O hospital parecia ter se tornado o quartel-general de todos os dramas. Quando o carro blindado parou na entrada reservada, a sensação foi de desembarcar em uma zona de guerra silenciosa. Matheus saiu primeiro, seus olhos varrendo o perímetro antes de abrir a porta de trás.
Clara desceu com dificuldade, suas mãos ainda algemadas na frente, o rosto pálido e sujo de lágrimas secas. Ela olhou para o prédio imponente com o medo de um animal sendo levado ao abatedouro. Carla saiu logo atrás, seu rosto um misto de cansaço e tensão resolvida. Ela pegou a pequena bolsa da grávida, um gesto quase mecânico.
Olívia os esperava na porta, seus braços cruzados. O alívio de ver Carla e Matheus sãos e salvos foi imediatamente ofuscado pela visão de Clara. A mulher que ajudara Alexander a ameaçar seu filho. A raiva, fria e afiada, subiu em sua garganta.
— Traga-a para dentro — Olívia ordenou, sua voz sem emoção. — Já avisei o setor de emergência. Ela precisa ser examinada, pelo bem da criança.
Clara tremia.
— Por favor, Olívia… não me entregue à polícia. Eu só queria fugir dele, eu juro…
Olívia se aproximou, seus olhos faiscando.
— É exatamente para onde você vai, assim que os médicos liberarem. É o que você merece por ter colocado as mãos no meu filho. — A rudeza nas palavras era intencional, um escudo para a fúria que ainda queimava.
Clara encolheu-se, um novo tremor a percorrendo. Carla, ao seu lado, lançou um olhar rápido para Olívia, mas manteve-se em silêncio. Este não era o momento para piedade.
Um médico e uma enfermeira surgiram com uma cadeira de rodas. Matheus destravou as algemas por um instante, apenas o suficiente para transferir Clara para a cadeira, antes de prendê-la novamente em um dos braços do móvel. Foi um procedimento rápido e eficiente.
— Leve-a para os exames de rotina e pré-natal — Olívia instruiu o médico. — Eu falarei com ela depois.
Conforme Clara era levada pelo corredor, seu olhar perdido e assustado voltou-se para trás uma última vez antes de desaparecer atrás das portas duplas.
Matheus respirou fundo, a tensão do resgate começando a ceder.
— Preciso passar as informações para a equipe de plantão, atualizar o perímetro de segurança com a nova… hóspede. — ele disse, sua voz rouca. Ele lançou um olhar rápido, complexo, para Carla, antes de se afastar em direção a um grupo de seguranças no final do corredor, deixando as duas amigas sozinhas em um nicho silencioso.
O silêncio entre elas, por um momento, foi preenchido apenas pelo zumbido baixo do hospital. Olívia esfregou o rosto, a exaustão batendo em ondas.
— Meu Deus, Carla… que inferno.
Carla aproximou-se, colocando uma mão firme no ombro da amiga.
— Está tudo caótico. Mas você está segurando as pontas de um jeito que eu nunca imaginei ser possível.
Olívia deu um sorriso torto e sem humor.
— É o que sobrou. Não tenho escolha. — Ela olhou para Carla, realmente olhou. Viu a tensão nos cantos de sua boca, a sombra nos olhos que iam além do cansaço da viagem. — E você? Como está? E… você e o Matheus? — A pergunta saiu cuidadosa, mas direta. Ela tinha visto a tensão elétrica entre eles ao descerem do carro.
Carla soltou um riso curto, amargo.
— Matheus e eu? Não existe nada, Olívia. Absolutamente nada. — A negação foi rápida, quase agressiva. — O que aconteceu foi… um erro. Um momento de estupidez coletiva. E está enterrado. — Ela cruzou os braços, um gesto defensivo. — Estou aqui por você. Só por você.
Olívia ia responder, talvez pressionar um pouco mais, quando uma figura surgiu na entrada do corredor, fazendo Carla paralisar.
Era o doutor Andrade. O médico residente, charmoso, de sorriso fácil que havia encaminhado a recuperação de Léo. O homem com quem Carla tivera um caso intenso e breve, antes de descobrir, da pior maneira possível, que ele era casado e tinha dois filhos. A descoberta a havia devastado.
— Carla? — A voz de Rafael era suave, cheia de uma surpresa estudada. — Não acredito! O que você está fazendo aqui outra vez?
Carla bufa, fechando os olhos por um segundo, como se pedindo paciência ao universo.
— Parece que nada hoje tem como piorar, e então ele aparece — ela murmurou para Olívia, sua voz carregada de sarcasmo e dor antiga.

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