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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 33

O banheiro estava silencioso quando Olívia entrou. O som abafado do restaurante lá fora desapareceu, substituído pelo eco leve das torneiras pingando. O ambiente de mármore branco, frio e sofisticado parecia um contraste cruel para a cena que encontrou.

Carol estava diante do espelho, a respiração irregular, os cabelos loiros, antes perfeitos, agora estavam emaranhados, emoldurando um rosto completamente transtornado. O batom borrado, os olhos úmidos, mãos sangrando. Mas o sorriso ainda cravado nos lábios como uma cicatriz. Ela batia as mãos na pia, respirando rápido, como se buscasse ar e ódio ao mesmo tempo. Ela parecia estar afundando.

A imagem refletida parecia a de uma mulher a beira de um colapso, e talvez, era.

Quando a porta rangeu e Olívia entrou, ela congelou por um instante. Seu coração ficou em alerta. Por pouco ele não parou de bater.

Tudo nela queria recuar. Mas Carol ergueu os olhos no reflexo e a viu refletida no espelho. E o sorriso distorcido, lento, se abriu ainda mais.

— Olha só… — a voz dela saiu rouca, quase um riso, mas raivosa. — A noivinha perfeita.

Olívia franziu o cenho, recuando apenas meio passo. Seu coração batia rápido, mas sua postura era firme. Sentia como se estivesse no ar, mas como um balão sem gás. Ela parou no meio do azulejo gelado, surpresa pela intensidade nos olhos da outra.

Olívia já estava entediada, tão cansada daquela noite, de tudo. Estava desfeita.

— Eu não estou aqui para jogar nenhum jogo. Eu não quero confusão. Não vim brigar com você. — começou, tentando controlar a própria voz. — Vim apenas…

— Apenas o quê? — Carol girou sobre os saltos, avançando um passo. Os olhos dela brilhavam, selvagens. — Mostrar como o anel fica na sua mão? Quer esfregar na minha cara, Olivia?

Carol riu. Foi um riso seco, quebrado, que reverberou contra as paredes brancas.

— Não precisa vir brigar, querida. Você já brigando só de existir.

A voz de Carol cortava como vidro. Cada palavra vinha carregada de veneno.

Virou-se de frente, aproximando-se passo a passo, como um predador que cerca a presa. Olívia inspirou fundo, tentando manter a calma. Se sentia presa na corrida exaustiva que estava correndo.

— Ian pode até colocar um anel no seu dedo, mas você sabe tão bem quanto eu que ele nunca vai te amar.

O coração de Olivia acelerou. Ela tentou manter o rosto erguido, mas os músculos do estômago estavam tensos. Sua alma estava inquieta.

— Se está incomodada com Ian… resolva com ele. Não comigo.

Carol riu. Um riso estridente, completamente fora de lugar naquele banheiro de luxo.

— Resolver com ele? — ela inclinou a cabeça, como uma predadora analisando a presa. — Você acha que sabe quem é Ian Moretti? — O olhar dela percorreu Olívia de cima a baixo, devorando cada detalhe. — Você é só mais uma peça no tabuleiro dele. E eu sei… porque eu já fui também.

Olívia sentiu o estômago gelar, mas não deixou transparecer. Apertou os dedos contra o próprio corpo, os olhos firmes.

— Se você já foi, então por que está aqui? — rebateu, seca. — Parece que quem ainda não superou é você.

O sorriso de Carol sumiu. Em um segundo, ela encurtou a distância, ficando tão próxima que Olívia pôde sentir o cheiro doce demais do perfume.

— Eu estou aqui porque conheço cada sombra dessa família. Porque sei de segredos que fariam esse castelo ruir em segundos. — sussurrou, as palavras escorrendo como veneno direto no ouvido de Olívia. — E se você acha que pode simplesmente brincar de noiva de Ian sem pagar o preço… você é mais ingênua do que pensei.

O corpo de Olívia tensionou, mas ela não recuou. Não é de admirar que perdeu o controle.

Empurrou Carol com força contra a pia. O espelho chacoalhou, ecoando alto.

— Se eu sou uma intrusa, pelo menos não sou uma sombra grudada em alguém que já seguiu em frente! — gritou, o peito arfando.

Carol reagiu num impulso: puxou o cabelo de Olívia, os dedos enterrando-se nos fios com brutalidade.

Olívia gemeu, o corpo curvando, mas não cedeu. Segurou o punho de Carol e o afastou, quase tropeçando as duas contra a porta.

— Você é uma farsante! — cuspiu Carol, a voz estridente, quase um grito. — Uma oportunista barata!

— Melhor isso do que ser patética! — devolveu Olívia, os olhos marejando de raiva, não de dor.

A cena beirava o insano. As duas mulheres presas num duelo não apenas de forças, mas de almas feridas.

Foi nesse momento que a porta do banheiro abriu de repente.

— MAS QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! — a voz de Ian explodiu, grave, cortando o ar como um trovão.

As duas congelaram.

Carol ainda segurava um punhado de cabelo de Olivia; Olivia, ofegante, segurava o pulso da rival com força.

E Ian avançou um passo, a sombra dele engolindo o espaço entre elas.

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