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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 276

O ar na sala de conferências privada do andar executivo do hospital era diferente. Não tinha o cheiro antisséptico da UTI, mas sim um perfume pesado de poder, hesitação e café caro. Olívia estava em pé à cabeceira da mesa longa de madeira escura, vestindo um tailleur emprestado que Carla trouxera na mala para ela. O traje lhe ficava um pouco largo, mas transmitia a solenidade necessária. Seu rosto estava pálido, mas seus olhos, ainda marcados pelo cansaço, queimavam com um foco frio.

À sua volta, seis homens – os sócios majoritários remanescentes das Indústrias Moretti que não haviam fugido depois dos escândalos ou sido apontados nos arquivos de Helena como corruptos – a observavam com uma mistura de curiosidade, ceticismo e preocupação genuína.

— Obrigada por virem em um momento tão crítico — começou Olívia, sua voz clara, sem hesitar. — O Ian está estável. A bala não atingiu órgãos vitais, mas a recuperação será longa. Ele está sedado agora, mas antes disso, foi categórico sobre uma coisa: a empresa não pode cair. Não por causa do nome, mas por causa das milhares de famílias que dependem dela, e dos projetos limpos que ele estava implementando.

Um dos sócios, Eduardo Lopes, o mais velho do grupo, inclinou-se para a frente.

— Olívia, temos respeito por você. Pela sua coragem. Mas a realidade é que o mercado está em pânico. O escândalo é nuclear. Ações despencando, parceiros rescindindo contratos…

— Exatamente — ela cortou, firmando as mãos na mesa. — É por isso que precisamos agir agora. Mostrar que, apesar da podridão do passado, a operação atual é sólida, ética e tem futuro. O Ian já havia iniciado auditorias internas e planos de transparência. Precisamos acelerá-los. Torná-los públicos. Usar essa… limpeza forçada como um novo começo.

Outro sócio, um homem mais novo chamado Roberto, pareceu considerar.

— E quem lidera isso? Com Ian incapacitado…

— Eu lidero a comunicação, a interface com o público e com vocês — Olívia respondeu sem vacilar. — Tenho o diário de Nicolau, todas as provas. Podemos isolar o câncer. Separar o que era do império sujo do que é a indústria legítima. Para as decisões operacionais e financeiras críticas, teremos um comitê executivo formado por vocês três — ela apontou para Eduardo, Roberto e um terceiro homem — com poderes limitados e prestação de contas diária ao Ian, e a mim, enquanto ele se recupera.

Houve um murmúrio de surpresa. Eles esperavam desespero, uma mulher frágil pedindo ajuda. Encontraram uma estrategista.

— É arriscado — ponderou Roberto. — Mas… é o único plano que não envolve liquidação total. E, para ser franco, sabemos do que o Ian é capaz. Se ele sobreviveu a um tiro para contar a verdade, não queremos ser os que abandonaram o barco quando ele voltar.

Foi então que Eduardo soltou um pensamento em voz alta, mais para si mesmo:

— Falando em barco… com Alexander preso, Alberta e Helena na cadeia, e Nicolau e Benjamin mortos… a parte da família que detinha controle acionário se consolidou toda no Ian, não? A porcentagem que era do Nicolau e do Benjamin foi para ele após a morte deles. Até o filho de vocês ser de maior, o Ian é o tutor e controla os votos.

Um silêncio assentiu ao redor da mesa. Era verdade. A catástrofe familiar, ironicamente, concentrou o poder formal nas mãos de Ian.

Foi o sócio mais quieto, um contador chamado Artur, que falou, ajustando os óculos.

— Estão esquecendo de alguém. Na equação familiar… e possivelmente na acionária.

Todos olharam para ele.

— A Clara. A namorada de Benjamin que virou… amante do Alexander. Ela carregava um filho dele. Se a criança nascer e for reconhecida… ela terá uma fatia. E, até a maioridade, a mãe terá influência.

O ar na sala esfriou vários graus. Olívia sentiu um frio na espinha. Clara. Grávida, foragida, possivelmente armada com uma participação na empresa e com o ódio de ter sido usada e abandonada por Alexander. Um fantasma com um segredo no ventre e, potencialmente, uma chave para mais turbulência.

Do outro lado do estado, a tensão dentro do carro que levava Matheus e Carla do banco era ainda mais espessa do que a neve que começava a cair. O beijo e o tapa haviam erguido um muro de gelo irrespirável. Carla mantinha os olhos fechados, fingindo dormir, o tornozelo dolorido imobilizado sobre os malotes. Matheus dirigia com uma concentração feroz, os nós dos dedos brancos no volante.

Eles estavam se aproximando de um aeroporto privado menor quando Carla, abrindo os olhos por cansaço da farsa, viu algo.

— Matheus.

A urgência na voz dela fez seus instintos reagirem antes que seu cérebro processasse. Ele reduziu a velocidade.

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