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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 234

A sala de audiências ficou imóvel após a declaração de Ian. Um silêncio pesado, quase sagrado, desceu sobre o tribunal, como se o próprio ar precisasse se recompor depois de testemunhar um Moretti renunciar publicamente a seu legado.

O juiz pigarreou, tentando recuperar a solenidade do momento.

—Senhor Ian Moretti... já que interferiu no depoimento da testemunha, o tribunal solicita que o senhor venha à frente para prestar seu depoimento.

Ian assentiu com a cabeça. Seu rosto estava uma máscara de compostura, mas seus olhos — ah, seus olhos — estavam devastados. Ele caminhou até o centro do tribunal sob o peso de centenas de olhares. Um Moretti exposto. Desarmado. Vulnerável.

Ele ergueu a mão direita, prestou juramento, e então...

O mundo desabou.

— Senhor Moretti — o procurador iniciou, sua voz ecoando na sala silenciosa —, é verdade que o senhor está conduzindo uma investigação particular paralela à oficial?

Ian respirou fundo, como um homem se preparando para um salto no escuro.

—Sim.

Um burburinho eletrizado varreu a plateia, mas um gesto severo do juiz restaurou o silêncio.

— Proceda com a explicação.

Ian olhou para o chão, como se buscasse as palavras nas profundezas de sua alma.

—Nos últimos dias... documentos foram encontrados no cofre particular de Nicolau Moretti. Documentos que estavam ocultos. Documentos que... não deveriam existir.

O procurador inclinou-se para frente, seu interesse evidente.

—Que tipo de documentos?

Ian ergueu o olhar — agora duro, sombrio, transformado.

—Transferências bancárias. Quantias vultosas. Enviadas para uma conta registrada em uma cidade do interior... — Ele fez uma pausa dramática. — A mesma cidade onde minha mãe, Diana Moretti, foi encontrada morta.

Uma onda de choque palpável percorreu o tribunal.

— E também foram encontradas transferências para outra conta — Ian continuou, sua voz carregando um tom amargo.

— De quem? — o procurador insistiu.

Ian hesitou, como se a palavra queimasse sua língua.

—Benjamin.

O murmúrio que se seguiu foi impossível de conter.

— O sobrinho do senhor?

— Ele não é minha família — a voz de Ian saiu baixa, mas incisiva. — Nunca foi. Mas sim. O homem com quem fui criado, que viveu sob o mesmo teto por anos, recebia pagamentos secretos de Nicolau... após a morte de minha mãe.

— O que isso sugere, senhor Moretti?

Ele fechou os olhos brevemente, como se se protegesse da verdade que era forçado a enunciar.

—Sugere que minha mãe não morreu sozinha. Que não foi um simples assalto. Sugere que houve alguém presente. Que houve... envolvimento direto.

— O senhor está afirmando que seu avô participou da morte de Diana Moretti?

Ian abriu os olhos. Havia uma dor profunda neles, e algo ainda pior: a resignação.

—Estou afirmando que ainda não posso provar criminalmente. Mas as evidências... todas apontam nessa direção.

— E Benjamin?

Ian engoliu em seco, seu maxilar tensionado.

—Benjamin foi visto pela última vez após o velório de Nicolau. E desde então... desapareceu.

O juiz inclinou-se para frente, sua expressão grave.

—Senhor Moretti, isso altera completamente o curso deste processo.

—Eu sei — Ian respondeu, sua voz carregada de fadiga. — E sei também que não haverá resolução hoje.

Era verdade. O julgamento estava longe do fim. As raízes daquela tragédia eram profundas, sombrias, e ainda guardavam segredos por desvendar.

Mas quando Ian deixou a tribuna, ele já não era mais o mesmo homem que nela subira. E todos na sala perceberam essa transformação.

A audiência foi encerrada. O público dispersou-se em murmúrios excitados. Repórteres aglomeraram-se como abutres à espera de sua presa.

Era de vida renascendo.

Ian segurou o rosto dela com ambas as mãos, como se temesse que ela fosse uma miragem que se desfaria. Como se aquele beijo fosse o primeiro fio de esperança em semanas, talvez em anos.

Quando finalmente se separaram, ofegantes, Olíva tocou seu rosto com uma ternura desesperada.

—Eu precisava fazer isso.

— Eu também... — Ian sussurrou, sua voz rouca pela emoção. — Meu Deus, eu também.

Foi então que ela percebeu:

Ele estava chorando.

Pela primeira vez.

Diante dela.

Sem qualquer defesa.

Olívia o envolveu em um abraço.

E Ian, o homem que carregara o peso de um império decadente, finalmente permitiu-se desabar em seu abraço.

O julgamento não terminara.

As batalhas legais ainda estavam por vir.

Mas algo entre eles...

Tinha começado.

De novo.

De uma maneira completamente nova.

Olíva encostou a testa na dele e sussurrou as palavras que ele jamais imaginaria ouvir:

— Eu voltei, Ian.

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