O eco do nome ainda vibrava no ar úmido da floresta. Lenora Belmonte. Olívia sentou na lama fria, o mundo girando ao seu redor. O sobrenome era seu. O sangue parecia gelar em suas veias.
— Minha mãe — ela sussurrou, as palavras saindo como uma confissão aterrorizada. — O nome da minha mãe…
Ian, ainda ensanguentado e respirando pesadamente, fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, a fúria cega havia dado lugar a uma determinação gélida e perigosa.
— Então vamos perguntar a ela — ele disse, sua voz rouca da luta e da revelação.
Ele ajudou Olívia a se levantar, seu toque firme, mas gentil. Léo, agora acordado e chorando baixinho, foi transferido para os braços de Ian enquanto ele conduzia mãe e filho de volta ao Aston Martin danificado.
Dentro do carro, o silêncio era novamente opressivo, mas agora carregado de uma urgência diferente. A chuva diminuía para uma garoa fina.
— Não podemos levá-lo — Ian disse, olhando para Léo no banco de trás, onde Olívia o aconchegava. — Onde quer que vamos, será perigoso.
— Helena — Olívia sugeriu, sua voz trêmula. — Ela ainda estava no hospital quando saímos. Falou que iria para mansão, nos esperar voltar. Podemos deixá-lo com ela. Com os seguranças.
Ian acenou com a cabeça, já pegando o telefone via satélite. Em poucos minutos, ele coordenou um ponto de encontro distante e seguro. Uma van preta com dois dos homens de Matheus — os que sobreviveram à emboscada — os encontrou em um posto de gasolina fechado na beira da estrada. A transferência foi rápida e dolorosa. Olívia beijou o rosto de Léo, prometendo voltar logo, seu coração se partindo ao ver seu filho ser levado para longe, protegido por estranhos armados.
De volta ao carro, agora só os dois, Ian colocou o carro em movimento, navegando por estradas secundárias em direção ao endereço que Olívia, com uma voz fantasmagórica, forneceu — um bairro tranquilo e modesto nos subúrbios, onde sua mãe, ou a mulher que ela pensava ser sua mãe, morava há décadas.
— Ian — Olívia falou depois de um longo silêncio, seus olhos fixos na estrada escura. — Como você… como você descobriu esse nome? O que aconteceu antes de você chegar na floresta?
Ian apertou o volante. A luz dos postes de rua que passavam iluminava seu perfil marcado pela luta.
— Eu fui atrás do homem que capturamos no cemitério — ele começou, sua voz contida. — Levei-o a um lugar isolado. Ele estava aterrorizado. Disse que foram contratados por uma mulher. Uma intermediária, na verdade. Carolina.
Olívia arfou.
— Carolina? Mas por quê?
— Para ser a isca. Para nos distrair no funeral, enquanto o verdadeiro ataque acontecia na mansão. Mas quando pressionei, ele cedeu o nome do mandante. Ou, pelo menos, o nome que ele ouviu. — Ian fez uma pausa, seus maxilares se tensionando. — Lenora Belmonte. Quando ele disse o sobrenome… algo clicou. Eu já estava a caminho de descobrir quem era essa ‘Lâmina’, essa ‘Segunda’. Tinha pistas que levavam a um passado sujo do meu avô, a herdeiros renegados… Mas ouvir aquele sobrenome… — ele olhou rapidamente para Olívia — …eu mudei o curso. Vim atrás de você. Parecia que cada passo que eu dava, eles já sabiam. Como se estivessem dentro da minha cabeça. Quando a mensagem do ataque na estrada chegou… foi como se eles estivessem me guiando até você, para testemunhar.
— Testemunhar o quê? — Olívia perguntou, um frio na espinha.
— O meu desespero — Ian respondeu, sua voz quase inaudível. — A minha queda. Eles não querem apenas nos machucar, Olívia. Querem nos quebrar. E usar seu próprio passado, seu próprio sangue, para fazer isso… é a arma perfeita.
A casa era uma construção simples de tijolos à vista, com um pequeno jardim bem cuidado, agora encharcado pela chuva. As luzes estavam apagadas. Era quase três da manhã.
Ian estacionou o carro a uma quadra de distância. Eles saíram em silêncio, a garoa fina um véu úmido sobre eles. Caminharam até o portão. O ar cheirava a terra molhada e jasmim.
Olívia hesitou diante da porta. Esta casa era um santuário de memórias simples — jantares silenciosos, aniversários sem festa, a presença constante, mas emocionalmente distante da mulher que a criou. Bater naquela porta no meio da noite, com essa acusação, era violar o último porto seguro de sua infância. Mas quem ela estava tentando enganar? Aquilo nunca foi um lar para ela.
Ian colocou uma mão firme em seu ombro. Um gesto de apoio, mas também de pressão. Era preciso fazer.
Ela bateu na porta. O som ecoou na rua silenciosa.

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