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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 260

O mundo voltou em fragmentos doloridos.

Primeiro, o som: um zumbido agudo, persistente, como o eco do grito que ainda reverberava em seus ossos. Depois, o cheiro: antisséptico, limpeza hospitalar, misturado ao aroma sutil de flores murchas. Por fim, a sensação: um peso imenso em seu peito, uma dor latejante em suas têmporas, e um frio que vinha de dentro.

Olívia abriu os olhos.

Teto branco. Luminárias fluorescentes. Soro gotejando em seu braço.

E então, a memória: O carrinho vermelho. Na mão do homem encapuzado. O sorriso cruel.

Ela sentou-se na cama com um arranco, os fios do monitor cardíaco puxando sua pele.

— Léo — a palavra saiu como um raspado seco de sua garganta. — Onde está o Léo?

Seus olhos selvagens percorreram o quarto privativo. A janela mostrava um céu noturno. Ela estava sozinha.

— LÉO! — seu grito rasgou o silêncio estéril.

A porta se abriu abruptamente. Helena entrou, seu rosto habitual de calma estava marcado por linhas de preocupação profunda. Mas era quem estava atrás dela que fez o coração de Olívia quase explodir de alívio.

— Mamãe!

Léo correu para a cama, seus pequenos pés descalços batendo no piso frio. Ele se jogou contra ela, seus braços envolvendo seu pescoço com uma força desesperada. Olívia o agarrou, enterrando o rosto em seus cabelos macios, inalando seu cheiro de criança, de vida, de existência. Um choro profundo, gutural, brotou de suas entranhas. Era um som de alívio tão agudo que beirava a dor.

— Você está bem, meu amor? — ela soluçou entre os beijos que depositava em seu rosto, em seu cabelo. — Você está bem? Eles te tocaram? Te machucaram?

— Não, mamãe — Léo sussurrou, seu rosto enterrado em seu ombro. — A tia Helena e eu estávamos no jardim secreto. Tinha uns homens maus, mas os tios grandes chegaram e gritaram, e eles correram. Mas… — sua voz ficou pequena, trêmula — …eles pegaram o meu carrinho vermelho. O que vai rápido. Levaram embora.

Aquilo partiu o que restava do coração de Olívia. Eles haviam violado seu santuário, roubado um pedaço da inocência dele. Seus braços apertaram-no ainda mais forte.

Helena se aproximou, colocando uma mão firme e reconfortante no ombro de Olívia.

— Está tudo bem agora, querida. Ele está seguro. Ninguém o tocou. Os seguranças que o Ian contratou foram rápidos. Muito rápidos.

Olívia ergueu o rosto encharcado de lágrimas, ainda abraçando Léo.

— Como? O que aconteceu?

Helena puxou uma cadeira e sentou-se, sua expressão grave.

— Tentaram invadir a mansão sim. Pouco depois que você e o Ian saíram para o funeral. Eles pularam o muro leste, onde a cobertura de câmeras era mais fraca. Mas o Ian… ele previu. Tinha homens posicionados em pontos cegos. Homens que não eram da segurança usual. — Ela fez uma pausa, seus olhos escuros estudando Olívia. — Houve um confronto. Dois dos invasores foram capturados. Os outros fugiram. Mas o importante é que o Léo estava comigo, no jardim interno, trancado. Eles nunca chegaram perto dele. Só… só acharam o brinquedo na sala de estar.

Olívia fechou os olhos, uma nova onda de exaustão e terror a inundando.

— Por que, Helena? Por que isso?

A enfermeira — ou melhor, a amiga — se inclinou para a frente, sua voz baixando para um tom urgente, maternal.

— Olívia, querida, você precisa ouvir-me. Você precisa sair desta cidade. Leve o Léo e vá para longe. Para algum lugar onde ninguém saiba o nome Moretti. — Seus olhos brilhavam com uma sinceridade aterradora. — Isto aqui… isto é um poço de cobras. E elas não vão parar. Elas usam crianças, usam gravidez falsa, usam mortes… não há limite. Você é uma boa mãe. Uma boa pessoa. O Léo merece crescer longe disso tudo.

Olívia abriu os olhos e encarou Helena. A oferta era tentadora. Fugir. Escapar. Proteger seu filho acima de tudo.

— E Ian? — ela perguntou, sua voz ainda fraca.

A expressão de Helena se fechou. Ela engoliu em seco, um movimento quase imperceptível, mas carregado de significado sombrio.

— O Ian… — ela começou, escolhendo as palavras com cuidado — …provavelmente foi fazer alguma coisa da qual vai se arrepender pelo resto da vida.

Um calafrio percorreu a espinha de Olívia.

— Exato — Matheus confirmou. — Só que o plano deles tinha uma falha. Eles acharam que o Léo poderia estar com a Carolina, ou que você o teria levado. Não contavam com a segurança extra que Ian montou na mansão. E não contavam… — ele fez uma pausa significativa — …com a mentira da gravidez ser desmascarada tão rápido.

Olívia prendeu a respiração.

— Onde está o Ian, Matheus? — Olívia perguntou, seu coração batendo acelerado.

Matheus a encarou, e em seus olhos ela viu a mesma sombra que Helena mencionara. A sombra de ações que não podem ser desfeitas.

— Ele foi atrás da fonte. Ele tem o homem que capturamos. E ele tem um nome. — Matheus fez uma pausa longa. — Eu tentei pará-lo. Mas quando ele viu você desmaiar, quando soube que tocaram no brinquedo do Léo… algo dentro dele se quebrou. Ele não é mais o CEO, Olívia. Ele é o pai. E alguém ameaçou seu filho.

Olívia sentiu um frio mortal percorrer seu corpo. As palavras de Helena ecoaram em sua mente: “Algo da qual vai se arrepender pelo resto da vida.”

— Você tem que pará-lo, Matheus — ela disse, sua voz urgente. — Antes que ele faça algo… irreversível.

Matheus balançou a cabeça lentamente, uma expressão de resignação fatalista em seu rosto.

— Já é tarde demais para isso. A única coisa que podemos fazer agora é nos prepararmos para as consequências. — Ele se virou para sair, mas parou na porta. — E, Olívia? Se eu fosse você, faria o que a Helena disse. Pelo menos por um tempo. Porque o que vem a seguir… vai ser feio. E Ian vai querer você e Léo longe do fogo cruzado.

Ele saiu, deixando-a sozinha com o zumbido dos aparelhos e o eco das palavras dele.

Olívia olhou para a janela, para a escuridão lá fora. Em algum lugar naquela noite, o homem que amava estava cavalgando em direção ao seu próprio inferno, movido por um desejo de vingança e proteção que ela entendia muito bem. Porque ela sentia o mesmo.

Fugir? Talvez. Mas não agora. Não enquanto ele estava lá fora, sozinho.

Ela apertou os lençóis com as mãos, uma nova determinação nascendo das cinzas do seu desespero. Eles haviam tocado no seu filho. E agora, eles iam descobrir o que acontecia quando uma mãe era encurralada.

O tempo da fuga havia acabado. Agora era hora de lutar.

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