Olivia sentiu quando os primeiros raios da luz do sol invadiram o quarto onde dormia.
Ela achou que não conseguiria pregar os olhos durante aquela noite, mas o cansaço a pegou completamente e ela apenas apagou. Ultimamente, andava tão acabada, presa nas teias que teceu com seus erros e inseguranças que precisou se desligar.
Só acordou quando a claridade invadiu o ambiente, havia esquecido de fechar as janelas black out na noite anterior.
Ela se levantou, não deixando de olhar o lado intacto da cama. Ian realmente não havia voltado. Se perguntou quais assuntos ele teria que fazer. Onde passou a noite. Como estava.
— Por que diabos isso seria da minha conta? — ela resmungava consigo mesmo enquanto seguia até o banheiro e se recusava a pensar sobre isso.
Depois de trocar de roupas e fazer toda a sua rotina matinal, Olivia sai do quarto. A mansão ainda estava completamente silenciosa, o que fazia sentido porque era absolutamente cedo.
Assim que chega ao corredor, seu olhar recai no mesmo instante sobre o quarto em frente. Leo.
Seu coração acelera enquanto caminha até o quarto e abre, com todo cuidado do mundo, a porta que os dividia. Um sorriso cheio de amor e ternura enche o peito dela ao perceber que ele ainda dormia. Parecia tranquilo. Em paz.
Talvez o fato de não estar mais dentro de um quarto de hospital, com os sons repetidos do bipe o deixassem realmente mais relaxado. Sente pena de acordá-lo e decidir não fazê-lo.
Antes que Olivia se afastasse, ela olha para o lado da cama. Há uma poltrona bem perto do Leo e é onde Carol está sentada, os olhos fechados. Talvez o cansaço da noite também tenha a vencido.
Olivia sorri e decide não incomodá-los por um instante. Ela desce as escadas e caminha até a cozinha, aproveitando que todavia, a mansão ainda estava adormecida. Nenhum sinal de Benjamin ou Clara. Para seu alivio.
Completamente sozinha.
Ou ao menos era isso que ela pensava.
— Para onde está indo? — a voz firme e grossa corta o silêncio daquela manhã.
Olivia dá um sobressalto. Leva as mãos ao peito, o susto realmente a pegou.
— Senhor Moretti... — ela suspira, engolindo em seco. — Eu apenas estava indo na cozinha, preparar o café do Leo antes que ele acorde.
Nicolau a encara de cima a baixo e com aquele olhar decidido e sem espaço para réplicas, diz:
— Você não precisa fazer isso. As empregadas da casa já receberam os detalhes da dieta da criança e ela já estão preparando. Portanto... — ele aponta com as mãos para sala de jantar. — Sente-se e tome café comigo.
Em nenhum momento, aquilo foi um convite. Era uma ordem que ele disfarçava de sutileza.
Olivia apenas assente e com o coração ainda aos pulos, puxa uma cadeira e se senta. A mesa enorme estava farta, repleta de sucos, frutas, queijos e diferentes tipos de ovos. Bolos, panquecas. O estômago dela se revirou, mas ela soube se controlar.
Ela vai conseguir passar por isso? Isso vai doer?
Tinha que se controlar. Porque ali, estava sobre os olhares julgadores e analisadores de Nicolau. Temia qualquer palavra que pudesse sair da sua boca. A pergunta errada e pronto... Tudo estava perdido.
— Como foi a primeira noite, Olivia? Dormiu bem? — ele pergunta, e pela primeira vez, Olivia nota leveza em seu tom.
Ela termina de engolir um pouco de suco antes de responde-lo.
— Melhor do que imaginava. — ela assumiu. — Acredito que ter passado os últimos dois meses dormindo em cadeiras de hospital, cobrou sua conta em meu cansaço.
Nicolau deu um curto sorriso por trás da xícara do seu café; forte e sem açúcar.
— Noites em hospital parecem ser ainda mais longas. — ele disse e em seguida, soltou um longo suspiro.
Ela puxou a cadeira e se acomodou à mesa, um sorriso aberto iluminando o rosto. Léo, ao lado, já mordiscava uma maça, alheio à sala de jantar enorme que começava a se formar.
— Então, Carol… você trabalha na área da saúde há muito tempo? — perguntou Olívia, curiosa.
— Faz alguns anos — respondeu ela, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Era enfermeira em um hospital grande fora do estado, mas hoje só pego alguns casos de home care. Como o caso do Leo. Soou especial para mim.
Olívia sentiu um calor inesperado naquilo. Havia algo na forma como Carol falava, calma, mas firme, que despertava uma afinidade imediata. Era como conversar com alguém que ela já conhecia há tempos. Alguém normal no meio da bagunça daquela casa.
O papo entre elas fluía leve, recheado de risadas e histórias curtas. Mas, de repente, o ar pareceu mudar.
Porque Ian apareceu.
Ele estava batente da porta.
Alto e bronzeado, o cabelo desalinhado, a barba por fazer. Parecia ter bebido demais esta noite. E isso era triste. Os olhos negros e cansados, como se não houvesse espaço para a vida, mas ainda intensos. Fora de foco. Seus olhos nos olhos dele. Até que a gravidade de repente se tornou demais.
Olívia sentiu o coração dar um salto no peito. E o pior é que não sabia explicar o motivo, ou não queria.
Ela sustentou o olhar por um instante… até perceber que ele não estava olhando para ela. Não exatamente.
Ian a atravessava com os olhos, como se ela fosse vidro, até parar em Carol. A expressão dele mudou num segundo, da exaustão para um choque gelado.
O silêncio se fez antes que ele disparasse, a voz grave e dura:
— Que porra você está fazendo aqui?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido