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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 236

O dia anterior ainda ardia na pele de Olívia como uma marca de fogo. O beijo — aquele beijo que desafiava a razão — surgia em flashes vívidos: uma memória quente demais para aceitar, mas impossível de negar.

Enquanto arrumava a cama, dobrando roupas com movimentos automáticos, observando Léo correr pelo corredor naquela manhã ensolarada, ela tentou racionalizar o que acontecera. Mas não havia lógica que explicasse aquela entrega. Não era sobre segurança ou conveniência.

Era visceral.

Ela o beijara porque, por um instante fugaz, reconhecera no rosto dele o mesmo homem perdido que conhecera seis anos antes. O mesmo que a segurara no escuro do carro, desesperado e faminto — não apenas por ela, mas por redenção, por paz, por um porto seguro.

Ela o beijara porque, no tribunal, Ian a defendera publicamente pela primeira vez. Escolhera-a sem hesitação, renunciando a tudo que sempre definira seu valor.

E porque, ao vê-lo sair cabisbaixo e quebrado, reconhecera nele a pior versão de si mesma — aquela que um dia se destruíra por amor.

E porque, por mais que tentasse negar...

ela ainda o amava.

Mesmo quando doía.

Mesmo quando parecia errado.

Mesmo quando tudo indicava ser impossível.

Ao descerem para o café da manhã, encontraram Léo com o celular de Helena, assistindo aos vídeos que viralizavam nas redes sociais.

— Mamãe, por que você beijou o papai? — a pergunta saiu com a inocência devastadora peculiar às crianças.

Olívia engasgou com o café. Ian, ao seu lado, quase derrubou a xícara.

— Porque... — ela respirou fundo, buscando palavras — porque a mamãe e o papai estavam... muito felizes naquele momento.

Léo refletiu por um instante antes de sorrir, radiante.

—Então vocês vão ser namorados?

Desta vez, foi Ian quem se engasgou.

—Léo... — pigarreou, constrangido. — Essas coisas... são complicadas.

— Mas você sorriu, papai — o menino argumentou, sua lógica infantil implacável. — E você nunca sorri assim.

Ian ficou mudo. Não havia resposta possível para aquela verdade.

Após o café, Ian pegou as chaves, seu corpo ainda tensionado pelos eventos do dia anterior.

—Volto cedo. Se precisarem de mim, mandem mensagem.

Olívia observou sua partida. Uma parte dela ansiava por segui-lo, mas permaneceu. Léo tinha consulta médica — ela precisava ser mãe antes de qualquer outra coisa.

Enquanto Helena arrumava a bolsa com os documentos médicos, lançou um olhar lateral para Olívia.

—Vocês... estão bem?

Olívia fechou o casaco lentamente.

—Estamos... tentando.

Helena suspirou, apertando os lábios como quem guarda segredos pesados.

—Tome cuidado, Olívia. Vocês dois já se machucaram demais.

O coração de Olívia apertou-se.

—Eu sei. Mas... realmente acredito que ele está tentando.

Helena assentiu, mas sua expressão manteve-se carregada de uma preocupação silenciosa — daquelas que apenas quem testemunhara a dinâmica dos Moretti por anos poderia compreender.

No consultório médico, Léo submeteu-se aos exames de rotina, conversou com o doutor e recebeu elogios por sua saúde robusta. Olívia soltou um suspiro de alívio que parecia acumulado há dias.

— Graças a Deus...

Parou.

Travou completamente.

O ar escapou de seus pulmões em um suspiro audível.

A sala inteira estava iluminada por velas — centenas delas. Chamas tremeluzentes dançando, pintando sombras douradas nas paredes escuras.

E flores. Em toda parte. Rosas, lírios, orquídeas, peônias. Brancas, vermelhas, azuis. Um mar de pétalas e aromas que envolviam o ambiente em uma atmosfera de sonho.

No centro desse universo criado, parado como quem teme que um único respiro mais forte possa desfazer a magia...

Ian.

Vestindo uma simples camisa branca, sem gravata ou paletó, as mãos nervosas cravadas nos bolsos.

Parecia vulnerável. Completamente exposto. Sem as máscaras do magnata, sem as paredes do herdeiro, sem o escudo Moretti.

Apenas ele.

Apenas Ian.

Olívia permaneceu em silêncio por longos segundos, incapaz de articular qualquer som.

Quando finalmente encontrou a voz, saiu em um sussurro trêmulo:

—I-Ian... o que é isso?

Ele olhou para ela como um homem vendo a luz após anos de escuridão.

E respondeu, sua voz baixa, rouca e profundamente honesta:

—Isso... é o que sobrou de mim. E o que eu espero que seja... o começo do que ainda pode ser nosso.

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