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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 24

A batida na porta foi suave, quase tímida… mas suficiente para fazer o estômago de Olívia se revirar.

Ela ficou parada, imóvel por um instante, tentando decidir se tinha realmente ouvido ou se havia sido apenas mais uma enganação de sua mente neurótica.

Ouviu a segunda batida.

Um pouco mais firme.

A mensagem anônima ainda queimava na tela do celular em cima da cômoda. "Você sabe que não pode esconder a verdade para sempre."

O ar pareceu mais pesado.

A mão dela estava fria, mas a testa começava a suar.

Deu dois passos lentos. O corredor estava em silêncio.

Ela olhou para o trinco… e girou. Queria despertar daquela loucura.

O corredor estava quase às escuras, só uma das arandelas de parede permanecia acesa, lançando uma luz amarelada e fraca.

O coração de Olívia ainda estava acelerado quando aquela pessoa se revelou.

Uma mulher.

Vestida inteiramente de branco — desde a calça social, blusa impecável, jaleco leve, os sapatos de sola macia.

Os cabelo loiros, puxados num coque perfeito. Pele alva, traços suaves, mas com algo… afiado no olhar.

E um sorriso curto, quase ensaiado. Era medido, não chegava aos olhos.

Era belíssima… e completamente estranha.

— Boa noite… — disse a mulher, num tom educado, mas que parecia treinado.

A voz dela era calma, mas tinha uma segurança que fez Olívia imediatamente entrar em alerta.

— Quem é você? — a pergunta saiu rápida, quase como um reflexo.

A mulher manteve o sorriso.

— Este é o quarto de Léo Belmonte?

O nome do filho, na boca de uma estranha, soou como algo que não devia estar ali.

Olívia estreitou os olhos, posicionando o corpo de forma a impedir a visão dela para dentro do quarto.

— Quem está perguntando? — Olívia respondeu, a voz naturalmente defensiva, o tom endurecido.

Ela manteve o sorriso.

— Carol.

A loira deu um pequeno passo para trás, como se respeitasse o espaço, mas sem perder a postura impecável.

— Sou a enfermeira que as empresas Moretti contrataram para acompanhar o Léo.

Olívia piscou uma vez, a tensão baixando alguns graus.

— Enfermeira?

Carol assentiu.

— Sim. Cheguei agora há pouco. O hospital já me passou todos os detalhes médicos dele. Estou aqui para garantir que ele tenha acompanhamento integral.

O alívio veio, mas não foi pleno. Uma parte de Olívia relaxou… outra ainda queria fechar a porta.

A defesa de Olívia se quebrou um pouco.

— Ah… desculpe. Certo. — respirou fundo, mais calma, mas ainda sentindo o próprio coração batendo alto. — Eu não sabia que viriam essa noite.

— Não tem problema — Carol sorriu de forma mais aberta agora. — Já estou com todos os relatórios, exames, horários de medicação… Você pode ir descansar.

A frase “não precisa se preocupar” a fez querer rir. Uma mãe sempre se preocupa.

Olívia havia se tornado ainda mais cuidadosa depois de tudo que tinha acontecido. A experiência de quase ver seu filho partir, mudou sua mente completamente. Aquilo a fez o valorizar ainda mais, onde quer que estejam, pois nunca poderá saber quando o tempo iria acabar.

Olívia mordeu o lábio inferior, olhando por sobre o ombro para Léo, que dormia tranquilo.

— Vou passar a noite com ele. — Carol acrescentou, já ajeitando a alça da bolsa no ombro. — Pode ir descansar.

Olívia hesitou.

Uma mensagem nova.

"Vou passar a noite fora ."

Olhando para a tela, ela sentiu um incômodo que não queria admitir. Algo errado. Era a primeira noite dela ali… e ele simplesmente não estaria.

Ela imaginou a mãos dele nos cabelos de alguém no escuro. Uma loira alta e belíssima. Peito nu. Com cinco ou seis colares. Salto alto. Colocando sua mão na dela, a tocando. E quando a noite ficar mais fria, ele a beijaria. O perfume misturado. Os olhos passeando em seu corpo inteiro.

O coração apertou sem que ela entendesse exatamente o motivo. Não era ciúme. Isso nem fazia sentido. Só era... estranho.

"Por quê?"

Ela digitou antes que pudesse pensar muito.

A resposta veio rápido, apenas alguns segundos depois, carregada de ironia:

"Já está me cobrando ciúmes por dormir fora de casa, esposa? Não é assim que os casamentos funcionam hoje em dia?"

Olívia fechou os olhos, sentindo o sangue subir. A ousadia dele…

Estava pronta para responder quando outra mensagem apareceu:

"Resolvo assuntos pessoais e do trabalho. Lembre-se: isso é fachada. Eu não sou seu. Você não é minha."

Olívia ficou olhando para as palavras. Sentiu o gosto amargo na boca.

Mas em seguida, ela sorriu, mas era um sorriso frio, venenoso.

Digitou devagar, como quem escolhe lâmina por lâmina para ferir:

"Ainda bem que concordamos, marido. Porque mesmo se fosse, eu não te queria. Durma bem… se conseguir."

Enviou. Bloqueou a tela do celular.

E, de repente, percebeu que o quarto parecia muito maior… e muito mais vazio.

Colocou o celular na mesa com força, apagou a luz.

Mas o sono não veio.

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