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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 275

O bip-bip-bip do monitor era o novo batimento cardíaco da existência de Olívia. Ela observou Ian adormecer, a mão ainda envolta na dele, até que sua respiração se tornou profunda e regular sob o efeito da medicação. Só então se permitiu soltar um suspiro que vinha de um lugar cansado de sua alma. Levantou-se com cuidado, cada músculo protestando contra as horas de imobilidade tensa, e saiu do quarto da UTI.

No corredor, o ar mudou imediatamente. Do silêncio carregado de dor e máquinas para o ar frio e vigilante da segurança. Matheus estava lá, uma torre de tensão e culpa encarnada, seus olhos escaneando o corredor sem cessar. Ainda ao seu lado, inesperademente Carla permanecia.

— Carla — Olívia disse surpresa, mas com um vislumbre de alívio genuíno. Ver um rosto familiar que não estava ligado àquele pesadelo era um bálsamo.

— Não me deixe começar — disse Carla, abrindo os braços. O abraço foi rápido, mas firme. — Você não deveria estar sozinha nisso.

Olívia anuiu, engolindo em seco. Apoiou-se na parede fria, o cansaço quase físico da conversa com Helena voltando a pesá-la. Olhou para Matheus.

— Ela falou. Helena. Disse onde está o resto. Tudo.

Matheus franziu a testa, seu instinto profissional sobrepondo-se a qualquer outro sentimento.

— Onde?

Olívia passou as informações: o nome do banco no interior do estado, o código do cofre, o nome do advogado que guardava as chaves e o diário com as senhas.

— Ela chamou de ‘herança’. São provas. De tudo. Dos Moretti, dos sócios, dos crimes. É o que precisamos para enterrar isso de vez.

Matheus já estava assimilando, processando logística, riscos.

— Eu vou. Agora mesmo. Consigo uma escolta de confiança da polícia civil, alguém que não esteve na folha de pagamento dos Moretti.

— Eu… eu iria — Olívia disse, e a frustração era palpável em sua voz. — Mas não posso deixá-los. Não agora.

Foi então que Carla interveio, sua voz clara e decidida cortando o ar.

— Eu vou com ele.

Olívia e Matheus se viraram para ela, igualmente surpresos.

— Carla, você não precisa… — começou Olívia.

— Preciso, sim — ela cortou, sem olhar para Matheus. Seu olhar era para Olívia, mas sua postura era um muro voltado para ele. — Já fiquei afastada demais. De você. De tudo. Não por medo, mas por… orgulho tolo. Errei ao me afastar quando você mais precisava de uma amiga de verdade. Estou aqui agora. E se isso ajuda a acabar com a ameaça sobre você e o Léo, então eu vou. É simples.

Matheus a observou, um músculo pulsando em sua mandíbula. Eles não haviam trocado uma palavra pessoal desde a noite em que ele a deixou esperando no restaurante. O rancor dela era um campo de força visível.

— Não é missão para civis — ele disse, a voz mais áspera do que pretendia.

— A Helena era uma ‘civil’. E conseguiu arquitetar tudo isso — Carla rebateu, finalmente lançando-lhe um olhar gélido. — Eu sei lidar com documentos, com burocracia, com códigos. Você sabe atirar e dar ordens. Parece uma combinação funcional. É só isso.

Olívia olhou de um para o outro, sentindo a tensão cortante entre eles. Mas a lógica de Carla era irrefutável, e ela não tinha energia para discutir.

— Certo — ela assentiu, esfregando a têmpora. —Vão. Mas, Matheus, antes de você ir, preciso de mais uma coisa. Envie para mim, o mais rápido possível, uma lista. Os nomes dos sócios majoritários das Indústrias Moretti que ainda estão ao lado de Ian. Não os que fugiram depois do escândalo. Os que ficaram.

Matheus entendeu imediatamente. Era hora de separar os aliados verdadeiros dos abutres. Ele assentiu.

— Em uma hora você tem a lista.

***

A viagem até o escritório do advogado foi feita em um silêncio tão espesso que parecia sufocante dentro da viatura não identificada. Carla mantinha os olhos fixos na paisagem urbana que passava, seus dedos tamborilando nervosamente na bolsa. Matheus, ao volante, parecia esculpido em granito. O ar estava carregado do não dito, da humilhação dela, da culpa dele.

No escritório, a tensão não diminuiu. O advogado, um homem idoso e assustado, entregou o que foi pedido com mãos trêmulas: um envelope lacrado com as chaves físicas do cofre e um pequeno caderno de capa de couro gasto – o diário de Helena. Carla o pegou, folheando as páginas com uma eficiência clínica, enquanto Matheus conferia as chaves.

O próximo passo era um voo relâmpago para o interior. A logística foi um pesadelo de última hora, mas o dinheiro e os contatos de Matheus (e a urgência do caso) abriram portas. No avião particular, o silêncio continuou. Carla trabalhava, traduzindo anotações cifradas do diário, recusando-se até mesmo a aceitar um copo d’água das mãos dele.

Só quando chegaram ao local, dentro do frio e impessoal cofre privativo do banco, o peso do que estavam recolhendo quebrou um pouco a barreira profissional. Abrir a caixa de metal foi como abrir a sepultura dos segredos dos Moretti. Pilhas de documentos, pen drives, cartões de memória, até antigas fitas cassete. Havia nomes, datas, valores que faziam os olhos de Carla arregalarem.

— Meu Deus — ela sussurrou, segurando uma lista de pagamentos a políticos. — Isso aqui não destrói uma família. Destrói um país.

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