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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 35

O banheiro agora parecia vazio, mas o ar parecia vibrar ainda com os ecos da briga.

O silêncio depois da saída de Carol não era de paz, era sufocante, denso como fumaça invisível enchendo o ar, cheio de palavras não ditas.

Olívia estava encostada ainda a parede fria de mármore, ofegante, o coração disparado, os cabelos levemente desgrenhados pela briga. Tentava respirar fundo, mas o ar parecia pesado demais.

Podia sentir a marca ardida no braço onde Carol a segurara. O coração ainda martelando, não apenas pela luta física, mas pelas palavras que ainda ricocheteavam dentro dela como navalhas.

"Ian destrói tudo o que toca."

Ela engoliu em seco. Queria ignorar, mas o corpo dela não obedecia.

Ian permaneceu a alguns passos de distância, a sombra dele dominando o espaço. O maxilar marcado, rígido; os punhos cerrados ao lado do corpo, o peito subindo e descendo num ritmo contido. O olhar fixo nela, mas distante, como se lutasse contra algo que não podia nomear.

Por um instante, parecia que ele ainda estava digerindo o que tinha visto: duas mulheres quase se engalfinhando por causa dele. Ainda que por razões muitos diferentes.

Ele se aproximou, dando um passo a frente e cada passo ecoava no mármore como um peso.

A voz veio baixa, áspera, como se controlada á força.

— Não ouça nada do que ela disse. — disse firme, como um decreto. — Carolina é louca. Manipuladora. Tudo que sai da boca dela é veneno.

Olívia ergueu o rosto de repente, os olhos faiscando, mais firmes do que ele esperava. E mesmo que a respiração dela ainda estivesse trêmula, conseguiu soltar a resposta como uma adega.

— Se é veneno… — ela rebateu, a voz trêmula, mas afiada. — por que parece que te atingiu também?

A pergunta bateu nele como um soco. Por um segundo, o olhar de Ian vacilou por um instante, desviando. Um piscar de olhos rápido, mas o suficiente.

Olívia percebeu. Olivia viu.

Ela viu o medo escondido ali. E isso a assustou mais do que qualquer ameaça de Carol.

Ian fechou os olhos, respirando fundo, tentando recompor a máscara. Mas não rápido o suficiente.

O silêncio entre eles se estendeu. O peito dele arfava, como se as palavras dela tivessem aberto uma fissura.

— Você não entende... — ele murmurou, a voz mais rouca agora, grave, quase um pedido, um sussurro. — Carolina sabe como cutucar feridas que não cicatrizaram. Ela vive disso. Mas não significa que ela tenha algum poder sobre mim.

Olívia cruzou os braços, tentando esconder o tremor nas mãos.

— Então me explica. — a voz dela soou mais firme do que sentia, as palavras escapando antes que ela pudesse contê-las. — O que ela quis dizer com “o castelo cai”?

A pergunta caiu no ar como uma pedra num lago calmo.

Ian congelou. O maxilar dele se contraiu, e os olhos escureceram. O ar mudou.

Ele abriu os olhos, e neles havia fogo.

— Não aqui. — ele disse, a voz seca, dura, como se quisesse encerrar o assunto. — Não agora.

— Resposta conveniente. — Olívia retrucou firme, ironizando, dando um passo à frente. O coração dela batia rápido, mas o corpo não recuava. — Sempre não agora. Sempre silêncio. Você espera que eu finja que não ouvi? Que eu não vi a maneira como você ficou quando ela falava todas aquelas merdas?

Ian avançou também, o corpo dele invadindo o espaço dela, encurtando a distância entre eles. O calor dele bateu nela de frente, como se o ar tivesse se tornado mais espesso.

Seu corpo exalava calor, a respiração forte. Olivia sentiu o estômago contrair, mas não recuou.

— Eu disse que não vou falar sobre isso aqui. — ele repetiu, o tom baixo, quase rosnado, mas carregado de raiva contida, como um aviso.

Olívia ergueu o queixo, os olhos firmes nos dele. Era assustador ficar ali esperando e esperando.

— E eu disse que não vou viver cercada de segredos, Ian, sem saber onde diabos eu me meti. — sua voz tremia, mas era cortante enquanto o peito arfava. — Se você não é capaz de me dizer a verdade, então por que diabos eu deveria confiar em você?

