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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 261

O som do corpo de Olívia batendo nos degraus de pedra da capela ecoou nos ossos de Ian como um sino fúnebre. Ele a pegou antes que sua cabeça atingisse o chão. Era leve demais. Frágil demais. Um contraste violento com o fogo nuclear que consumia suas próprias entranhas.

Ele a levou até o carro, seus movimentos mecânicos, precisos. A raiva era uma entidade viva dentro dele, pulsando com cada batida do seu coração, alimentada pela imagem queimada em sua retina: o carrinho vermelho de Léo, o brinquedo barato e amado, na mão suja de um estranho. O sorriso cruel. A provocação muda.

Tocaram no que é meu.

A frase girava em sua mente, primitiva, absoluta. Não era sobre posse. Era sobre território. Sobre o santuário violado. O quarto do seu filho. A paz da sua mulher.

Ele a colocou no banco de trás do Aston Martin, seu rosto de porcelana pálida contra o couro preto. Matheus tentou bloqueá-lo.

— Ian, espere. É o que eles querem. Que você aja sozinho, por impulso.

Ian ergueu o olhar. O que Matheus viu fez o segurança endurecer. Não era a fúria explosiva do CEO arrogante. Era algo muito mais silencioso e muito mais perigoso. Uma calma glacial, onde a turbulência tinha congelado.

— Eles pegaram o brinquedo do meu filho, Matheus — a voz de Ian saiu plana, sem inflexão. — Eles olharam para Olívia e sorriram. Eles não querem que eu aja por impulso. Querem que eu os encontre. E é exatamente o que vou fazer.

Ele empurrou o homem capturado — o que ficara para trás com a perna sangrando — para o porta-malas. O homem gemeu, mas um olhar de Ian o silenciou. Aquele olhar não prometia dor. Prometia extinção.

Não houve discurso. Não houve plano. Ian entrou no carro e dirigiu para um dos armazéns abandonados da empresa fantasma dos Moretti à beira do rio. Conhecia o lugar. Concreto, escuridão, isolamento. O eco perfeito para o que havia se tornado.

O interior do armazém cheirava a mofo, óleo velho e água parada. Ian arrastou o homem para dentro, seus sapatos arrastando na sujeira. A única luz vinha de uma lâmpada pendente de LED que ele trouxera, cujo brilho cru criava sombras agressivas nas paredes vazias.

Ele amarrou o homem a uma pesada cadeira de metal, herança de algum escritório esquecido. A fita adesiva prateada brilhava grotescamente no pulso sujo do capturado.

Ian não disse uma palavra. Arrancou a mordaça.

O homem ofegou, seus olhos esbugalhados varrendo o espaço vazio, depois fixando-se em Ian.

— Por favor… eu só… segui ordens…

Ian ignorou o pedido. Circulou a cadeira, seus passos ecoando no vasto espaço.

— Vocês foram à minha casa — a voz de Ian quebrou o silêncio, um corte limpo no ar pesado. — Um de vocês andou pelo quarto do meu filho de cinco anos. Tocou nos brinquedos dele. Escolheu um. Roubou.

— Não fui eu! — o homem gaguejou. — Eu estava no perímetro! Foi o outro, o Russo!

— E depois — Ian continuou, como se não tivesse ouvido — vocês foram ao cemitério. Viram a minha mulher. Olharam para ela. E um de vocês sorriu enquanto a via cair.

Ian parou atrás da cadeira. O homem tentou virar a cabeça, mas não conseguiu. Só podia sentir a presença, o perigo iminente.

— Você sabe o que é ter uma família? — Ian perguntou, sua voz sussurrando perto do ouvido do homem. — Não estou falando de sangue. Estou falando da coisa que você protege mesmo quando não há mais nada para proteger. A coisa pela qual você rasga o mundo ao meio se for preciso.

— Eu tenho filha… — o homem soluçou.

