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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 248

A rua estreita parecia sugar toda a luz do dia, engolindo-a em suas sombras úmidas. O prédio de três andares se erguia como um cadáver arquitetônico, sua fachada descascada testemunhando décadas de abandono.

Ian estacionou o carro a uma quadra de distância, seguindo a recomendação cautelar de Matheus.

— É aqui — Matheus confirmou, sua voz um sussurro tenso enquanto escaneava as janelas escuras. — Apartamento 301, segundo a Valentina.

Olívia sentiu as pernas amolecerem.

Não.

Não podia ser.

Seus olhos percorreram cada detalhe da fachada decadente - a janela do segundo andar com o vidro trincado, a porta de entrada desengonçada, até mesmo o poste de luz inclinado na calçada. Tudo horrivelmente familiar.

— Olivia? — Ian tocou seu braço suavemente. — O que foi? Você está pálida.

Ela engoliu seco, as palavras saindo entrecortadas:

— Eu... morei aqui. Neste prédio. No apartamento 301.

Matheus virou-se rapidamente, seus olhos profissionais agora cheios de surpresa.

— Tem certeza? — ele perguntou, baixando a voz ainda mais.

— Como poderia esquecer? — ela sussurrou, fechando os olhos por um momento. As memórias vieram como uma maré: o dia que Benjamin jurou que nunca a abandonaria, as noites frias sem aquecimento, as contas pilhando na mesa da cozinha. — Este foi nosso primeiro apartamento. Benjamin insistiu que era o que podíamos pagar... que tínhamos que economizar.

Ian olhou para o prédio com uma nova camada de ódio em seus olhos.

— Se ele manteve este lugar todo esse tempo... — Ian rosnou, suas mãos se fechando em punhos — ...enquanto você lutava por cada migalha, enquanto criava Léo sozinha...

— Ian, por favor — Olívia colocou a mão em seu peito, sentindo o coração acelerado sob a camisa. — Não agora.

Mas o que realmente a aterrorizava não era o lugar, nem as memórias dolorosas. Era o pressentimento visceral, profundo, de que algo terrível estava prestes a acontecer, algo que mudaria tudo para sempre.

Matheus foi o primeiro a se mover, aproximando-se silenciosamente da entrada.

— Vamos. Cada minuto que passamos aqui aumenta o risco dele fugir.

Ian assentiu, puxando Olívia para mais perto.

— Fique ao meu lado. O tempo todo — ele ordenou, sua voz carregada de uma proteção feroz.

Ela não discutiu. Seus dedos encontraram os dele, entrelaçando-se em um aperto forte.

O interior do prédio cheirava a mofo, desespero e anos de abandono. Cada passo no piso de madeira rangente ecoava como um aviso sinistro. Olívia sentiu um calafrio percorrer sua espinha; quantas vezes ela havia caminhado por este mesmo corredor, carregando contas na bolsa, sonhando com um futuro melhor?

No final do corredor, uma porta entreaberta.

1.

O número estava caído, pendurado por um único prego enferrujado, exatamente como ela lembrava.

Matheus fez um gesto silencioso, verificando a maçaneta. Ela girou facilmente; destrancada.

— Está aberto — ele sussurrou, colocando a mão no coldre sob o paletó.

Ian puxou Olívia para trás dele, seu corpo tornando-se uma barreira viva entre ela e qualquer perigo.

A porta rangeu ao ser empurrada, um som que parecia vir diretamente dos pesadelos de Olívia.

A sala estava quase em completa escuridão, iluminada apenas pela luz fraca da rua que entrava por uma janela suja. No centro do cômodo vazio, sentado no chão de madeira, Benjamin estava encolhido.

Ele era uma sombra do homem que Olívia lembrava. Seus cabelos estavam embaraçados e sujos, a barba crescera descontroladamente, e suas roupas estavam imundas. Mas eram seus olhos que mais a assustaram - vermelhos, dilatados, saltando de sombra em sombra como os de um animal acuado.

Quando a porta se abriu, ele ergueu a cabeça lentamente.

E viu Olívia.

A reação foi instantânea e violenta.

— Não! — ele gritou, recuando contra a parede como se tivesse sido queimado. — Não, não, não, não!

Suas mãos trêmulas se ergueram, apontando para ela como se estivesse vendo um fantasma.

— Você não devia estar aqui! — sua voz era um misto de pânico e desespero. — Eles vão atrás de você também! Você trouxe eles até você!

Ian avançou um passo, seu corpo tensionado como uma mola.

— Benjamin, olhe para mim — Ian disse, sua voz firmemente controlada. — Quem? Quem vai atrás dela?

Benjamin sacudiu a cabeça violentamente, seus olhos selvagens.

— Vocês não entendem... não sabem o que eu vi... o que eu fiz... o que ele me fez fazer...

Olívia sentiu uma pontada de compaixão misturada com medo.

— Benjamin — ela falou suavemente, afastando-se levemente de Ian — por favor, fale conosco. Precisamos entender.

Ele a encarou, e por um breve momento, pareceu reconhecer nela uma centelha de humanidade em seu mundo de paranoia.

— Você precisa ir embora, Olívia — ele sussurrou, lágrimas limpas rastreando através da sujeira em seu rosto. — Vão te usar também... como me usaram...

—Sim... Nicolau... e...

CRASH!

Um barulho vindo do andar de cima fez todos pularem. Algo pesado havia caído, seguido por passos rápidos.

Benjamin arregalou os olhos, seu rosto tornando-se uma máscara de puro terror.

— Eles nos acharam — ele sussurrou, apontando para a porta com um dedo trêmulo. — Corram. Por favor, corram.

Mas Ian não se moveu. Matheus também não.

Olívia ficou paralisada entre o instinto de fuga e o horror hipnotizante do momento.

Benjamin começou a chorar silenciosamente, como se já conhecesse o final desta história.

— Nicolau não era o pior — ele murmurou, seus olhos implorando por compreensão. — Ele apenas obedecia. O verdadeiro responsável...o verdadeiro nome...

—Qual nome? — Ian exigiu, sua voz um rugido baixo.

Benjamin abriu a boca para responder.

Mas os passos acima deles ficaram mais altos, mais rápidos.

E então, o som inconfundível de alguém descendo as escadas - não caminhando, mas correndo.

Rápido.

Determinado.

Vindo direto para eles.

Ian puxou Olívia para trás dele, seu instinto protetor assumindo o controle completamente.

Matheus puxou a arma, assumindo uma posição defensiva.

Benjamin olhou diretamente para Ian, seus olhos transmitindo um último pedido de perdão:

— O outro assassino de sua mãe ainda está vivo.

E então, a maçaneta da porta começou a girar.

Alguém estava entrando.

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