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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 252

O silêncio dentro da SUV blindada era mais denso que a escuridão da noite que engolia as ruas. Olívia tremia, não de frio, mas de um tremor profundo que parecia vir de seus ossos. Em seu colo, as mãos ainda cerradas, o pequeno pedaço de papel com o sangue de Benjamin parecia queimar sua pele. Ela não conseguia olhar para ele, mas também não conseguia soltá-lo.

Ian, ao volante, tinha os nós dos dedos brancos de tanto pressionar o volante. Seus olhos, refletidos no retrovisor, varriam constantemente os arredores, cada carro, cada sombra uma possível ameaça.

— Não fomos seguidos — Matheus declarou do banco do passageiro, seus dedos ainda digitando em um tablet escuro. — Mas isso não significa nada. Se são quem eu acho que são, já sabem para onde estamos indo.

— Mude o protocolo de segurança da mansão — Ian ordenou, sua voz rouca. — Rotação total da equipe. Ninguém que já esteve lá nas últimas 48 horas permanece. Contrata uma nova equipe externa, de fora da cidade. Pague o que for preciso.

Matheus assentiu, mas seu rosto estava sombrio. — Isso é guerra, Ian. Declarada. Eles mataram uma testemunha na nossa frente. Não estão brincando.

— Guerra — Ian repetiu a palavra, e ela saiu como um rosnado. — Então vamos dar uma guerra. Mas primeiro, eu preciso dela segura. Eles tocaram nela, Matheus. Viram o rosto dela. Isso muda tudo.

No banco de trás, as palavras de Ian penetraram na névoa de choque de Olívia. "Eles tocaram nela." O significado era claro. Ela não era mais apenas uma peça no tabuleiro; era um alvo nomeado. O peso dessa realidade juntou-se ao peso do corpo de Benjamin em seus braços, uma memória física que a sufocava.

Isso a levou de volta há 7 anos antes...

Olívia estava rindo, uma risada leve e genuína que já não se ouvia há muito tempo. Benjamin, com um chapéu de palhaço torto na cabeça, fazia caretas para o filho da vizinha que Olívia estava tomando conta naquela manhã. A criança tinha apenas dois anos e gargalhava no colo dela no sofá do pequeno apartamento.

— Olha o palhaço bobo! — Benjamin cantarolou, pegando o menino, Diego, e jogando-o para o alto, sob os gritinhos de alegria do menino.

— Cuidado! — Olívia riu, mas seus olhos estavam cheios de um afeto tranquilo.

Naquela época, o cansaço era do trabalho duro, não da desconfiança. O medo era de não chegar ao fim do mês, não de ser assassinada.

Benjamin a olhou por cima da cabeça do filho, seu sorriso suavizando.

— Eu quero ter um desses com você, Olívia. — ele murmurou, olhando para criança e para ela. — E eu juro que vou te dar tudo. Você merece o mundo, Liv. Um dia eu vou te dar o mundo.

Ela acreditou. Naquele momento, com o cheio de bolo queimado no forno e a música suave no rádio, ela acreditou.

O contraste entre aquela memória e a imagem final dele — os olhos vidrados, o sangue escuro — fez um gemido sair de sua garganta.

— Olívia? — A voz de Ian era instantânea, cheia de alarme.

Ela balançou a cabeça, incapaz de falar. O carro entrou nos portões da mansão, que se fecharam atrás deles com um sonido metálico final. A segurança parecia triplicada; homens com expressões sérias e equipamentos de comunicação patrulhavam os jardins.

Mal o carro parou, Olívia empurrou a porta e saiu. Seus pés a levaram através do hall majestoso, subindo as escadarias em direção ao único porto seguro que sua mente conseguia processar: o quarto de Léo. Ela ignorou o chamado de Ian, ignorou tudo. Precisava ver seu filho, precisava da prova tangível de que havia algo puro e bom ainda vivo naquele mundo que havia descido aos infernos.

