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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 288

O ato mecânico de pagar a conta — cartão, tela, assinatura — ocupava menos de cinco por cento da consciência de Matheus. O resto era um radar humano, sintonizado em uma única frequência: Carla. A linha de tensão elétrica que os unia desde que chegara na viagem agora vibrava com a antecipação do que ela iniciara. Ele sentia o eco do toque dela sob a mesa, o tecido rendado como uma segunda pele em seus dedos, um segredo quente que ele queria guardar no bolso do seu casaco para sempre.

Seus passos de volta à mesa eram de um predador confiante, o corpo aquecido por um desejo que era tanto fogo quanto possessão. O sorriso íntimo quase tocou seus lábios ao imaginar o que faria com ela assim que a tivesse de volta na suíte.

Então, o radar disparou.

Um homem. De costas para ele. Parado demais perto da mesa, invadindo o perímetro que Matheus, instintivamente, já demarcara como território sagrado. E Carla… o rosto de Carla por cima do ombro do intruso não era o de minutos antes. A cor sumira, deixando uma palidez de mármore. Seus olhos, antes cheios de fogo travesso, estavam agora arregalados, não com medo comum, mas com um horror reconhecido. Era o olhar de quem vê um pesadelo antigo materializar-se em plena luz — ou na penumbra do restaurante vazio.

O sangue de Matheus não esfriou. Ferveu. Um silêncio agudo preencheu seus ouvidos, abafando o som ambiente. O mundo reduziu-se a um túnel: o homem, Carla, e a distância a ser aniquilada.

Ele não correu. A violência que despertara nele era de um tipo mais antigo e mais silencioso. Seus passos, largos e fluidos, não fizeram um único ruído no carpete grosso. Em menos de três segundos, ele não estava mais se aproximando. Ele estava lá.

Sua chegada foi como a súbita queda de pressão antes de uma tempestade. O ar entre as mesas pareceu estancar. Ele não se colocou ao lado. Posicionou-se diretamente entre eles, seu corpo largo e alto obliterando completamente Carla da visão do intruso. Ele não se virou para o homem de imediato. Primeiro, baixou o olhar para Carla, um relance rápido e fulminante que buscou confirmação, que fez uma pergunta silenciosa e recebeu a resposta na dilatação das pupilas dela. Perigo.

Então, virou a cabeça.

Seus olhos, verdes como uma floresta sombria sob o gelo, encontraram os de Rafael. O médico ainda tentava sustentar uma expressão de inconveniência social, mas já se desmanchava diante da parede humana que surgira do nada.

Matheus não falou alto. Sua voz saiu como o arrastar de uma lâmina sendo desembainhada lentamente contra uma pedra de amolar. Um som baixo, áspero, que penetrava os ossos.

— Você. — A palavra foi um projétil solitário. — Tire. Sua. Sombra. Da minha mesa.

Rafael recuou um centímetro, surpreso pela ferocidade específica da ordem.

— Olha, amigo, não precisa desse tom. Eu só vim cumprimentar a Carla, ela é apenas minha...

— Ela não é ‘sua’ nada para você. — A interrupção de Matheus foi um estalo seco. Ele finalmente se virou por completo, e agora sua presença era avassaladora. Não era apenas tamanho. Era a densidade da intenção. — Você tem três segundos para apagar sua presença daqui. Um.

Rafael tentou rir, um som oco.

— Isso é um absurdo! Carla, diga alguma coisa! Quem é esse selvagem?

Matheus ignorou. Seus olhos não se desviavam, medindo não a distância, mas a força do osso da mandíbula, o ponto mais fraco da traqueia.

— Dois.

Foi quando ele agiu. Não para atacar Rafael, mas para reivindicar Carla. Sua mão — a mesma que horas antes traçara mapas de prazer em sua pele — envolveu o braço dela com uma precisão cirúrgica. O toque foi firme, inescapável, mas ao mesmo tempo uma âncora. Ele a puxou para si, girando seu corpo para colocá-la atrás dele, protegida entre suas costas largas e a parede de vidro. Um movimento de proteção tão primal que Carla mal pôde respirar.

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