O mármore do banheiro estava gelado sob suas palmas. Olívia se inclinava sobre a pia, os olhos fechados com força, como se pudesse espremer a verdade de dentro do próprio crânio.
Não estou grávida.
O mantra soava oco, mesmo em seus pensamentos. Uma afirmação frágil contra a tempestade de sintomas que a assolavam. Seus dedos se apertavam contra a superfície lisa até doerem, buscando uma âncora em meio ao turbilhão.
É psicológico. Só pode ser. Tem que ser.
Ela forçou os pulmões a puxarem ar, um exercício doloroso. A mente, embotada pelo cansaço e pelo vinho, tentou fazer contas.
Dias? Quantos desde a última vez? A última vez com Ian, naquela noite de entrega e desejo naquele mesmo quarto, o ar ao redor embaçado pelo calor de seus corpos...
Um alívio pálido e trêmulo lavou-a por dentro quando a conta fechou. Nem mesmo atrasada estava. Era fisicamente impossível. Seu corpo, traiçoeiro, estava apenas em revolta. Uma revolta contra o vinho tomado de estômago vazio, contra as emoções estranguladas por tanto tempo, contra o sexo intenso e catártico, contra a pergunta de Ian que ainda pairava no ar como uma espada.
Ela estava apenas... esgotada. Amedrontada. Seu próprio organismo se voltava contra ela, gritando o que sua mente se recusava a aceitar.
A torneira jorrou água fria. Ela respingou o rosto, gotas escorrendo por seu pescoço como lágrimas que não ousava chorar. O choque térmico trouxe um vislumbre de clareza, um frágil controle.
A escova de dentes deslizou sobre o esmalte em movimentos automáticos. Mas quando foi guardá-la, parou. Ela finalmente percebeu. A escova de cerdas macias, cor de rosa choque. A dela. Ainda no porta-escovas de mármore ao lado da pia de Ian.
Olívia ficou imóvel, um nó de emoção não identificada apertando-lhe o estômago. Por que aquilo a afetava tanto? Era apenas uma escova. E, no entanto, doía. Doía com uma intensidade que a pegou de surpresa. Era a prova física de que um fragmento seu, por menor que fosse, permanecia ali. Enraizado. Como se uma parte de Ian, mesmo em sua ausência, se recusasse a relinquir sua posse sobre ela, a permitir que ela partisse completamente.
Ela engoliu seco, afastando a implicação absurda e perigosa.
Não significa nada. São só objetos. Ele provavelmente nem notou. Não pode significar nada.
Com um suspiro profundo que parecia vir dos seus pés, ela secou o rosto e abriu a porta.
E ele estava lá. Ian. Sua mão grande e familiar erguida, os nós dos dedos prestes a bater na madeira. Ele parou no meio do movimento, seu corpo imponente preenchendo o vão da porta. Seus olhos percorreram-na num instante, de cima a baixo, com uma precisão quase clínica, buscando sinais de fraqueza, de desmaio, de qualquer vestígio da crise que ouvira do lado de fora.
— Você está melhor? — a voz dele era baixa, contida.
Olívia forçou os lábios a se curvarem.
—Sim. Estou. Foi só... o vinho. E o dia. Foi um dia muito longo.
Ela viu a descrença estampada em seu rosto antes mesmo de ele falar. Estava no maxilar rígido, no pequeno sulco que se formava entre suas sobrancelhas escuras quando ele duvidava de algo. Mas, para sua surpresa, ele não a desafiou. Não a pressionou. Apenas acenou com a cabeça, um gesto curto que a deixou mais desconcertada do que um interrogatório faria.
— Léo está dormindo bem — ele disse, a voz um pouco mais suave. — Eu... ia te chamar. Para descer.
Ela assentiu, sem confiar na própria voz para responder.
Ele a conduziu pelo corredor iluminado apenas pelos abajures de parede, que lançavam poças de luz dourada no mármore escuro.
Ao entrar na cozinha, o cheiro a atingiu como uma onda física, fazendo seu estômago vazio se contrair em uma mistura de fome e emoção.
Era quente. Reconfortante. Terrivelmente familiar.
Sopa. O aroma rico de legumes e frango, com a nota terrosa do cominho e um toque de limão que ele sempre acrescentava no final, um segredo culinário que ela pensara ter esquecido.
Seu peito apertou, uma pontada de saudade tão aguda que quase a fez recuar.
— Você... cozinhou — ela disse, a voz saindo mais suave do que pretendia.
Ian encolheu os ombros, um movimento despretensioso que não combinava com a intensidade do momento.
Olívia respirou lenta e profundamente, apoiando a colher na mesa com um clique suave.
—Ela disse... — sua voz quase falhou, mas ela forçou-se a continuar — ...que a morte de Diana... não foi um acidente. Que teve o envolvimento do seu avô.
Ian congelou. Não era apenas uma pausa; era uma paralisia total. Sua respiração pareceu parar. O silêncio que desceu sobre a cozinha era espesso e pesado como fumaça, sufocante.
E, num sussurro ainda mais baixo, carregado de um arrependimento que ela nem mesmo entendia completamente, Olívia acrescentou a peça final:
—E... do Benjamin.
Foi então que...
CRAC.
Um estalo. Seco. Metálico. Veio da direção da despensa, uma área mergulhada na penumbra no canto da cozinha.
Não era o som de uma casa antiga se acomodando. Não era o tilintar de um utensílio. Era um ruído deliberado. Um erro.
Os dois se viraram para o som ao mesmo tempo, seus corpos ficando em alerta.
Algo — ou alguém — estava ali. Na cozinha com eles. Nas sombras.
A porta entreaberta da despensa se moveu. Uma sombra destacou-se das outras, um vulto escuro contra o fundo ainda mais escuro.
Ian levantou-se tão rápido que sua cadeira de madeira foi lançada para trás, raspando e rangendo contra o piso de cerâmica com um ruído que cortou o silêncio como um grito.
A respiração de Olívia travou em sua garganta, seu coração batendo violentamente contra suas costelas.

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