Entrar Via

Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 255

A manhã do funeral chegou envolta em um manto de nuvens baixas e pesadas, como se o próprio céu estivesse de luto. Mas dentro da mansão, a preparação era militar.

Olívia vestia um vestido preto simples, suas mãos tremendo levemente enquanto ajustava um colar. Na tela do quarto, a notícia rodava em silêncio:

"MORTE DE HERDEIRO DOS MORETTI ABRE FERIDAS DO PASSADO. POLÍCIA INVESTIGA LIGAÇÃO COM MISTERIOSA MORTE DE DIANA MORETTI."

A imagem de Benjamin — uma foto antiga, sorridente — era cortada pela foto séria de Ian, seguida por uma imagem desbotada de Diana. O subtítulo era um veneno puro: "Vingança familiar? Especialistas especulam sobre guerra interna nos Moretti."

— Desligue isso — a voz de Ian veio da porta. Ele entrava, ajustando o punho da camisa branca sob o terno preto impecável. Seu rosto estava esculpido em mármore; frio, duro, impenetrável.

— Eles estão dizendo que você… que nós… — Olívia não conseguiu terminar, a náusea subindo em sua garganta.

— Que eu matei Benjamin para vingar minha mãe, e que você é minha cúmplice — Ian completou, sua voz destituída de emoção. Ele se aproximou, suas mãos pesadas pousando em seus ombros. Seu toque era firme, ancorando-a. — Olívia, olhe para mim. Isso é o peso do nome Moretti. Mentiras são plantadas como flores venenosas em nosso caminho. Você precisa se acostumar a pisar nelas sem tropeçar.

— Como? — ela sussurrou, seus olhos implorando. — Como se acostumar com isso?

— Lembrando por que estamos lutando — ele respondeu, seus polegares acariciando sua clavícula. — Lembrando de Léo, seguro em seu quarto, protegido por homens que dariam a vida por ele. Hoje não é sobre o que dizem. É sobre o que procuramos. Alguém naquele cemitério sabe algo. Alguém vai errar. E nós estaremos lá para ver.

Matheus entrou sem bater, vestido com um terno escuro que não conseguia esconder o porte militar de seus ombros.

— O perímetro está seguro. Nossos homens estão posicionados. Doze entre a multidão, seis nos pontos altos, três nas saídas. Todos armados. Todos alertas para qualquer coisa… ou qualquer um.

— Alexander — Ian falou o nome como uma maldição. — Ele estará lá?

— Confirmado. Ele chegou à cidade ontem à noite. E não está sozinho.

Ótimo, talvez o irmão ali entregasse alguma resposta. Mas Ian sentia, em algum lugar dentro dele, que Alexander também não era a resposta.

Quando chegaram ao Cemitério Memorial, o lugar era um mar de guarda-chuvas negros e rostos sombrios. A imprensa estava enjaulada atrás de barreiras, mas as lentes se esticavam como garras, capturando cada chegada.

Quando o carro preto de Ian parou, um silêncio repentino caiu sobre a seção reservada, seguido por um surdo sussurro de vozes. Ian saiu primeiro, sua postura imponente, um muro humano de elegância e poder ameaçador. Ele então estendeu a mão para Olívia. Ela emergiu, pálida sob o véu preto, seus olhos escaneando a multidão por cima das flores que carregava. Sentiu dezenas de olhares pesando sobre ela — curiosidade, julgamento, ódio.

E então ela o viu. Alexander Moretti, o irmão de Ian, um homem com o mesmo sangue mas olhos completamente diferentes — afiados, calculistas, sedentos. E ao seu lado, agarrada a seu braço como uma videira envenenada, estava Clara. Seu rosto estava enterrado em um lenço, seus ombros sacudindo com supostos soluços.

Clara olhou por cima do lenço e seus olhos, vermelhos e úmidos, encontraram os de Olívia. Houve um clarão de algo — dor? raiva? culpa? — antes que ela se soltasse de Alexander e se dirigisse a eles, cambaleando.

— Olívia — Clara engasgou, sua voz um fio dramático. — Eu… não consigo acreditar. Nosso Ben… meu Ben…

Olívia a observou, uma frieza que ela nem sabia possuir se espalhando por suas veias. As memórias vieram: Benjamin naquela manhã na mansão destruído depois que Clara o abandonou, as mentiras sobre uma gravidez que nunca existiu, as mágoas que ela deixou.

— Você parece estar sofrendo muito, Clara — Olívia disse, sua voz clara e cortante o suficiente para que algumas pessoas próximas ouvissem. — Interessante, para alguém que o abandonou no primeiro sinal de problemas. E fingiu estar grávida dele quando já estava grávida de outro. Seu sofrimento deve ser… insuportável.

Ele a fitou, seu rosto mostrando instantaneamente o conflito interno.

— Olívia, é muito perigoso. Estamos expostos.

— Por favor — ela implorou, sua voz quebrada. — Só um minuto. Para… dizer adeus.

Ian estudou seu rosto, viu a dor genuína, a necessidade de encerramento. Ele respirou fundo, um som de frustração e preocupação.

— Dois minutos — ele cedeu, relutantemente. — Matheus! — ele chamou, e o segurança se aproximou. — Posiciona os homens. Ela fica naquele banco, vista de todos os ângulos. Ninguém se aproxima a menos de dez metros. Eu fico ali, na saída do mausoléu. Dois minutos.

Matheus assentiu, falando baixo em seu comando de rádio. Homens em ternos escuros se moveram, criando um perímetro invisível, mas impenetrável, ao redor do banco de pedra perto da sepultura fresca.

Ian apertou a mão de Olívia rapidamente, um toque que era tanto um conforto quanto uma âncora de realidade.

— Dois minutos — ele repetiu, e então recuou, posicionando-se com vista clara para ela, seu corpo tenso como uma mola.

Olívia sentou-se no banco frio. O vento soprava, agitando as fitas das coroas de flores. Ela olhou para o monte de terra fresca, para a lápide temporária. O coração doía, sim. Dóia pela perda, pelo potencial desperdiçado. Mas outra parte doía, mais profundamente, ao olhar para Ian, seu rosto marcado pela preocupação, seu corpo pronto para explodir em ação a qualquer segundo. Ele estava ali, carregando o peso de mentiras públicas, de um perigo real, do trauma dela, e ainda assim, dando-lhe esses dois minutos de paz.

Ele amava-a. Verdadeiramente. E ela o amava. E no meio daquele cemitério, cercada por seguranças e sombras de um passado perigoso, essa verdade parecia a única coisa sólida e real.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido