Na manhã seguinte, o beijo ecoava em todas as esferas. As manchetes gritavam nas bancas de jornal e pulsavam nas telas dos celulares:
"O REENCONTRO PROIBIDO: IAN MORETTI E OLÍVIA BELMONTE SE BEIJAM EM FRENTE AO TRIBUNAL"
"CASAL SE REÚNE EM MEIO A INVESTIGAÇÃO DE MORTE E HERANÇA"
"MÃE DO FILHO SECRETO DE IAN MORETTI É FINALMENTE RECONQUISTADA?"
"A EX-MORETTI ESTÁ DE VOLTA NA MANSÃO?"
Fotografias, vídeos virais, análises especializadas e teorias conspiratórias inundavam as redes sociais. Influenciadores debatiam, colunistas sociais especulavam, o público se dividia entre românticos e céticos. O beijo transformara-se em um fenômeno midiático internacional.
Alexander observava as manchetes em seu tablet antes mesmo do amanhecer. Quando Clara despertou, ainda envolta em sonhos, encontrou dezenas de notificações urgentes em seu celular. Ao pegar o aparelho, seu rosto ainda marcado pelo sono transformou-se em uma máscara de horror.
— Não — sussurrou, seus dedos tremendo sobre a tela. — Não, não, não...
As imagens do beijo repetiam-se em loop diante de seus olhos — Ian e Olívia entrelaçados, a paixão explícita, a entrega pública. Clara sentiu uma náusea súbita, seu coração acelerando em um ritmo perigoso.
— ISSO NÃO É POSSÍVEL! — gritou, arremessando o telefone contra a parede com força total.
O estrondo trouxe Alexander à sala. Ele apareceu na porta, descalço, com os cabelos despenteados e a camisa aberta. Seu olhar percorreu o celular destruído sem demonstrar surpresa.
— Imagino que tenha visto as notícias — comentou, sua voz serena contrastando com o caos emocional de Clara.
— Vi? EU VI? — ela vociferou, caminhando em círculos como uma tigresa enjaulada. — Passei MESES tentando destruir aquela mulher, e ela... ela...
— Voltou — completou Alexander, com uma calma que beirava a indiferença.
Clara bateu o punho na mesa de mármore.
—Isso estraga tudo! Ela deveria ter fugido desta cidade maldita! Todo o meu trabalho foi em vão!
Alexander ergueu uma sobrancelha, estudando-a com interesse clínico.
—Nada foi em vão.
Clara fixou nele um olhar penetrante.
—O que você quer dizer com isso?
Ele caminhou até a janela panorâmica, abrindo as cortinas para permitir que a luz matinal invadisse o ambiente.
— Quero dizer que tudo está se desenrolando exatamente conforme planejei.
A raiva de Clara transformou-se em perplexidade.
—Como pode dizer isso? Desde quando você "planejava" a reconciliação deles?
Alexander voltou-se e, com movimentos deliberados, retirou do bolso uma fotografia impressa. Deslizou-a sobre o balcão de vidro.
Clara aproximou-se, sua curiosidade superando temporariamente a fúria. A imagem mostrava Olívia e Ian na cozinha da mansão, capturados em um momento íntimo através da janela.
Seus olhos arregalaram-se.
—Como você conseguiu isso?
— Ela voltou — sussurrou, sua voz um fio de loucura. — Ela voltou. ELA VOLTOU PRA ELE!
Seu grito ecoou pelo apartamento vazio enquanto arremessava o telefone contra o sofá.
Carolina enterrou os dedos nos cabelos, puxando-os com força. Seu rosto estava deformado pela fúria, pelas lágrimas e por um ciúme que a consumia viva.
— Eu estava TÃO perto... — sussurrou, seu corpo todo tremendo. — Tão perto de tê-lo de volta... De recuperar o que era MEU... O que SEMPRE foi meu, antes daquela vadia aparecer.
Ela aproximou-se do espelho da parede, tocando o próprio reflexo com mãos trêmulas.
— Ele está apenas confuso — disse para sua imagem. — Machucado. E ela sabe manipulá-lo. Ela sempre soube.
Um sorriso distorcido surgiu em seus lábios, uma expressão que mesclava dor e determinação doentia.
— Mas eu sei algo que ela não sabe. Eu sei mais do que todos eles.
Carolina dirigiu-se à cama, abrindo a gaveta de cabeceira com movimentos frenéticos. De dentro, retirou uma pequena caixa branca contendo um único comprimido.
— Só alguns dias — sussurrou, acariciando a embalagem como um tesouro precioso. — Só mais alguns dias e tudo estará pronto.
Seus olhos fixaram-se na imagem de Olívia refletida nos estilhaços da televisão.
— E quando eu voltar para o Ian... — sua voz tornou-se um sibilo venenoso — ...será DEFINITIVO. E eu juro...
Ela inclinou-se sobre os fragmentos do aparelho, sua respiração acelerada.
— ...que ela nunca mais ficará entre nós. Nunca mais.

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