A porta do quarto estava entreaberta. Um filete de luz noturna iluminava o berço. E ali, ao lado, estava Helena. A enfermeira, com seus movimentos sempre tão calmos e precisos, estava ajustando o cobertor ao redor do corpozinho adormecido de Léo. Seus dedos, largos e gentis, alisaram o cabelo crespo do menino.

Olívia parou na porta, ofegante. O cheiro do quarto — talco, lençóis limpos, o cheiro único de Léo — a atingiu como um socor no estômago. Era o cheiro da vida, da normalidade, mas ela estava coberta da morte de Benjamin.

Helena se virou. Seus olhos, normalmente tão serenos, se arregalaram ao ver Olívia. O vestido manchado de sangue escuro e seco, o rosto pálido como giz, os olhos arregalados, assustados.

— Minha nossa, querida... — Helena sussurrou, colocando rapidamente um dedo nos lábios e apontando para Léo. Ela cruzou o quarto em passos silenciosos e guiou Olívia para fora, fechando a porta suavemente. No corredor iluminado, ela pegou o rosto de Olívia entre suas mãos. — O que aconteceu? Você está ferida?

— Não é meu — Olívia engasgou, a voz um fio rouco. — É... é do Benjamin. Ele... ele...

As palavras se transformaram em um tremor incontrolável. Todo o peso da noite, do medo, da culpa, da imagem horrenda, desabou sobre ela. Seus joelhos cederam.

Enquanto isso, no estúdio de Ian, a atmosfera era de outro tipo de tensão.

— A "Segunda" — Matheus cuspiu o nome, examinando as imagens granuladas da câmera de segurança do motel que haviam recuperado. — Operação limpa, profissional. Armas não registradas, veículos fantasmas. Isso é contratação de alto nível, Ian. Mercenários, ou pior, serviço de inteligência privada de algum governo.

Ian estava de pé diante da lareira apagada, uma taça de uísque esquecida na lareira. Ele não tinha bebido nada.

— Eu a coloquei na linha de fogo — ele disse, sua voz oca. — Permiti que ela fosse. Ela estava certa; foi a presença dela que fez Benjamin começar a falar. E foi a presença dela que o matou. Eu o conduzi para a morte tanto quanto o atirador.

— Ele escolheu pular na frente da bala, Ian — Matheus argumentou, mas sem convicção. — É uma culpa que você vai carregar, sim. Mas agora não é hora disso. Agora é hora de descobrir quem é essa 'Segunda' antes que ela mande outro presente.

— A investigação da minha mãe — Ian virou-se, seus olhos faiscando. — Tudo começa ali. A Segunda deu a ordem para Nicolau. Precisamos encontrar o elo entre eles. Alguém sabe. Alguém que não era pago para se calar, mas que temia por sua vida.

— Talvez alguém que ainda tema — Matheus sugeriu, seu olhar ficando distante. — Eu tenho um contato. Alguém do antigo círculo de Diana. Uma pessoa que sumiu do mapa logo depois da morte dela. Se alguém sabe algo...

— Encontre. Pague. Ameace. Faça o que for necessário — Ian ordenou. — E, Matheus? — ele acrescentou, sua voz baixando para um tom mortal. — Nada disso chega perto de Olívia ou do Léo. A partir de agora, esta casa é uma fortaleza. E eu sou seu comandante.

Enquanto os dois homens traçavam suas linhas de batalha, ninguém notou a silhueta discreta parada no corredor escuro, do lado de fora do estúdio. Helena recuou das portas entornadas, seu rosto uma máscara de preocupação profunda. Em sua mão, ela segurava um paninho com o qual havia limpado suavemente o sangue do rosto de Olívia. Ela olhou para o pano manchado, depois para a direção do quarto de Léo, e um suspiro trêmulo escapou de seus lábios.

Sussurrando para si mesma, quase inaudível, ela disse as palavras que ninguém mais ouviu:

— Ela já está aqui.

E então, como uma sombra, ela se fundiu com a escuridão do corredor, deixando para trás apenas a leve impressão de que algo, ou alguém, havia ouvido demais.

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