O silêncio que se seguiu à revelação de Valentina era pesado, opressivo, como se o próprio ar tivesse se solidificado ao redor deles. Cada segundo parecia ecoar com o peso do segredo que ela carregava.
Benjamin. Não apenas desaparecido, mas escondido. E com segredos que poderiam despedaçar o que restava da família Moretti.
Ian fechou a distância entre eles em dois passos largos, seu corpo tensionado como uma mola comprimida.
— Fala. Tudo. Agora. — Sua voz era um rugido baixo, contido apenas pela força de vontade.
Mas Valentina... Valentina sorriu.
Aquele sorriso afiado, calculista, que Ian conhecia tão bem - o sorriso de quem jogava xadrez corporativo desde que aprendera a andar.
— Eu falo, Ian — ela cruzou os braços, recostando-se na mesa com uma calma estudada. — Mas só depois de você garantir, por escrito, que minha posição nas Indústrias Moretti permanece intocada.
Os olhos de Ian se estreitaram em fendas perigosas.
— Você está tentando negociar comigo? — ele cuspiu as palavras, avançando mais um passo. — Depois de sabotar um tratamento animal, depois de atacar Olívia, depois de colocar em risco tudo o que construímos aqui...
— Eu sobrevivi vinte anos no império do seu avô porque sei quando segurar minhas cartas, Ian — ela interrompeu, sem perder a compostura. — Se eu soltar todas as informações sem proteção... você me descarta como lixo. Então é simples: acordo formal, ou nada.
Ian respirou fundo, suas mãos se fechando em punhos tão tensos que os nós dos dedos branquearam. Ele olhou para Olívia, buscando... o quê? Aprovação? Orientação? Nos olhos dela, ele viu a mesma relutância, mas também a compreensão de que algumas verdades valiam qualquer preço.
Com um movimento brusco, ele puxou o celular do bolso e discou.
— Vitório — rosnou assim que o advogado atendeu. — Preciso de um adendo contratual. Agora. Cláusulas de permanência, confidencialidade, proteção judicial... o pacote completo. Sim, é sobre a Valentina. E sim, é urgente.
Valentina permitiu que um sorriso satisfeito tocasse seus lábios, como um gato que acabou de pegar um pássaro.
Os minutos seguintes foram agoniantes. Ian caminhava de um lado para outro no escritório, cada palavra trocada com o advogado parecia custar-lhe pedaços de sua alma. Olívia observava em silêncio, suas mãos entrelaçadas com força, os brancos dos ossos visíveis sob a pele.
Finalmente, ele desligou e encarou Valentina.
— Está feito. Mas se você quebrar qualquer termo, se esconder qualquer informação... — sua voz era gelada — eu não apenas acabo com sua carreira. Eu te enterro.
Valentina assentiu, uma centelha de triunfo em seus olhos.
— Então vamos começar.
Ela respirou fundo, como se se preparando para um mergulho profundo.
— Benjamin me procurou na noite após a morte do Nicolau — começou, seus olhos perdidos na memória. — Ele estava... diferente. Assustado. Paranóico. Suas mãos não paravam de tremer.
Olívia sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Ele disse que não queria o cargo de vice-presidente — Valentina continuou. — Chamou aquilo de "armadilha mortal".
— Armadilha? — Ian interrompeu, seus olhos escuros e intensos. — Explique.
— Segundo ele, assumir aquela posição o colocaria no meio do fogo cruzado — ela explicou, gesticulando com as mãos. — Disse que seria o alvo perfeito. Da família, da polícia, de... bem, de todo mundo.
Ian permaneceu imóvel, cada músculo tensionado.
— Matheus — ele disse assim que a ligação foi atendida, sua voz carregada de urgência. — Temos um endereço. Encontramos Benjamin. Estou te buscando em dez minutos.
Do outro lado da linha, a resposta de Matheus foi instantânea:
— Já estou me arrumando. Não faça nada até eu chegar.
Antes de sair correndo, Ian olhou para Olívia. E o que viu em seus olhos o parou por um momento. Não era medo de Benjamin, nem do passado sombrio que estavam prestes a desenterrar.
Era medo dele. Do homem que ele poderia se tornar quando todas as peças se encaixassem.
Ela se aproximou e pegou sua mão, seus dedos frios entrelaçando-se nos dele.
— Ian — ela sussurrou, sua voz carregada de emoção. — Lembre-se de quem você é. Não deixe essa verdade... não deixe ela mudar você.
Ele levantou a mão dela até seus lábios, beijando seus nós dos dedos com uma ternura que contrastava violentamente com a fúria em seus olhos.
— Algumas verdades merecem ser conhecidas, Olívia — ele murmurou contra sua pele. — Não importa o custo.
Mas quando ele se virou para sair, algo dentro dele sussurrou, frio e implacável:
A verdade não trará paz. A verdade não salvará ninguém.
Algumas verdades... existem apenas para destruir.
E naquela dia, enquanto Ian, Matheus e Olívia se dirigiam para o apartamento abandonado, a linha entre justiça e vingança começou a desbotar perigosamente.

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