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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 37

O silêncio pesado, quase sagrado da mansão foi bruscamente interrompido, quando o som do tapa ecoou no corredor, como um trovão.

O som seco vibrou pelas paredes, quebrando a quietude com violência, ainda pairando no ar como um estilhaço impossível de ignorar.

Clara levou a mão ao rosto marcado, os olhos arregalados mais de choque do que de dor.

— Sua… — ela começou, a voz embargada, e ergueu a mão para devolver o golpe.

Mas Olívia estava cansada demais por aquela noite, ferida de demais e a raiva acumulada a movia. Tomada por uma fúria que queimava no fundo da garganta, reagiu antes.

Com um reflexo certeiro, agarrou o pulso de Clara no ar, com força, antes que ele sequer chegasse perto de seu rosto, prendendo-o contra o espaço entre elas.

— Nem pense nisso— rosnou, a voz baixa, grave, como se tivesse arrancado de dentro dela. Os olhos faiscando, enquanto o aperto em seus dedos era firme, quase cruel — Eu devia ter feito isso anos atrás. Muito antes... quando entrei no meu quarto e te encontrei na minha cama.

Clara não recuou. Pelo contrário. O rosto de dela se transformou. Primeiro, surpresa. Depois, um sorriso lento, maldoso, distorcido se abriu em seus lábios, mesmo com a marca vermelho ardendo em sua pele.

— Ah, então finalmente resolveu admitir que nunca esqueceu? — Ironizou, o tom era doce, quase provocador, mas os olhos dela ardiam de crueldade. — Me diga, Olívia… o que doeu mais? Me ver com ele ou perceber que ele preferiu a mim em vez de você?

Como esqueceria aquele olhar? Como esquecer a risada sarcástica? Como esquecer a dor que arrasta tudo? Vendo que os sorrisos dos dois eram duas vezes maiores que os deles.

O coração de Olivia disparou. As palavras cortaram como lâminas. O peito de Olívia se contraiu com lembranças amargas de uma dor antiga se acendendo, tão viva quanto no dia em que tudo aconteceu. Sentia como se estivesse caindo de novo. O ritmo da vida parecia errado para ela.

Ela apertou ainda mais o pulso de Clara, até sentir os ossos rangerem.

— Você era minha amiga! — explodiu, a voz embargada de ódio. — Minha irmã de alma. Eu confiava em você, abri minha casa, minha vida… e você me apunhalou pelas costas.

Clara riu. Um riso curto, estridente, amargo, quebrado que reverberou no corredor vazio.

— Amiga? Não me faça rir, Olivia. — zombou, arqueando as sobrancelhas. — Você sempre se achou melhor, sempre com esse ar de mártir, com essa aura de santa. Mas no fundo... você era fraca. Covarde demais para lutar e segurar o que queria. Eu só fui mais rápida. Só entendi a mão e peguei. Como sempre, fui mais corajosa do que você.

O peito de Olivia arfava.

— Coragem? — Olívia cuspiu a palavra, a voz tremendo de repulsa. — Você chama trair alguém de coragem? Dormir com quem você sabia que eu amava?

O sorriso de Clara se alargou, distorcido.

— Amava? — Ela inclinou a cabeça, os olhos faiscando. — Olívia, você nunca passou de um passatempo. Você nunca foi suficiente. E agora… olha para você. Se enganando mais uma vez. Fingindo ser noiva de Ian. Fingindo que pertence a esse lugar. Você não pertence a nada.

O sangue ferveu nas veias de Olívia. O peito arfava. O estômago se contraiu de raiva, mas também de dor, uma dor antiga, a mesma que nunca havia cicatrizado.

Ela nunca iria conhecer as noites sem fim, o frio solitário. Ou como é a sensação de ficar para trás e assistir aquele a quem amava chamar por outra. Não havia nada que ela pudesse dizer ou fazer para fazê-la enxergar nada daquilo. Toda a dor, as lágrimas que chorou.

Ela ergueu a mão, pronta para desferir outro tapa, ainda mais forte, para deixa-la sentir toda a dor guardada por anos. Estava completamente fora de si.

Mas antes que pudesse, uma sombra se projetou entre elas.

A voz chegou grave, interrompendo o movimento e cortando o ar:

— CHEGA!

Ian.

Ele surgiu no corredor, avançando, cada passo que dava fazia o chão vibrar sob o peso da sua raiva. Seus ombros tensos, o olhar escuro como a noite de uma tempestade contida, os dentes cerrados.

Então, separou as duas com um movimento brusco.

Clara tropeçou um passo para trás, recuando instintivamente, ainda com o rosto ruborizado. Olívia permaneceu ofegante, o corpo em alerta, os olhos em brasa, enquanto o seu coração batia tão alto que parecia ecoar no corredor.

Ian se colocou entre as duas, um muro intransponível. O olhar que lançou poderia destruir qualquer um.

— O que diabos está acontecendo aqui? — a voz dele saiu baixa quando perguntar, mas tão carregada de fúria que gelou o ar.

— O que sempre aconteceu. Clara sendo Clara. Tentando me destruir.

O olhar dele desceu até a boca dela antes de voltar aos olhos. Por um segundo, parecia que diria algo… mas se calou.

— E o Léo? — perguntou em seguida, a voz mais baixa.

— Está dormindo. — A resposta saiu rápida demais, quase como um reflexo, como se aquela fosse a única certeza que verdadeiramente importava.

Ele ficou em silêncio. Então, com um movimento súbito, se inclinou mais perto, tão perto que o hálito quente tocou a pele dela. Ouviu o seu próprio coração batendo.

— Então você deveria ir também. — A voz era quase um sussurro, calma demais, imperativa. — Descansar. Amanhã vai ser pior.

O coração de Olívia disparou. O corpo reagia de uma forma que ela odiava admitir. Ela ergueu o queixo, o orgulho latejando, queimando no peito. Quase implorou para que ele a libertasse daquela farsa.

— Eu não vou dormir no mesmo quarto que você. — disse firme, a voz embargada. — Não há como Nicolau saber de nada.

As palavras mal haviam saído de sua boca quando uma terceira voz soou no corredor.

Grave. Inconfundível.

— Saber de nada o quê?

Olívia congelou.

Nicolau estava parado no fim do corredor, o olhar cravado nos dois.

O coração dela despencou no mesmo instante.

Ela não sabia se ele tinha escutado tudo... ou apenas o suficiente para mudar o jogo inteiro.

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