Ian deu a volta e ficou de frente para ele. Seus olhos eram buracos negros.

— Então você entende. Agora me diga: quem mandou vocês tocarem na minha?

O homem tremeu. O conflito era visível em seu rosto: o medo do homem à sua frente contra o medo de quem o havia contratado.

— Eles… eles vão matar minha família.

— EU VOU TE MATAR AGORA! — o rugido de Ian explodiu no armazém, um som de pura fúria animal que fez o homem gritar.

Ian avançou, pegou a cadeira pelas laterais e a ergueu, com o homem ainda amarrado, alguns centímetros do chão, antes de cravá-la de volta no concreto. O impacto sacudiu os dentes do capturado.

— NOME! — Ian exigiu, seu rosto a centímetros do outro.

O homem chorou. Lágrimas e muco escorriam por seu rosto.

— Foi a Carolina! A sua ex louca! Ela pagou! Deu os mapas, os horários, tudo!

Ian soltou a cadeira. Um frio diferente, não de raiva, mas de cálculo rápido, percorreu sua espinha. Carolina. Ela havia feito a cena da gravidez. Faria sentido. Vingança por saber que seria rejeitada? Para machucar Olívia? Possível. Mas parecia… pequeno. Carolina era uma oportunista, não uma estrategista.

— Mentira — Ian declarou, sua voz voltando ao tom plano e mortal. — Carolina não tem recursos, nem coragem, nem motivação para mirar no meu filho. Ela é uma ferramenta. Como você. Quem a segurava?

— Eu não sei! Juro! Só ouvia um nome… um codinome…

Ian se inclinou. A luz da lâmpada pendente atrás dele lançava seu rosto em sombras, tornando-o uma silhueta ameaçadora.

— Fale.

O celular no bolso de Ian vibrou. Ele o pegou com a mão livre, os olhos ainda fixos no homem aterrorizado na cadeira.

Era uma mensagem de um número desconhecido.

"Agora você sabe que a árvore venenosa tem raízes na sua própria cama, Ian. O brinquedo foi só para mostrar que posso chegar até o fruto mais doce. Venha buscá-lo. Venha até onde a árvore da sua mulher foi plantada. – L."

O lugar onde Olívia cresceu, ele pensou no mesmo instante.

Não era um convite para uma batalha. Era uma convocação para uma revelação.

Ian olhou para o homem na cadeira. O medo nele era real, mas agora parecia irrelevante. Um peão. Como Carolina. Como todos eles.

Ele havia cruzado a linha. Havia usado terror, violência, a ameaça da dor. Tinha o nome. Lenora Belmonte. E sabia que isso levava direto ao coração de Olívia, ao passado enterrado dela, a uma verdade que poderia destruí-los de uma forma que balas e sequestros nunca conseguiriam.

A guerra não era mais dele contra um inimigo. Era dele contra o passado fantasma da mulher que amava. E o campo de batalha era a alma dela.

Ian deixou o pé de cabra cair no chão com um baque metálico. Virou-se e caminhou em direção à porta.

— Por favor… — o homem chorou atrás dele. — O que vai fazer comigo?

Ian parou na porta, sua silhueta cortada contra a luz fraca que vinha de fora.

— Vou deixá-lo aqui. Alguém virá buscá-lo. — Ele não olhou para trás. — Reze para que eu encontre Lenora Belmonte antes que ela decida que sua filha não vale mais a pena como refém.

Ele saiu, mergulhando na noite. A fúria cega havia se transformado. Agora era um propósito frio e afiado.

Ele tinha um nome. Tinha um lugar.

E tinha uma mulher, em um hospital, que não fazia ideia de que o monstro que a ameaçava poderia carregar o mesmo sangue que corria em suas veias.

O Aston Martin rugiu na estrada deserta. Ian não estava mais apenas atrás de vingança.

Estava atrás de uma verdade que poderia custar-lhe tudo.

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