A manhã do funeral chegou envolta em um manto de nuvens baixas e pesadas, como se o próprio céu estivesse de luto. Mas dentro da mansão, a preparação era militar.
Olívia vestia um vestido preto simples, suas mãos tremendo levemente enquanto ajustava um colar. Na tela do quarto, a notícia rodava em silêncio:
"MORTE DE HERDEIRO DOS MORETTI ABRE FERIDAS DO PASSADO. POLÍCIA INVESTIGA LIGAÇÃO COM MISTERIOSA MORTE DE DIANA MORETTI."
A imagem de Benjamin — uma foto antiga, sorridente — era cortada pela foto séria de Ian, seguida por uma imagem desbotada de Diana. O subtítulo era um veneno puro: "Vingança familiar? Especialistas especulam sobre guerra interna nos Moretti."
— Desligue isso — a voz de Ian veio da porta. Ele entrava, ajustando o punho da camisa branca sob o terno preto impecável. Seu rosto estava esculpido em mármore; frio, duro, impenetrável.
— Eles estão dizendo que você… que nós… — Olívia não conseguiu terminar, a náusea subindo em sua garganta.
— Que eu matei Benjamin para vingar minha mãe, e que você é minha cúmplice — Ian completou, sua voz destituída de emoção. Ele se aproximou, suas mãos pesadas pousando em seus ombros. Seu toque era firme, ancorando-a. — Olívia, olhe para mim. Isso é o peso do nome Moretti. Mentiras são plantadas como flores venenosas em nosso caminho. Você precisa se acostumar a pisar nelas sem tropeçar.
— Como? — ela sussurrou, seus olhos implorando. — Como se acostumar com isso?
— Lembrando por que estamos lutando — ele respondeu, seus polegares acariciando sua clavícula. — Lembrando de Léo, seguro em seu quarto, protegido por homens que dariam a vida por ele. Hoje não é sobre o que dizem. É sobre o que procuramos. Alguém naquele cemitério sabe algo. Alguém vai errar. E nós estaremos lá para ver.
Matheus entrou sem bater, vestido com um terno escuro que não conseguia esconder o porte militar de seus ombros.
— O perímetro está seguro. Nossos homens estão posicionados. Doze entre a multidão, seis nos pontos altos, três nas saídas. Todos armados. Todos alertas para qualquer coisa… ou qualquer um.
— Alexander — Ian falou o nome como uma maldição. — Ele estará lá?
— Confirmado. Ele chegou à cidade ontem à noite. E não está sozinho.
Ótimo, talvez o irmão ali entregasse alguma resposta. Mas Ian sentia, em algum lugar dentro dele, que Alexander também não era a resposta.
Quando chegaram ao Cemitério Memorial, o lugar era um mar de guarda-chuvas negros e rostos sombrios. A imprensa estava enjaulada atrás de barreiras, mas as lentes se esticavam como garras, capturando cada chegada.
Quando o carro preto de Ian parou, um silêncio repentino caiu sobre a seção reservada, seguido por um surdo sussurro de vozes. Ian saiu primeiro, sua postura imponente, um muro humano de elegância e poder ameaçador. Ele então estendeu a mão para Olívia. Ela emergiu, pálida sob o véu preto, seus olhos escaneando a multidão por cima das flores que carregava. Sentiu dezenas de olhares pesando sobre ela — curiosidade, julgamento, ódio.
E então ela o viu. Alexander Moretti, o irmão de Ian, um homem com o mesmo sangue mas olhos completamente diferentes — afiados, calculistas, sedentos. E ao seu lado, agarrada a seu braço como uma videira envenenada, estava Clara. Seu rosto estava enterrado em um lenço, seus ombros sacudindo com supostos soluços.
Clara olhou por cima do lenço e seus olhos, vermelhos e úmidos, encontraram os de Olívia. Houve um clarão de algo — dor? raiva? culpa? — antes que ela se soltasse de Alexander e se dirigisse a eles, cambaleando.
— Olívia — Clara engasgou, sua voz um fio dramático. — Eu… não consigo acreditar. Nosso Ben… meu Ben…
Olívia a observou, uma frieza que ela nem sabia possuir se espalhando por suas veias. As memórias vieram: Benjamin naquela manhã na mansão destruído depois que Clara o abandonou, as mentiras sobre uma gravidez que nunca existiu, as mágoas que ela deixou.
— Você parece estar sofrendo muito, Clara — Olívia disse, sua voz clara e cortante o suficiente para que algumas pessoas próximas ouvissem. — Interessante, para alguém que o abandonou no primeiro sinal de problemas. E fingiu estar grávida dele quando já estava grávida de outro. Seu sofrimento deve ser… insuportável.


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