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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 249

O silêncio no apartamento era palpável, pesado como um cobertor úmido. Cada respiração soava alta demais, cada movimento parecia ecoar nas paredes nuas. Benjamin tremia em seu canto, seus olhos saltando de sombra em sombra, seus lábios ressecados formando palavras quase inaudíveis.

— Eles... eles vão atrás de você também, Olívia — ele sussurrou novamente, os dedos contraindo e distendendo nervosamente. — Você não devia ter vindo... não devia...

Antes que Ian ou Matheus pudessem reagir, o som cortou o ar tenso.

CLACK.

O ruído metálico da maçaneta girando.

A porta principal abriu-se lentamente, rangendo em seus gonzos enferrujados.

Olívia prendeu a respiração, seus dedos se fechando involuntariamente nas dobras da blusa. Ian deu dois passos rápidos à frente, seu corpo formando uma barreira protetora entre ela e a entrada. Matheus levou a mão à arma na cintura, seus olhos fixos na porta que se movia.

A porta abriu-se completamente, revelando...

Uma figura magra e curvada, vestindo um moletom cinza desbotado e segurando uma prancheta de madeira desgastada.

— Olá...? — disse o homem, identificando-se como o síndico do prédio. Seus olhos percorreram o grupo com preocupação genuína. — Eu... ouvi barulhos vindo daqui. Gritos. Resolvi subir para verificar. O senhor Benjamin... — ele lançou um olhar compassivo na direção do homem encolhido no canto — tem estado muito alterado desde que voltou. Não sai do quarto. Não abre as cortinas. Hoje, quando ouvi os barulhos, pensei que pudesse estar passando mal...

Ian congelou no lugar, seu rosto uma máscara de conflito interno.

Matheus baixou lentamente a mão, mas sua postura permaneceu alerta.

Olívia sentiu seu coração afundar em seu peito, as esperanças de respostas claras se dissipando como fumaça.

E Benjamin...

Benjamin encolheu-se ainda mais em seu canto, cobrindo o rosto com as mãos trêmulas e balançando a cabeça em um movimento frenético.

— Não... não... não deixem ele entrar... — sua voz era um fio de terror — vocês não entendem... ele pode ser um deles...

O síndico piscou, confuso e claramente perturbado.

— "Um deles"...? Senhor Benjamin, por favor... eu só quero ajudar. Trago suas compras, verifico se está tudo bem... lembra?

A realidade colidiu com a paranoia, deixando todos suspensos naquele limbo perigoso onde ninguém sabia ao certo se Benjamin estava genuinamente sendo perseguido... ou se perseguia fantasmas que só ele podia ver.

Ian foi o primeiro a romper o silêncio pesado, sua voz contendo uma calma forçada que mal escondia a tempestade interna:

— Está tudo sob controle. Nós somos... família. Cuidaremos dele. Obrigado pela preocupação. Pode... retornar ao seu andar.

O síndico hesitou, seus olhos ainda cheios de preocupação, mas finalmente assentiu e recuou.

A porta fechou com um click suave.

E o apartamento mergulhou novamente no silêncio, agora carregado de dúvidas agonizantes. Ian deu uma breve olhada para Matheus e ele soube o que fazer: começou a revisar cada pequeno cômodo daquele apartamento.

Olivia se virou para Ian, seu rosto pálido.

— Ian... e se tudo isso... — sua voz falhou, as palavras saindo entrecortadas — não for real? E se ele está apenas... doente?

Ele se aproximou imediatamente, suas mãos firmes nos ombros dela, como se pudesse ancorá-la à realidade através do toque.

— Não faça isso com você mesma. Nem comigo. — Seu tom era tenso, grave, quase implorando. — Benjamin pode estar paranoico, sim. Mas as provas são reais, Olívia. As transferências bancárias. Os documentos que Valentina mostrou. O envolvimento do meu avô. Isso não é invenção de uma mente doente.

— Mas ele disse que iam atrás de mim também — ela sussurrou, levando as mãos ao rosto como se pudesse se proteger das palavras. — Eu não aguento mais viver com esse medo constante. Eu mal sobrevivi aos Moretti uma vez. Eu não sei se tenho forças para sobreviver de novo.

Ian a puxou para mais perto, seus dedos pressionando suavemente suas costas.

— Olhe para mim — ele ordenou suavemente, sua respiração acelerada como se o medo dela fosse contagioso. — Não me faça perder você também. Não depois de tudo que passamos para chegar até aqui.

A frase pairou entre eles como uma confissão desesperada, um medo compartilhado que finalmente encontrava voz.

Olívia deixou escapar um soluço abafado, suas mãos pressionando contra o peito como se pudesse conter a dor que transbordava.

— Eu estou tentando, Ian. Mas eu estou com medo. Eu não quero que Léo cresça assim, sempre olhando por sobre o ombro, sempre se perguntando quem pode ser confiável. Eu... eu não suporto...

Sua voz desapareceu em um suspiro quebrado.

Ian a envolveu em seus braços, segurando-a com uma força que era tanto proteção quanto necessidade. Seu rosto enterrou-se em seus cabelos, e por um momento, ambos pareceram esquecer que não estavam sozinhos.

Foi o momento mais vulnerável que ele a viu desde seu retorno. E a expressão em seu rosto era de uma devastação completa por testemunhar sua dor.

Enquanto eles tentavam encontrar conforto um no outro, Matheus voltou ao quarto principal e assim que entrou no cômodo, soltou um xingamento baixo e gutural:

Olívia estava deitada na cama, tentando encontrar o sono, mas sua mente estava um turbilhão de imagens e palavras: Benjamin encolhido no canto, o síndico confuso, a janela aberta, o pedaço de tecido balançando...

Seu celular vibrou silenciosamente na mesa de cabeceira.

Ela pegou-o instintivamente, seu coração acelerando ao ver o número desconhecido na tela.

— Alô? — sua voz saiu mais trêmula do que ela gostaria.

Silêncio do outro lado da linha.

Depois, uma respiração instável, ofegante.

E então, uma voz quebrada e trêmula, mas inconfundivelmente familiar:

— O-Olívia...?

O sangue dela pareceu gelar em suas veias.

— Benjamin...? Onde você está? Está bem?

— Eu lembrei... — ele soluçou, a voz abafada como se estivesse se escondendo. — Eu... eu lembrei do nome.

A respiração dele se acelerou, tornando-se quase ofegante.

— Mas se eu falar... se eu falar...

Um ruído alto e metálico ecoou do outro lado da linha, como se algo pesado tivesse caído no chão.

A voz de Benjamin voltou, agora pouco mais que um sussurro aterrorizado:

— ...nós morremos.

A linha caiu abruptamente, deixando apenas um silêncio mortal.

Olívia ficou paralisada, segurando o celular contra o ouvido como se pudesse forçar as palavras a voltarem, para desfazer o que acabara de ouvir.

Ian parou sua caminhada, seu corpo inteiro em alerta máximo. Ele não precisou perguntar — o olhar aterrorizado e vazio de Olívia dizia tudo. Algo terrível acabara de acontecer.

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