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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 28

Olívia estava sentada no tapete do quarto, as pernas cruzadas, uma pilha de roupas limpas ao lado, dobrando uma das camisetas preferidas de Leo.

Dobrar cada camiseta dele, cada calça minúscula, era seu jeito de manter a cabeça ocupada ou de fingir que estava.

O tecido macio ainda guardava o cheiro suave do amaciante, um cheiro que ela associava aa segurança.

Cada dobra era precisa, como se colocar ordem nas roupas fosse também uma forma de colocar ordem na própria cabeça.

Não funcionava.

Foi quando ouviu o som seco da porta sendo aberta sem qualquer batida, fazendo seu corpo travar. Não precisou olhar para saber quem era.

O ar pareceu mudar. Ficou mais denso.

Ian entrou sem bater. Sem pedir licença. Sem sorrir. Alto, imponente, a sombra dele se alongava pelo chão até tocar a ponta dos pés dela.

Não disse nada. Apenas fechou a porta atrás de si com um clique suave… e definitivo.

A tensão parecia grudada nele como uma segunda pele. E o silencio que se seguiu não era de paz ou de vazio, era carregado, de algo prestes a quebrar.

Olívia continuou dobrando a camiseta nas mãos, mas a costura da barra escapou dos dedos. Quando ele entrou, só soube que aquele dia não pinta a seu favor.

— Não tenho tempo pra conversar agora — disse, mantendo os olhos nas roupas. — Leo tem consulta hoje.

— Melhor, por que não vamos pra lá nós três? Eu levo vocês — Ian respondeu de pronto, como se já tivesse decidido.

Olivia ergueu o rosto devagar, os olhos, firme.

— Não precisa. A Carla vem nos buscar.

Ele apenas arqueou uma sobrancelha, mas não discutiu. Em vez disso, deu alguns passos pelo quarto, como se estivesse avaliando o espaço… ou a paciência dela.

Foi nesse momento que Leo apareceu, a porta do banheiro se abriu novamente e ele saiu com o cabelo bagunçado e um brinquedo na mão.

— Mãe, posso levar o meu carrinho vermelho?

Antes que ela respondesse, ele parou na porta, olhando Ian com curiosidade. Olivia segurou a respiração.

Ian se agachou em sua frente, para ficar na mesma altura que ele.

— Só se me prometer que vai me mostrar como ele corre rápido. — Disse Ian, com o tom mais leve que jamais havia sido ouvido antes.

O garoto riu, concordando. A cena durou poucos segundos, mas foi o suficiente para apertar algo no peito de Olívia.

Ela não queria ver aquele tipo de interação. Não queria que o filho criasse laços com alguém que podia partir a qualquer momento ou machucar de formas que ela conhecia muito bem. Gostaria que isso acabasse agora.

— Você é o moço que mora aqui. O das flores. — disse Leo, simples e direto.

Ian sorriu, devolvendo o carro ao garoto.

— Acho que sim. E você é o famoso Leo.

Ele sorriu, tímido.

— A mamãe fala de mim? — ele quis saber.

— Só coisas boas. — Ian respondeu, e dessa vez o sorriso foi genuíno.

Olivia sentiu outro aperto estranho no peito. Não era só desconforto... era quase perigoso ver aquela troca. Uma parte dela queria afastar Leo no mesmo instante, mas outra parte... Outra parte queria que ele continuasse ali, sorrindo,

— Vai terminar de se arrumar, Leo — ela sugeriu, a voz um pouco mais suave. — A mamãe já está indo.

O menino obedeceu, assentido e saiu com o carrinho na mão, de volta ao banheiro. Quando ficaram sozinhos novamente, o clima mudou de volta. O silencio ficou mais pesado do que antes.

Ian endireitou a postura, os olhos cravados nela.

— Precisamos falar sobre a Carolina. — Ian disse, sem rodeios.

Olivia cruzou os braços, inclinando o corpo para trás numa defesa automática.

— Ah, sim... Percebi o carinho entre vocês no café da cama. — ela devolveu, carregando ironia, como se cuspisse a palavra. — Foi bonito de ver.

Ele estreitou os olhos. O músculo no maxilar dele saltou.

— Não é piada, Olivia. E menos ainda o que você pensa.

— E o que eu penso, Ian? — Ela provocou. — Que você odeia uma mulher ao ponto de chama-la de vagamunda, mas não explica por quê?

Ele deu um passo à frente, o corpo inteiro tenso. Respirou fundo, como se tentar se controlar fosse um esforço físico.

— Você não sabe o que aquela mulher é capaz de fazer.

— Não. Mas pelo que vi, vocês têm intimidade suficiente pra trocar ofensas de velhos conhecidos.

— Se a Carolina ficasse aqui… — ele disse, a voz arrastada, como se cada sílaba fosse um aviso — não é só o meu passado que vai te destruir. É o seu também.

O silêncio se estendeu. Ele deu meia-volta, mas antes de sair, lançou de novo o olhar por cima do ombro.

— Ela não é mais a enfermeira do Léo. Eu mesmo vou encontrar outra.

Olivia estava prestes a bater a porta com força na cara dele, estava cansada, como se tivesse andado milhares de milhas. Foi quando Ian parou na porta, apoiando a mão no batente como se precisasse de um segundo para se conter.

O olhar, porém, não tinha nada de calmo.

— Eu já estava me esquecendo. Me explica… por que diabos você deixou uma estranha entrar na casa? — A voz saiu firme, quase um rugido contido.

Olívia cruzou os braços, sustentando o olhar dele. A mudança drástica de expressão a pegou de surpresa.

— Pra mim, Ian… todos aqui são estranhos. — Deu um passo à frente. — E, sinceramente, se você não tivesse sumido a noite inteira, nada disso teria acontecido.

Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso curto e irritado surgindo no canto dos lábios.

— Você vai mesmo falar disso de novo? Me cobrar por ter dormido fora?

— Eu não dou a mínima — ela rebateu, seca. — Mas o seu avô dá. Já que, pra ele, nós somos o casal perfeito.

A ironia na última frase fez o maxilar dele travar.

— O que exatamente você quis dizer com isso?

— Nicolau perguntou por você — ela explicou, a voz agora mais controlada, mas carregada de intenção. — E eu disse que você dormiu fora por causa do trabalho.

Um palavrão escapou pelos dentes de Ian, e ele passou a mão pelos cabelos com frustração.

— Você não podia ter falado isso.

— Por quê? — ela rebateu.

— Porque, se pra Nicolau o trabalho ainda continuar acima de tudo, não vai adiantar nada. — Ele apontou para ela, como se tentasse fazê-la entender algo óbvio. — Esse teatro vai desmoronar antes de começar.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, os olhos fixos nela, como se calculasse o próximo passo. Então, respirou fundo.

— Hoje à noite — disse, firme, sem dar espaço para réplica — nós vamos sair pra um jantar romântico. Tá na hora de começar a atuar como um relacionamento de verdade.

O ar no quarto pareceu pesar ainda mais, e Olívia só conseguiu encará-lo, sem saber se queria rir da audácia… ou perguntar se ele realmente tinha noção do que estava dizendo.

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