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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 237

A lua cheia pendia como um disco prateado no céu noturno, seu brilho suave filtrando-se pelos vitrais e banhando o salão em tons de azul celestial. Olívia parou na entrada, seus olhos percorrendo o cenário que parecia saído de um sonho: centenas de velas tremulando como luzeiros em um mar de pétalas, o ar pesado com o perfume doce de jasmim e gardênia.

Ela deu um passo, depois outro, seus pés afundando levemente no carpete enquanto se aproximava do centro da sala onde Ian esperava.

— Ian… — sua voz saiu como um sopro, carregada de emoção contida. — O que você está fazendo?

Ele respirou fundo, seus olhos — sempre tão impenetráveis — agora completamente expostos, mostrando cada nuance de vulnerabilidade.

— Estou tentando consertar a única coisa que ainda vale a pena neste mundo — ele disse, cada palavra cuidadosamente escolhida. — Nós.

Olívia sentiu as lágrimas pressionarem atrás de seus olhos. As chamas das velas dançavam, refletindo-se em seu olhar intenso e completamente aberto.

Ele fechou a distância entre eles, movendo-se com uma reverência que ela raramente via, e tomou suas mãos entre as dele.

— Não quero começar errado com você outra vez, Olívia — ele confessou, seu olhar profundamente sincero. — Nada de contratos. Nada de noivado de fachada. Nada de casamento por obrigação. Desta vez… quero que comecemos de verdade. Como duas pessoas que se escolhem todos os dias. Sem máscaras. Sem segredos. Sem as correntes do passado.

O coração de Olívia apertou-se em seu peito.

— Ian…

— Quero poder olhar para você — sua voz quebrou levemente — e saber exatamente o que somos. O que estamos construindo juntos. Quero você… sem cláusulas, sem mentiras, sem barganhas. Quero porque… você é a única coisa que me faz sentir completo em um mundo que sempre me tratou como uma extensão de um sobrenome.

Ela colocou a mão sobre seu peito, sentindo o coração acelerado batendo contra sua palma como um pássaro preso.

— Eu também quero um começo diferente — ela sussurrou, suas próprias lágrimas finalmente escapando. — Mas tenho tanto medo… medo de nos destruirmos outra vez.

Ian aproximou sua testa da dela, fechando os olhos em um gesto de profunda conexão.

— Eu também tenho medo. Mas talvez… se tivermos medo juntos, possamos nos tornar mais fortes do que éramos separados.

Um sorriso trêmulo brotou em seus lábios, e ele respondeu com um sorriso igualmente frágil, mas genuíno — um daqueles raros que alcançava seus olhos e transformava completamente seu rosto.

Ele a puxou para um abraço — firme, quente, protetor. Seu peito subia e descia em respirações aceleradas. O cheiro familiar dele trouxe uma onda avassaladora de nostalgia e pertencimento.

Foi então que ouviram passinhos correndo e uma voz animada:

— MAMÃEEEE! PAPAAAAI!

Os dois se separaram rapidamente, virando-se em uníssono.

Léo corria pelo corredor com seu pijama amarrotado, radiante como se o universo inteiro tivesse se alinhado para sua felicidade.

Olívia abriu os braços. Ian fez o mesmo.

E Léo lançou-se no espaço entre eles, os três se envolvendo em um abraço desengonçado, porém perfeito em sua sincronicidade. Pela primeira vez desde que se reencontraram, pareciam uma família verdadeira.

— Vocês estavam me procurando? — Léo perguntou, exibindo um sorriso desdentado.

— Sempre estaremos te procurando — Ian respondeu, sua voz suave enquanto beijava o topo de sua cabeça.

Léo agarrou as mãos de ambos.

— Vocês podem me colocar para dormir? JUNTOS?

Olívia e Ian trocaram um olhar carregado de emoção.

— Claro — ela concordou, sua voz macia.

Os três dirigiram-se ao quarto. Olívia deitou-se de um lado da cama, Ian do outro, com Léo no centro, animadamente compartilhando histórias desconexas enquanto o sono gradualmente o dominava. Quando finalmente adormeceu, sua respiração suave preenchendo o quarto, suas mãozinhas ainda envoltas nas deles, um silêncio pacífico desceu sobre eles.

Lentamente, Ian estendeu a mão sobre o corpo de Léo e envolveu a dela.

— Olívia… — ele começou, hesitantemente. — Precisamos falar sobre o futuro. Sobre nós. Não quero mais segredos entre nós.

Ela concordou com a cabeça, seu coração batendo mais rápido.

— Claro que é. Ele é sua cópia.

Ian virou-se para ela, e sorriu daquele modo particular que só surgia quando suas defesas estavam completamente baixadas

— Sabe… — ele começou, sua voz mais baixa. — Isso me fez pensar como seria ter outro filho.

Olívia surpreendeu-se — um calor subiu às suas faces.

— Outro filho?

Ele fitou o teto brevemente, como se a confissão exigisse toda sua coragem.

— Sim. Para viver tudo desde o início. Para não perder um único momento, como perdi com Léo. — Sua voz quebrou. — Mas agora… agora sei que provavelmente é impossível.

Olívia franziu a testa.

— Impossível? Por quê?

Ele desviou o olhar, e na penumbra do quarto, ela mal pôde ver a sombra que cruzou seu rosto.

— Com toda investigação que está acontecendo e a confusão da minha família. — Ian disse, mas não era em toda a verdade.

A lua prateada acentuava a palidez e sinceridade de suas feições, e foi então que ele se lembrou. Havia um segredo. Um segredo para o qual ainda não encontrava forças. Um segredo capaz de destruir o frágil recomeço que acabara de nascer.

Ian apertou sua mão, buscando consolo na certeza de que não estava sozinho, mesmo carregando um peso que ainda não podia compartilhar.

Olívia sorriu suavemente, alheia à tormenta silenciosa dentro dele.

Enquanto ela gradualmente sucumbia ao sono, Ian permaneceu acordado. Observando Léo. Observando Olívia. E repetindo mentalmente, como um mantra doloroso:

"Ainda há algo que preciso te contar… mas tenho medo de perder você quando as palavras finalmente saírem."

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