A distância entre eles se dissolveu em segundos. Ian se aproximou tanto que o rosto dele roçou quase o dela. Ela podia sentir o calor do hálito dele, o perfume forte misturado ao metal da tensão.

O silêncio que veio foi quase insuportável.

Ele estava tão perto que quase podia ouvir as batidas do seu coração por trás do terno.

Ian ergueu a mão de repente e segurou o rosto dela com firmeza, o polegar roçando a pele macia da bochecha. E o toque de sua mão acendeu o pavio. Sentia a carícia em sua pele ferida. Os olhos negros mergulhados nos dela, intensos, perigosos, quase desesperados.

— Porque se você confiar nela mais do que em mim… — a voz grave, carregada, saiu quase num sussurro que arrepiou a espinha dela. — …isso vai nos destruir.

O coração de Olívia disparou. Ela prendeu a respiração. O toque dele queimava, era fogo. Prisão. Um aviso. Mas não era só raiva ali, havia algo mais, algo que ela não queria nomear.

Mas ela não baixou os olhos.

— Talvez você já esteja me destruindo. — ela sussurrou de volta, firme, sem recuar um milímetro, embora a voz viesse baixa, quase um sopro.

O silêncio que veio depois parecia prestes a arrebentar. O ar carregado, os corações batendo no mesmo compasso furioso.

Ian respirou fundo, os olhos escurecendo ainda mais. Ele se inclinou mais por um instante, e por um segundo, apenas um segundo, parecia que iria beijá-la, ela sentiu a ponta do nariz dele quase roçar o dela. A olhou nos olhos, mas sentiu algo diferente. E ela teve medo disso no mesmo instante.

Olivia sentiu o corpo reagir antes da mente: o estômago revirou, os lábios entreabriram num reflexo traidor, o coração martelando nos ouvidos.

Era como se o mundo inteiro tivesse parado naquele segundo. Parecia não haver tempo, nem espaço.

Mas Ian recuou de repente, bruscamente, como se tivesse se queimado. Lutado contra si mesmo.

A mão dele deslizou devagar, soltando o rosto dele, deixando um rastro quente em sua pele. Mas o olhar continuava cravado.

Ele ficou alguns segundos em silêncio, respirando fundo, como se precisasse se controlar. Então falou, a voz mais baixa, mas afiada como faca.

— Vista esse anel como uma armadura. — ele disse, por fim, a voz grave, dura, cheia de sentimentos contidos. . — Porque daqui pra frente, todo mundo vai tentar arrancá-lo de você.

E sem esperar resposta, virou-se e saiu, os ombros tensos, deixando Olívia sozinha no banheiro, sem olhar para trás.

— Que cada gesto… cada olhar… cada palavra é uma arma. — os olhos dele estavam escuros, intensos, como se o mundo inteiro coubesse naquele aviso. — E você acabou de disparar uma.

O coração dela bateu mais forte. Não sabia se de raiva, medo… ou outra coisa.

Quis responder, gritar, cuspir de volta que não era ela quem jogava esse jogo. Mas antes que pudesse, o celular vibrou em sua mão.

Olívia baixou os olhos.

Uma mensagem. Número desconhecido.

"Você pode até usar o anel, mas não vai conseguir esconder a verdade por muito tempo."

O estômago dela despencou. A respiração ficou presa no peito.

Olívia manteve a expressão neutra, mas por dentro, o pânico a corroía.

— Quem é? — Ian perguntou sem tirar os olhos da estrada, mas a voz dele cortou, afiada.

Ela engoliu em seco.

— Spam. — mentiu, bloqueando a tela antes que ele visse.

Mas o pensamento a devorava.

Não podia ser Ian. Ele estava ali.

Carol? Não… Carol falava na cara dela.

Quem, então?

Aquela frase poderia ter vindo de qualquer lugar, de qualquer pessoa.

E isso era o mais aterrorizante.

Porque, agora que todos já sabiam dela e Ian, qualquer um poderia ser inimigo.

E talvez esse inimigo soubesse exatamente aquilo que ela mais temia: a verdade que escondia, aquela que poderia ruir tudo em segundos.

Olívia fechou os dedos sobre o anel pesado em sua mão.

Não parecia mais diamante.

Parecia uma arma.

E apontava diretamente para ela.

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