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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 257

De onde estava, na entrada do mausoléu dos Moretti, Ian conseguia ver Olívia como uma pincelada de preto e pálido contra o marrom fresco da terra. Ela estava sentada no banco, a postura curvada, falando com o túmulo. A distância roubava as palavras, mas não a intensidade do momento. Ele podia sentir sua dor, sua despedida, como se fosse uma corrente elétrica no ar úmido do cemitério.

Seus próprios pensamentos eram um campo de batalha. A raiva por Benjamin ainda queimava, baixa e constante – raiva pelas mentiras, pela fraqueza, pelo fato de que ele, mesmo morto, ainda capturava a bondade dela, ainda ocupava espaço no coração de Olívia. A dor pela perda da mãe, agora inextricavelmete ligada a esse novo cadáver. A preocupação aguda, quase paralisante, de que a qualquer segundo um atirador poderia surgir das sombras das lápides. E, para sua própria vergonha, um ciúme primitivo e irracional – ciúme do morto, da história que ela compartilhava com ele, da privacidade emocional daquele momento que ele, por mais que a amasse, nunca poderia totalmente penetrar ou compreender.

Seus dedos tamborilavam nervosamente na pedra fria do mausoléu. Os seguranças – seus homens, disfarçados de jardineiros, coveiros, enlutados – estavam posicionados também. Ele trocou um olhar rápido com Matheus, que estava encostado em um cipreste alguns metros à frente, uma figura imóvel e alerta. Matheus deu um leve aceno de cabeça: tudo calmo.

Foi então que, pelo canto do olho, ele viu um movimento. Uma figura feminina, também de preto, se desvencilhando de um grupo de pessoas que se dispersava e caminhando decididamente em sua direção. Não era uma sombra fugidia ou uma ameaça anônima. Era um fantasma de seu passado, andando sobre saltos altos no cascalho do cemitério.

Carolina.

Um calor repentino de irritação pura subiu de seu peito à sua nuca. Ele não pensou. Seu corpo reagiu antes de seu cérebro, afastando-se da entrada do mausoléu e avançando alguns passos para encontrá-la, bloquear seu caminho, impedi-la de se aproximar de Olívia.

— Você de novo? — sua voz saiu como um rosnado baixo, carregado de um desprezo que havia sido temperado por anos de rancor. — Não teve o suficiente de drama nos últimos dias? Vá embora, Carolina. Agora.

Ele fez um gesto brusco com a mão, um sinal claro de demissão, de expulsão. Seus olhos eram gelo.

Carolina parou, mas não recuou. Ela ergueu o queixo, seu rosto bonito e conhecido marcado por uma estranha seriedade.

— Você não deveria fazer isso, Ian — ela disse, e sua voz, diferente do tom choroso e manipulador que ele esperava, estava estranhamente plana, resoluta. — Tem algo que você precisa saber. Algo que eu carrego.

Ian travou por um segundo. Apenas um. Foi tempo suficiente para uma enxurrada de memórias feias invadir sua mente como uma inundação tóxica:

As traições dela, anos atrás, quando ainda namoravam. Não era apenas com seus pacientes. Ian também descobrira que ela se encontrara com um sócio menor, rindo de seus planos, vendendo informações confidenciais.

Os sussurros dela nos ouvidos de Nicolau, alimentando a desconfiança do velho contra ele e os segredos sujos que ambos guardavam.

O filho. O filho que ela dissera que esperava dele, e que abortou em segredo e jamais o teria revelado se não fosse o maldito Alexander.

Os ataques sutis e não tão sutis a Olívia desde o início – insinuações para a imprensa, fofocas na alta sociedade.

E, a cereja do veneno, ela tinha sido a fonte que vazara os detalhes mais dolorosos da morte de Diana para a mídia, transformando sua tragédia pessoal em um espetáculo público.

A lista era longa. Cada item, uma faca. Cada memória, uma razão para nunca mais trocar uma palavra com ela.

— Eu não tenho nada para conversar com você — ele cuspiu, a raiva tornando sua voz áspera. — Já cortei tudo o que podia ser cortado entre nós. Dinheiro, vínculos, lembranças. Se não quiser que eu ordene que te expulsem desta cidade, e eu posso, Carolina, juro que posso, saia. Agora.

Ele esperou que ela se encolhesse, que choramingasse, que usasse uma de suas mil máscaras de vítima.

Ela não fez isso. Ela simplesmente o encarou, e em seus olhos havia um brilho estranho – não de lágrimas, mas de algo parecido com… remorso? Desespero?

— Eu não posso — ela sussurrou, e a voz falhou, soando genuinamente quebrada. — Não posso esconder mais uma coisa assim de você. A última vez… a última vez não deu certo. Deu em… nisso tudo.

— Esconder o quê? — Ian perguntou, sua paciência se esgotando, mas uma ponta de curiosidade mórbida perfurando sua fúria.

Capítulo 257 1

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