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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 32

O restaurante parecia suspenso no tempo.

O lugar inteiro parecia ter parado de respirar. O garçom que servia vinho congelou no meio do gesto, copos parados a meio caminho da boca, talheres imóveis sobre pratos caros. As conversas se dissipando em murmúrios, como se alguém tivesse retirado o ar do lugar.

E em questão de segundos, havia celulares apontados para a cena: flashes, gravações, olhos vidrados.

Olívia sentiu o mundo inclinar quando percebeu Ian de joelhos diante dela. Não sentiu o chão. Não sentia o próprio corpo. Apenas o peso esmagador da mão de Ian segurando a dela com força demais.

Uma força que dizia, em silêncio, não ouse estragar isso.

O coração de Olivia não batia em compasso, era um tambor descontrolado, ecoando no peito e nos ouvidos.

Ela piscou, confusa, enquanto ele permanecia ajoelhado diante dela, os olhos fixos, intensos, uma chama controlada queimando neles. E então ouviu a voz dele.

Baixa, grave, envolvente.

Uma voz que qualquer mulher ali juraria ser feita para se entregar.

— Olivia… — ele disse, e o nome dela soou como uma promessa. Seu timbre era grave, mas doce o suficiente para arrancar suspiros das mesas ao redor. — Desde o dia em que você entrou na minha vida, tudo mudou. Você trouxe luz, trouxe verdade, trouxe... esperança.

A palavra esperança caiu sobre ela como ferro quente.

Todas aquelas palavras soavam como líquido caindo sobre a mesa. O tipo de frase que, se dita por outro homem, em outra vida, arrancaria lágrimas de felicidade dela.

Mas naquele instante, cada sílaba era um golpe. Era cruel. Era humilhante.

Quantas vezes, no silêncio da vida que levava antes, Olívia sonhou em ouvir isso de alguém? Quantas noites imaginou um homem dizendo que ela era sua salvação?

Agora, tinha tudo isso. Mas vindo da boca do homem errado, no momento errado, por motivo errado.

O restaurante suspirou junto, como se as frases de Ian carregassem magia.

Mas para Olívia… era veneno.

Ian sorriu, perfeito para as câmeras.

— Não quero mais fingir que consigo viver sem você. — Ele ergueu a caixinha luxuosa, deixando que o diamante brilhasse sob as luzes do restaurante.

O anel explodiu em luz sob os lustres de cristal, um diamante central lapidado em corte perfeito, rodeado por uma constelação de menores. O aro em platina parecia frio até de longe, uma corrente disfarçada de promessa.

— Vou cuidar de você à noite e prometo te amar sem exigências. Olivia Belmonte, você aceita casar comigo? — ele propõe.

O coração de Olivia disparou, mas não de emoção. Fou humilhação. Foi raiva. Foi desespero. “Ele está me usando. Diante de todos.”

Olívia sentiu que todos os olhos a queimavam. Havia dezenas de olhos, celulares, câmeras esperando a reação dela.

Se dissesse “não”, queimaria viva, expunha tudo.

Se dissesse “sim”, era cúmplice do jogo dele.

E não importa o que ela sentisse. Não importaria, de qualquer forma.

Mas de jeito nenhum, ela estragaria tudo, agora que sabe o que está em jogo. A cirurgia de Léo era dali a cinco dias e ela ainda precisava de Ian. Por isso...

Ela sorriu. Um sorriso lindo, ensaiado... Mas cheio de algo letal. Sua boca se abriu antes que a mente pudesse impedir.

E saiu.

Prendendo a respiração, lentamente, ela disse:

— Sim. — A voz saiu doce demais, quase melada. — Mil vezes sim.

O som parecia estranho, quase não reconheceu a própria voz. Era doce, melodioso e falso até o último tom.

Mas o restaurante explodiu em aplausos, taças se ergueram, celulares filmavam. Pessoas batiam palmas, gritavam, brindavam. Os figurantes perfeito para um cenário desastroso.

Ian deslizou o anel em seu dedo. O metal gelado mordeu sua pele.

Ele se levantou e a puxou para um beijo demorado na bochecha, longo demais para ser casual. Para quem assistia, era ternura, real demais. Para ela, foi uma marca de posse.

E no fundo da alma, o gosto era só um: humilhação.

Ah, e ódio. Muito ódio.

De volta à mesa, Ian parecia o retrato da calma.

Mas Olívia percebeu a taça de vinho tremia em sua mão, os dedos brancos de tanta força que fazia, quase estourando ali. A pressão era tanta que o cristal rangia.

Olivia, com o peito em chamas, forçou um sorriso baixo, inclinando-se para perto dele como se fosse uma amante apaixonada. Mas o que saiu de seus lábios, era uma maldição.

— Você é doente. — sussurrou, mantendo o sorriso falso nos lábios. — Isso foi manipulação.

Ian não a olhou. Apenas girou o vinho na taça, como se nada tivesse sido dito.

— Não. — murmurou. — Isso foi sobrevivência. E você acabou de me ajudar a convencer meio salão disso.

As palavras dele caíram sobre ela como pedras.

Carol virou o rosto para ele, a boca pintada de vermelho num arco venenoso. Ela riu, mas a risada era afiada.

— Oh, Vittorio… você sabe tão bem quanto eu. Homens como Ian não mudam. Eles só... trocam a máscara.

Ele riu baixo, mas arqueou a sobrancelha, interessado.

Carol bebeu o último gole de vinho, encostou a taça com força na mesa e se levantou.

— Preciso ir ao banheiro.

O banheiro luxuoso refletia luz dourada nas paredes de mármore.

Carol apoiou as mãos na pia, e, pela primeira vez naquela noite, deixou a máscara cair.

Finalmente desmoronou.

— Filho da puta! — gritou, socando o espelho. O vidro trincou na mesma hora, cortes profundos em seus dedos. — Ele ajoelhou. Ele ajoelhou por ela!

O rímel escorria, borrando o rosto perfeito. Ela puxou o próprio cabelo, trêmula, as lágrimas se misturando com ódio.

— Olha o que você fez, Ian. Você me transformou numa bagunça.

Ele não podia ter acertado dessa vez. Não podia se casar com outra. Seus sonhos não podiam se tornar reais ao lado de alguém que não fosse ela.

— O que essa vadia te deu que eu não dei?

Pensava em Olivia diante de Ian. Ela quem deveria ser a quem estava ao lado de Ian. Ser sua amada, sua mulher, sua amante, sua única. Mas ele estava com Olivia, que sorria demais como uma vadia.

— Por que ela? Por que agora? Isso devia ser meu. Sempre foi meu! — a voz saiu em soluços quebrados. — Como ele ousa… como ele ousa fazer isso comigo?

A porta se abriu atrás dela.

E quando Carol ergueu os olhos, encontrou Olívia parada ali.

As duas ficaram imóveis, o silêncio cortando mais do que qualquer grito. Se encararam.

Carol estava trêmula, o rímel borrado, cabelos em desordem, mãos sangrando, mas mesmo assim, sorriu. Um sorriso quebrado, distorcido, quase bizarro. O tipo de sorriso que não escondia nada, apenas revelava mais loucura.

— Olha só… — disse, a voz rouca. — A noivinha perfeita.

O coração de Olívia bateu forte;

Ela não sabia se recuava… ou avançava.

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