O corredor inteiro ecoava com o som dos passos apressados de Olívia. Seus sapatos batiam no piso frio com uma determinação feroz, cada batida marcando o ritmo de sua raiva crescente.
Beatriz corria atrás dela, ofegante, tentando acompanhar o passo acelerado.
— Olívia, por favor, espere! — implorou a veterinária, segurando-a pelo braço. — Essa acusação é gravíssima! Precisamos pensar com calma antes de...
— Eu tenho absoluta certeza do que digo, Beatriz — Olívia respondeu sem diminuir o passo, sua voz contida, mas carregada de uma fúria gelada. — E agora preciso de provas. Onde fica o setor de segurança?
A funcionária da recepção balançou a cabeça, nervosa.
— Só o supervisor pode acessar as imagens, e ele não está...
Olívia parou bruscamente, erguendo o queixo num gesto desafiador.
— Então me leve até quem pode. Agora mesmo — sua voz baixa, porém firme, deixou claro que não aceitaria um não como resposta. — Meu nome é Olívia Moretti. Acredito que isso seja autorização suficiente.
O sobrenome ecoou pelo corredor como um trovão. As portas se abriram.
A sala de monitoramento ficou em silêncio absoluto, quebrado apenas pelo zumbido baixo dos equipamentos. Olívia observava as telas com olhos atentos, seus dedos apertando a borda da mesa de controle.
— Mostre-me as imagens do consultório 3 — ordenou ela. — Do horário em que saí de lá até agora.
O técnico hesitou, suando visivelmente.
— Senhora... parte do arquivo foi corrompido. Não sei como isso aconteceu...
— Mostre o que tem — Olívia cortou, sua paciência se esgotando.
Na tela, as imagens em preto e branco mostravam o vai e vem normal da clínica. E então...
A imagem tremeu.
Distorceu.
Pulou.
E apareceu: uma figura parada ao lado da mesa onde o pastor-alemão Thor estava deitado. O rosto não era visível, mas a silhueta era inconfundível.
Quando a imagem retornou por um breve instante, Olívia viu: saltos altos, um terno impecável, e a postura arrogante que ela reconheceria em qualquer lugar.
Valentina.
Olívia soltou o ar que nem sabia estar prendendo.
— É o que precisava — disse, virando-se abruptamente.
— Prove. As câmeras não mostram nada conclusivo. E mesmo que mostrassem, o que faria? Me processaria? — Seu olhar era de puro desdém. — Não tem dinheiro para me processar, querida. Não tem influência. Não tem poder real.
Olívia sorriu, um sorriso frio que não alcançou seus olhos.
— Talvez eu não tenha... ainda.
Valentina deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Olívia.
— E nunca vai ter poder para me tirar da indústria Moretti. Nicolau me colocou aqui porque eu entendo esse jogo. E você — cuspiu as palavras — é apenas uma intrusa, uma plebéia qualquer que só tem voz porque dormiu com o homem certo.
Foi então que a porta se abriu com força total, batendo contra a parede com um estrondo que fez ambas se virarem.
— Ela pode não ter o poder de te tirar — a voz de Ian ecoou pela sala, carregada de fúria contida. — Mas eu tenho.
Ian estava parado na entrada, seu corpo imponente preenchendo completamente o vão da porta. Seus olhos faiscavam com uma raiva que fez até Valentina recuar instintivamente.
Olívia sentiu o ar sair de seus pulmões. Pela primeira vez desde que começara aquela cruzada pessoal, permitiu-se sentir o tremor que percorria seu corpo.
Porque Ian não estava apenas zangado.
Ele era puro perigo incarnado.

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