívio, de completude, saiu dos lábios de Olívia.
— Ian... — ela chorou, suas unhas cravando-se em suas costas.
— Nunca — ele rosnou perto de seu ouvido, sua respiração quente e ofegante. — Você é minha. Sempre foi.
Era uma afirmação possessiva, a mesma que outrora a enfurecera, mas agora, naquele contexto de corpos suados e almas expostas, soava como uma verdade fundamental. Ela era dele. E ele era dela. Aquele era o acordo original, o verdadeiro contrato proibido que haviam assinado com a pele, muito antes de o mundo interferir.
A tensão dentro dela cresceu, uma espiral apertada de prazer puro e emoção crua. Ela podia sentir a própria iminência, um tremor começando bem no seu centro, irradiando para fora.
— Eu vou... Ian, eu vou...
— Eu também — ele gemeu, seu ritmo se tornando irregular, frenético. — Junto. Vamos juntos.
Ele a beijou novamente, um beijo profundo e desesperado, e foi o gatilho. A onda quebrou sobre Olívia com uma força avassaladora, um tremor convulsivo que a fechou em torno dele, seu grito abafado contra sua boca. Ele gemeu profundamente, seu próprio corpo estremecendo em uma liberação poderosa, e ela sentiu o calor dele preenchê-la, a marca final de sua posse.
Olívia fechou os olhos, as lágrimas que ela havia contido por tanto tempo finalmente escorrendo silenciosamente, misturando-se ao suor em seu rosto. Ela não disse nada. Apenas passou os dedos pelos cabelos molhados dele, seu corpo ainda pulsando com os ecos do que haviam compartilhado.
A tempestade havia passado. O que sobraria depois que a névoa do desejo e do vinho se dissipasse, ela não sabia. Mas por enquanto, naquele carro, naquela rua escura, eles estavam intactos. Eles eram um. E, pela primeira vez, isso parecia o suficiente.

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