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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 36

O silêncio dentro do carro parecia mais pesado do que qualquer palavra que eles pudessem trocar.

Olivia olhava para a janela, mas não enxergava a cidade passando. A mente dela estava repleta da noite inteira: o restaurante, os flashs, o anel cintilando em sua mão, pesado como uma corrente. Os toques de Ian teatro forçado, as palavras venenosas de Carol, o peso sufocante da mentira que carregava.

Quando o carro finalmente parou diante da mansão, o silêncio pareceu gritar ainda dentro do veículo. Olívia manteve o olhar fixo na escuridão além da janela, mas a mente ainda estava presa na noite. Não tinha direção, só estava rolando estrada abaixo.

Tudo misturado, sufocante.

Ela fechou os olhos e deixou o corpo tombar contra o encosto do banco, como quem busca um último fôlego antes de mergulhar de novo no fundo do mar. Buscando forças para enfrentar apenas mais alguns passos.

Quando fechou os olhos, desejou estar em outro lugar, como num passe de mágica. Queria ir pra outro mundo, outra constelação.

— Está bem? — a voz grave de Ian rompeu o silêncio, a arrancando de seus pensamentos.

Ela abriu os olhos devagar, virou o rosto. Depois os fechou novamente, antes de responder com amargura.

— Eu só preciso de alguns minutos… sendo normal. — sua voz estava baixa, ainda de olhos fechados. — Alguns minutos sendo eu mesma. Antes de ter que fingir de novo.

Ian riu curto, soltou um meio sorriso, mas não havia humor. Ela nunca sabia quando Ian estava triste. Não sabia dizer quando realmente estava bravo. Era como se ele nunca estivesse vulnerável.

— Relaxe. A noite já acabou. Só precisa fingir por alguns minutos... Até cruzar aquela porta e atravessar a casa.

Olívia abriu os olhos, encarou-o com um olhar duro.

— Ou até deitar no mesmo quarto que você. — rebateu, seca, antes de empurrar a porta e do carro e sair, sem esperar resposta, ela tremia só em pensar.

Esperava ansiosamente para que essa história já tenha um final. Mas de alguma maneira, ela sentia que ainda existia tantas páginas dessa história pra escrever.

Ela respirou fundo. O coração dela já se acelerado. Ao menos iria ver o Léo. Isso valia todo o peso do mundo e bastava para seguir.

A mansão estava mergulhada num silêncio quase solene quando entraram. Mas, na sala, duas figuras os esperavam.

Olívia viu Nicolau sentado ereto em sua poltrona de couro, e Benjamin, esparramado no sofá como uma sombra, com o mesmo habitual ar preguiçoso e tóxico.

A presença dele era realmente intoxicante.

— Então? Como foi a noite? — Nicolau quebrou o silêncio, a voz carregada de um entusiasmo raro. — A minha foi ótima. E devo dizer… — inclinou-se ligeiramente para frente. — Você fez um trabalho extraordinário criando aquele menino. Léo é notável.

O peito de Olívia se aqueceu, se enchendo de orgulho. E pela primeira vez naquela noite, o sorriso que ela deu foi verdadeiro.

— Obrigada. — disse, a voz firme, mas doce, aquecida de ternura. — Ele é a melhor parte de mim.

Nicolau assentiu, satisfeito.

— Ele acabou de subir. — informou o velho. — Deve estar indo dormir agora.

— Eu quero vê-lo antes de dormir. — Olívia anunciou, já se preparando para sair.

Ela se despediu de Nicolau, depois de Ian. Mas ignorou Benjamin, passando direto por ele, como se ele fosse parte do mobiliário, como se não existisse.

O que, claro, ele não deixou barato e foi quando abriu a boca:

— Boa noite, ex-esposa. — a voz arrastada, carregada de ironia. O olhar dele caiu no anel da mão dela e um sorriso cínico apareceu. — Vejo que aprendeu a escolher melhor. Esse anel… é bem maior do que o que eu te dei, não é? — um sorriso torpe curvou seus lábios.

O corpo de Olívia congelou por um segundo. O coração bateu mais forte. O ar da sala ficando mais tenso.

Ian se mexeu, pronto para intervir, mas Olívia não deu espaço, sequer se deu o trabalho. Apenas elevou o queixo e seguiu adiante o ignorando, como se Benjamin fosse invisível.

Atrás dela, Nicolau pousou a mão sobre o braço de Ian.

— Ian. — Nicolau disse. — Fique. Quero uma palavra.

Olívia não olhou para trás. Subiu as escadas como quem sobe para a superfície depois de quase se afogar.

Mas, ao chegar ao corredor, ela parou abruptamente.

O sangue gelou.

O coração deu um salto.

Acabara de ver Clara estava saindo do quarto de Léo.

Depois, Clara soltou uma risada curta, venenosa.

— Quanta histeria... Tudo isso por causa de uma criança. — disse com sarcasmo, debochando do seu jeito de falar. — Nunca entendi esse alarde todo.

Olívia girou o rosto devagar, o sangue queimando nas veias, fervendo.

— E é exatamente por isso que você nunca seria capaz de ser mãe.

Clara ergueu a sobrancelha, como se tivesse recebido um elogio. Depois fingiu estar entediada.

— Puro exagero. Você é dramática demais. — deu de ombros. — Principalmente por uma criança feia.

O mundo de Olívia parou. O coração bateu tão forte que doeu, disparado.

O sangue subiu com uma força avassaladora.

— Retira. — cuspiu a palavra, o som saindo mortal, os punhos cerrados. — Retira. Isso. Agora.

Clara se aproximou um passo, os olhos frios. E apenas sorriu, inclinando a cabeça.

— Feia. — repetiu, com gosto, cada sílaba escorrendo como veneno.

O tapa veio antes que Olívia pensasse.

O estalo ecoou pelo corredor, seco, violento. Como um travão.

Clara cambaleou meio passo para trás, a mão indo automaticamente ao rosto.

Os olhos dela, arregalados, brilharam de choque e fúria.

E Olívia permaneceu firme, respirando forte, a mão ainda ardendo, o peito em chamas.

O olhar queimando de fúria, inabalável.

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