Entrar Via

Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 42

O corredor parecia um campo minado. Cada passo de Olívia ecoava entre os olhares que ainda a seguiam, curiosos, venenosos. Mas ela não baixou os olhos. Não dessa vez.

Empurrou a porta do escritório de Ian e a fechou com firmeza atrás de si. Virou a chave, garantindo que ninguém ousasse espiar ou ouvir. O silêncio ali dentro era pesado, sufocante.

Ian estava sentado atrás da mesa, mas não se moveu. Apenas a observava, os olhos frios, o dossiê ainda aberto diante dele como uma arma carregada.

Um buraco se abriu bem no meio do seu peito. Esperava as palavras que precisava ouvir para poder levar o dia adiante e fazer tudo ficar bem. Mas não veio.

— Você realmente vai me olhar desse jeito? — Olívia quebrou o silêncio, a voz carregada de fúria. — Vai me dizer que acredita nessa porcaria?

Ian não piscou. Não levantou a voz. Apenas respondeu, baixo, controlado:

— Não sei no que acreditar. — Seus olhos eram lâminas. — Porque, no fim das contas… eu não sei quem você é.

As palavras atingiram Olívia como um soco. O ar pareceu sumir de seus pulmões. Desde o dia que entrou naquela mansão, havia sido sentenciada. As mentiras sem limites. Os ataques. Sabia que não havia ninguém no mundo que pudesse aguentar isso.

Ela teve um mau pressentimento.

— Você… — ela engoliu em seco, a indignação queimando. — Você acha que eu seria capaz daquelas atrocidades?

— Eu acho… — Ian inclinou-se para frente, os dedos tamborilando no dossiê. — … que existem lacunas demais na sua história. E toda vez que uma peça não encaixa, o que sobra é dúvida.

Olívia bufou, os olhos marejados de raiva. Ela jurou para si mesma que não iria perder tempo explicando, porque não adiantaria.

— Você mesmo puxou o meu dossiê! Você tem informações suficientes sobre mim!

Ian rebateu, rápido, como se já tivesse a resposta pronta:

— Informações suficientes, sim. Por exemplo, a data de nascimento do seu filho. — Ele ergueu o olhar, perfurando-a. — A mesma época do seu casamento com Benjamin.

A garganta de Olívia fechou.

— E se por acaso… — Ian hesitou, mas a frieza cortava — … Léo não for filho dele, como você insiste em dizer, então só resta uma opção.

O coração dela disparou. As mãos tremiam.

— Você… — sua voz quebrou, mas logo voltou com força, carregada de fúria. — Você está me chamando de adúltera? Está sugerindo que eu traí?

Ian ficou em silêncio. A ausência de resposta foi pior do que qualquer acusação.

— Você realmente quer saber quem eu sou, Ian? — a voz de Olívia saiu quebrada, mas firme, como um grito de alma. — Pois então eu vou te dizer!

E antes que ele pudesse reagir, as palavras transbordaram dela como um monólogo, saindo como uma avalanche, como se décadas de dor explodissem de uma vez.

— Eu nasci em 8 de novembro, numa cidade pequena que você provavelmente nunca ouviu falar, porque meus pais eram displicentes demais pra se preocupar em me dar mais que um teto. Nasci filha de pais nunca souberam ser pais. Cresci entre brigas, portas batendo e a eterna sensação de não ser suficiente. Porque as ausências doíam mais do que qualquer pancada. — sua voz falhava, mas não parava. — Estudei, lutei, me matei de trabalhar em três lugares diferentes até entrar na faculdade. Me formei em medicina veterinária, porque era o que me fazia sentir viva. Era meu sonho, minha conquista.

As lágrimas começaram a queimar nos olhos dela, mas não caíam. Estava perdida no passado. Ela sempre precisou de um tempo pra si mesma. Nunca precisou ou teve apoio quando chorava. E os dias pareciam anos durante todo aquele tempo que esteve sozinha.

— E então... eu me apaixonei. Benjamin Moretti. O príncipe encantado que, aos poucos, virou pesadelo. Eu larguei tudo por ele. Por nós. Larguei a carreira, a vida que podia ter tido, porque acreditava que amor era o suficiente. — ela cuspiu a palavra “amor” como veneno. — Achei que tinha encontrado um lar. Até descobrir que estava vivendo uma farsa. Enquanto eu trabalhava para manter a casa, ele mentia, me enganava. Até o dia em que voltei mais cedo para casa e encontrei ele... Com a minha melhor amiga. Clara.

Mal podia respirar.

Buscou seu olhar, mas estava perdido onde ela não sabia onde. Parecia que cada vez, a parede dele tornava-se mais forte e foi ali, onde todas suas palavras se chocaram.

Ele continuava em seu mundo. E ela desmoronava no dela.

— Está satisfeito agora, Ian?

Ian respirou fundo, mas nada disse. Nada mais do que uma palavra, uma prova irrefutável. Sua expressão estava entre o choque e algo mais sombrio. Seus olhos vazios também eram evidente.

Olívia deu um passo atrás, o corpo inteiro vibrando.

— Não falo porque quero que acredite em mim. — disse, a voz firme apesar das lágrimas que ardiam. — Eu falo porque infelizmente… preciso de você. A cirurgia do Léo está marcada para quatro dias. Quatro. E essa é a única razão para eu não sair correndo da sua vida agora mesmo.

O silêncio que se seguiu foi insuportável. Ian abriu a boca, mas antes que qualquer palavra saísse, Olívia o cortou.

— Quer saber? — ela cuspiu, cheia de raiva. — Vai ser exatamente isso que eu vou fazer.

Girou nos calcanhares, abriu a porta com força e saiu.

A madeira bateu atrás dela, deixando Ian sozinho. O dossiê ainda aberto sobre a mesa, as palavras dela ecoando dentro dele.

E, pela primeira vez em muito tempo, Ian Moretti não sabia o que fazer.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido