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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 40

O coração bateu acelerado. Como ser corajosa agora?

— Deve estar confundindo — rebateu Olivia rápido demais, puxando o vestido para frente, como se quisesse esconder a pele. — Muita gente tem tatuagem, Ian.

Mas a forma como ele continuava olhando, como se estivesse tentando puxar uma lembrança esquecida do fundo da mente, a deixou sem ar.

— Não… — ele insistiu, estreitando os olhos. — Eu sei que já vi. E não faz tanto tempo assim.

O coração de Olívia martelava tão alto que tinha certeza que ele podia ouvir. A garganta secou, os dedos tremiam.

Ela se virou de repente, o vestido semiaberto, os olhos marejados de raiva e medo.

— Para de olhar como se soubesse alguma coisa! — disparou, com a voz cortante. — Porque você não sabe!

Ian ficou em silêncio, mas o olhar dele queimava nela, como se a cada segundo chegasse mais perto de lembrar.

E Olívia sabia: se ele lembrasse daquela noite… nada seria igual.

O quarto seguia mergulhado numa penumbra macia, quebrada apenas pelo abajur na mesa de cabeceira. O silêncio se tornou tão denso que o som do relógio parecia pulsar entre eles.

Ian não desviava os olhos. Firmes, duros, famintos por respostas.

— Onde você fez essa tatuagem? — a voz dele não era alta, mas carregava um peso que esmagava o ar.

Olívia engoliu seco, tentando esconder o tremor das mãos. O corpo dele estava perto demais. Ela podia sentir a respiração quente, quase no ritmo da dela. Fugir agora não resolveria nada.

— É só… uma tatuagem. — murmurou, desviando o olhar, mas sentindo o peito comprimir. — Não tem nada demais.

— Não minta pra mim, Olívia. Você nervosa demais. — a voz dele baixou ainda mais, grave, rouca. — Porque eu acho que já vi essa tatuagem antes.

O coração dela deu um salto. O passado invadiu, como uma enxurrada que ela nunca conseguia conter quando menos esperava.

Fragmentos.

Um quarto escuro. Risadas abafadas.

Dois corpos, mais jovens, suados, os olhos semicerrados de prazer.

Nervosismo, tentando se esconder, mas ao mesmo tempo, se entregando.

A mão deslizando pelas costas dela e parando ali, exatamente na tatuagem.

"Nunca esqueça disso." A voz, embargada pela bebida, mas firme.

Olívia piscou, tentando se manter no presente. E ele nunca iria saber disso. Gostaria que isso acabasse agora. Mas aqueles malditos olhos negros estavam escrutinando seu rosto.

Ian continuava ali, olhando-a como se fosse despir cada camada da alma dela.

— Ian… — a voz dela saiu falha, e ela odiou isso. — É uma tatuagem comum. Se procurar na internet, vai achar centenas iguais. — Tratou de dissimular, como se ainda tivesse algum controle.

Ele arqueou a sobrancelha, desafiando. Rapidamente pegou o tablet na mesa e digitou.

O silêncio entre eles só era quebrado pelo toque da tela. Finalmente, ele girou o aparelho para ela. A busca mostrava dezenas, centenas de tatuagens idênticas.

Olívia suspirou, aliviada, mas o coração ainda estava em frangalhos.

— Viu? — tentou soar firme. — Nada especial.

Ian ficou em silêncio por um tempo, como se ainda processasse.

Olivia não sabia se ele havia acreditado, nunca saberia nada pela expressão em seu rosto; completamente impassível.

Então, Ian recostou-se na cabeceira, largando o tablet de lado. Os olhos dele, antes tão duros, suavizaram, mas não menos intensos.

— Sabe… — começou, a voz baixa, quase íntima. — Sempre odiei tatuagens.

Olívia virou o rosto, surpresa.

— Então por que parecia tão obcecado com a minha?

Um canto da boca dele ergueu-se, mas não era um sorriso.

Olívia arfou. O ar ficou pesado, elétrico, sufocante.

Ela recuou, mas não muito. Não queria que ele percebesse o efeito que tinha sobre ela.

— Você não precisa descobrir nada. — disse, tentando soar firme. — Eu não sou seu enigma pra resolver.

Ian soltou uma risada curta, sombria.

— Não, Olívia. — aproximou-se ainda mais, o olhar preso nela. — Você é muito mais perigosa do que isso.

O silêncio entre eles queimava.

E então ele completou:

— Eu nunca devia confiar em você. Mas, estranhamente… — inclinou-se, prendendo-a lentamente, tão perto que ela sentiu a respiração dele roçar sua boca. — …eu quero.

O coração dela desabou no peito. Ela tremeu, mas não foi de frio.

Ficou sem fôlego, como se sua vida virasse ao contrário. Calada, hipnotizada. E ela jurava que ali mesmo, poderia morrer.

Antes que qualquer coisa acontecesse, antes que ela pudesse ceder, Ian recuou. Passou a mão pelos cabelos e se recostou outra vez, como se nada tivesse acontecido, em seguida, desligou o abajur.

Quando todas as luzes se apagaram, pareceu iluminar ainda mais todas as suas dúvidas.

A verdade era que Olívia queria entrar no seu grande desconhecido, porque eles viviam em mundos separados demais. Queria ao menos saber 1% de quem era Ian Moretti por trás de sua capa.

Se perguntou como poderia dormir agora, com o coração apertado. Mas a certeza era que ela amanheceria do jeito que fosse, e depois, juntaria todos os pedaços como sempre fez.

Com quase uma respiração, escutou um último suspiro:

— Vai dormir, Olívia. — murmurou, frio. — Amanhã, a encenação continua.

Mas a pele dela ainda ardia. E a mente, já não tinha certeza do que era encenação… e do que era real.

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