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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 231

O primeiro som que Ian ouviu não foi externo. Foi o martelar selvagem de seu próprio coração, batendo contra as paredes de seu peito como um animal enjaulado.

Seus dedos, frios e certeiros, encontraram o celular. Ele discou o único número que importava naquele momento.

— Matheus. — O nome saiu como um comando, um rugido baixo e gutural. — Cozinha. Agora.

Não houve "alô", não houve perguntas. Do outro lado da linha, apenas o som de movimento imediato. Matheus conhecia aquele tom. Era o tom que precedia o caos.

Segundos depois, passos firmes e acelerados ecoaram pelo corredor de mármore. Matheus surgiu na porta, sua silhueta imponente bloqueando a luz do hall. Sua respiração estava controlada, mas seus olhos, afiados como os de um falcão, varreram a cena em um instante — Ian, tenso como um fio de aço; Olívia, pálida e tremendo levemente. Ele não precisou de um relatório. A verdade estava estampada no ar eletrizado.

Foi então que Olívia testemunhou a transformação. Com uma naturalidade que a perturbou profundamente, Matheus puxou a coldre sob o paletó e armou a pistola. O som metálico e seco do ferrolho sendo puxado ecoou na cozinha silenciosa como um trovão.

O estômago de Olívia se contraiu violentamente.

—Meu Deus… — o sussurro escapou de seus lábios, um reflexo de um mundo que ela nunca escolheu habitar.

Ian nem sequer pestanejou. Sua mandíbula estava uma pedra, seus olhos, duas brasas negras.

—Sobe. Para o quarto. Agora. — A ordem foi direcionada a Olívia, cortante e absoluta.

Ela balançou a cabeça, um movimento teimoso e desesperado.

—Não. Não vou. Ian, isso não vai me afastar daqui. Eu não vou deixar você enfrentar isso sozinho...

— Olívia. — Ele deu um passo à frente, fechando a distância. Seu olhar era implacável, carregado de uma fúria gelada e protetora que a fez recuar instintivamente. — Eu não posso pensar, não posso me mover, não posso respirar direito sabendo que você está em perigo. Você sobe. Agora.

— Eu não preciso da sua proteção! — ela explodiu, a voz carregada de medo e frustração.

— Precisa, sim! — a voz dele não foi um grito, foi uma explosão contida, um vulcão de emoção reprimida que estilhaçou o ar entre eles. Cada palavra foi cuspida com uma intensidade devastadora. — Porque se algo acontecer com você, Olívia, é comigo que vai ficar. É a minha alma que vai carregar o peso. Então, por favor… — sua voz quebrou, revelando a fenda na armadura — ...fica onde eu posso te encontrar. Onde eu sei que você está segura. Não se mexe. Entendeu?

O ultimato, carregado de um desespero que ela raramente via nele, a silenciou. Ela apertou os lábios, sentindo as lágrimas de raiva e impotência queimando seus olhos. Finalmente, com um suspiro trêmulo, ela cedeu.

— Fico. — a palavra saiu como uma rendição. — Mas não vou subir. Não vou ficar trancada em um quarto como uma prisioneira.

Ian hesitou. Ele podia forçá-la. Cada fibra de seu ser, moldada pelo controle, gritava para ele fazê-lo. Mas então ele viu o tremor em suas mãos, a determinação misturada com o pavor em seus olhos. E, pela primeira vez naquela noite, ele recuou.

— Está bem. — a concordância saiu rouca. — Então fica. Aqui. — Ele apontou para o chão ao seu lado. — Não saia do meu campo de visão. Nem por um segundo.

Antes que ela pudesse responder, sua mão se ergueu. Seus dedos tocaram a lateral de seu rosto em um gesto rápido, quase furtivo — um toque de calor em meio ao gelo, uma marca de posse e preocupação tão intensa que ela quase cedeu. E então, ele se virou.

E sumiu na escuridão da mansão com Matheus, dois lobos entrando na floresta.

A operação começou com uma eficiência assustadora. Matheus sussurrou em seu rádio de pulso e, como fantasmas respondendo a um chamado, três seguranças de confiança emergiram das sombras externas.

— Varram a casa toda — a voz de Ian era o aço temperado do CEO, do herdeiro, do homem para quem a mansão era um reino. — Comecem pelos pontos cegos. Coberturas, despensas, os corredores de serviço. Agora.

Eles se dividiram, um esquadrão silencioso movendo-se pela geometria familiar da mansão. O silêncio que se seguiu era antinatural, como se a própria casa estivesse segurando a respiração.

Cômodo por cômodo, eles caçavam um fantasma.

Sala de jantar — apenas a mobília pesada e o brilho da prataria.

Biblioteca— o cheiro de livros antigos e o vazio.

Salão inferior— sombras dançando sob a luz fraca, mas nenhuma humana.

Corredores— um labirinto de portas fechadas e segredos.

Olívia fechou os olhos por um momento, um breve suspiro de alívio relativo escapando de seus lábios. O perigo imediato talvez tivesse passado. Seu corpo, finalmente, começou a ceder ligeiramente, os ombros relaxando uma fração de polegada.

Foi então que Matheus, que permanecera em silêncio observando a troca, quebrou o momento. Seus olhos pousaram em Olívia, e um sorriso leve, quase imperceptível, tocou seus lábios. Não era um sorriso de alegria, mas algo mais complexo — uma expressão de cumplicidade antiga, tingida de uma malícia gentil.

— Então... — ele começou, apoiando as mãos nos quadris, seu olhar alternando entre Ian e Olívia. — Você voltou?

A pergunta pairou no ar como a lâmina de uma guilhotina.

Simples.

Direta.

Devastadora.

Olívia piscou, como se tivesse levado um golpe físico. Toda a sua vulnerabilidade, toda a confusão, toda a indecisão foram expostas naquele único momento. Ela estava ali, na casa do homem que a destruíra e que agora a protegia com unhas e dentes. O que aquilo significava?

Ian congelou.

Ele não estava respirando.

O medo era palpável nele. Um medo cru e primitivo de perder a única coisa que ainda fazia seu mundo complicado valer a pena.

— Olívia...? — o nome saiu de seus lábios em um sussurro quebrado, quase inaudível, uma prece lançada no abismo de sua própria incerteza.

E ela olhou para os dois homens. Para Matheus, cujo sorriso gentil ainda pairava, esperando uma resposta que era ao mesmo tempo uma piada interna e uma pergunta genuína. E para Ian... Ian, cujos olhos estavam fixos nela, cheios de um pânico nu, de uma esperança frágil como vidro, e de um desespero que a assustou mais do que qualquer sombra na mansão.

A boca de Olívia se abriu.

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