Olívia acordou com o coração batendo descompassado. A ansiedade da noite anterior havia se transformado em um peso concreto no peito. Antes mesmo de abrir os olhos completamente, sua mão já tateava o celular na mesa de cabeceira.
Carla - 3 chamadas perdidas, nenhum retorno
Ela discou novamente, ouvindo o toque interminável até cair na secretária.
— Carla, por favor — sussurrou, enquanto o pequeno Léo a abraçava pela cintura, ainda sonolento. — Me liga de volta. Estou preocupada.
Enquanto preparava o café da manhã, suas mãos quase deixaram cair a xícara quando o telefone finalmente tocou. Mas não era Carla.
CLÍNICA AURORA - Dra. Beatriz
— Olívia? Bom dia, querida! — a voz animada da veterinária ecoou pelo aparelho. — Quando puder, passe aqui na ONG. Temos novidades!
O coração de Olívia acelerou. Aquela ligação significava apenas uma coisa.
— Claro, doutora! Estarei aí em uma hora.
Ao deixar Léo na escola, o menino a puxou para um abraço apertado.
— Você consegue, mamãe! — disse ele, com a sabedoria inocente das crianças.
O trajeto até a ONG pareceu mais curto, como se a esperança a estivesse carregando. Ao avistar o portão da Clínica Aurora, ela respirou fundo, tentando acalmar o nervosismo.
Dra. Beatriz a aguardava na entrada, seus olhos experientes brilhando.
— Olívia! — abriu os braços para um abraço caloroso. — Seja bem-vinda oficialmente à nossa equipe. Três meses de experiência, como combinamos, mas... — baixou a voz em tom confidencial — entre nós, já sabemos que você vai ficar muito mais tempo.
— Não sabe o que isso significa para mim, doutora — Olívia sorriu, emocionada.
— Por favor, me chame de Beatriz. Aqui somos todas colegas.
Enquanto caminhavam pelos corredores limpos e claros, um estagiário jovem surgiu correndo, seu rosto pálido de preocupação.
— Doutora Beatriz! É o Thor, o pastor-alemão resgatado... Ele está em taquipneia de novo e a ferida abdominal abriu!
Olívia não pensou duas vezes.
— O machucado na região inguinal? Aquele que você mostrou que saturaram ontem? — perguntou, já em movimento.
— Isso! — o estagiário confirmou, aliviado por ver alguém tomando a iniciativa.
— Leve-me até ele. Agora!
Na sala de emergência, o grande pastor-alemão tremia incontrolavelmente, sua respiração ofegante e superficial. O curativo estava manchado de sangue fresco.
— Precisamos de solução eletrolítica para choque! — Olívia ordenou, enquanto suas mãos habilidosas já examinavam o animal. — E tragam clorexidine para limpar a ferida!
As duas estavam quase terminando a documentação quando gritos desesperados ecoaram pelo corredor outra vez:
— Doutora! É o Thor de novo! Ele está muito mal!
Olívia correu como se sua própria vida dependesse disso. Ao entrar na sala, seu estômago embrulhou. O curativo que ela havia feito com tanto cuidado estava desfeito, os medicamentos trocados, e a ferida mostrava sinais de manipulação grosseira.
— Isso não é possível — sussurrou, examinando rapidamente o animal. — Alguém... alguém sabotou o tratamento.
Beatriz chegou atrás dela, seu rosto tornando-se sério.
— O que você está dizendo, Olívia?
— Olhe! — mostrou a ferida com dedos trêmulos. — O curativo foi refeito de propósito para falhar. Os antibióticos foram trocados. Alguém quis que esse animal piorasse... e quis que a culpa fosse minha.
Os olhos de Beatriz percorreram a sala, encontrando os de Olívia com uma compreensão dolorosa.
— Valentina — sussurrou Olívia, o nome saindo como uma acusação. — Ela passou por aqui exatamente depois que eu tratei o Thor.
— Vamos resolver isso — Beatriz disse firmemente, colocando uma mão no ombro de Olívia. — Mas primeiro, salvemos este guerreiro.
Enquanto se ajoelhava novamente para salvar o animal pela segunda vez, Olívia sentiu uma determinação feroz crescer dentro de si. Eles podiam tentar derrubá-la, mas ela não desistiria tão fácil. A Aurora havia se tornado mais que um emprego - era uma batalha que ela estava disposta a travar.

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