Olívia saiu da sala de Ian como se fosse expulsa por uma força invisível. Naquele momento, não teve vergonha alguma de estar gritando a plenos pulmões para ele. Não tinha medo de enfrentar todos os fantasmas do seu passado. A raiva e a frustração a consumiam, e ela se sentia viva, mesmo que de uma forma dolorosa. A verdade que ela havia guardado por tanto tempo estava finalmente à tona, e a sensação de libertação era ao mesmo tempo aterrorizante e revigorante.
Ela não esperou o elevador, desceu os andares correndo, ignorando os olhares curiosos que a perseguiam no caminho. Seus passos ecoavam pelo corredor da empresa Moretti, mas ela não conseguia ouvir nada além do próprio coração martelando. Cada batida parecia um lembrete de que ela estava viva, de que ainda havia tempo para mudar sua história. Mas a dúvida a assombrava: seria possível reescrever seu destino?
Quando finalmente atravessou as portas de vidro e sentiu o ar frio da rua, não conseguiu mais segurar. As lágrimas caíram de uma vez, quentes, ardendo contra a pele. Ela abraçou os braços ao corpo e andou sem rumo por alguns metros, até parar. O mundo ao seu redor parecia um borrão, e a única coisa que ela conseguia pensar era: “Por que estou aqui? Por que ainda estou nessa farsa? Eu devia ir embora, agora. Largar tudo. Sumir.”
A resposta veio como uma lâmina no peito: Léo. O nome dele ecoava na mente como um lembrete cruel de que não havia escolha. Naquela viagem, ela não estava sozinha. Tinha mais alguém. Queria fugir. Para qualquer lugar que fosse. Mas voltou à mansão como uma fugitiva retornando à cela. A ideia de deixar Léo naquela mansão era insuportável. Ele era a única luz em sua vida, a única razão pela qual ela ainda lutava.
Quando entrou, o silêncio a engoliu. Subiu para o quarto e, com as mãos trêmulas, abriu a bolsa. Os papéis da cirurgia estavam ali. O valor gritava em números frios, impossíveis. A vida sempre se mostrava injusta. Agora que estava sozinha, chorava desesperadamente. O peso da responsabilidade e da culpa a esmagava, e ela se sentia como se estivesse afundando em um mar de desespero.
Ela deixou o corpo cair na poltrona. O choro voltou, mais forte, mais desesperado.
— Eu não posso… eu não posso… — A voz quase não saía. Era como se cada palavra estivesse presa em sua garganta, sufocando-a.
Foi então que ouviu passos pequenos. Olívia ergueu o rosto depressa, tentando secar os olhos. Léo estava parado na porta, o cabelo bagunçado, o pijama ainda amassado. Ele a olhou com a sabedoria silenciosa que só uma criança especial carrega.
— Mamãe… você tá chorando? — perguntou ele, a preocupação estampada em seu rosto inocente.
— Não, amor… — ela forçou um sorriso, mesmo com a voz quebrada. — Foi só… um cisco no olho.
Ele a olhou com desconfiança, mas se aproximou devagar e se enroscou em seu colo. As mãos pequenas tocaram o rosto dela com delicadeza. Tudo isso fazia doer ainda demais. Só queria voltar atrás e fazer tudo diferente.
— Você sempre fala que eu sou forte… Mas você também é.
As palavras dele perfuraram seu coração como uma verdade que ela não conseguia negar. O seu coração se encheu de esperança. Via estrelas nos seus olhos, iluminando seus dias mais escuros. Sempre era assim. Olívia riu baixinho, uma risada molhada de lágrimas.
— Eu tento ser, meu amor…
Queria que pudesse ser assim. Por que não podia ser assim, como antes? Só ela e Léo, até o fim do mundo.
— A gente ainda vai no parque? — perguntou de repente, os olhos escuros cheios de expectativa.
O corpo de Olívia implorava para ficar. A mente gritava para desistir. Mas como negar aquilo? Talvez fosse uma das últimas vezes que ele poderia correr livre antes da cirurgia. Ela engoliu em seco e assentiu.
— Vamos sim. — beijou sua testa. — Vai se arrumar, que eu também já vou.
Léo saiu correndo pelo corredor, animado. Olívia respirou fundo, limpando as lágrimas com pressa, antes de descer as escadas. Mas ao chegar no saguão da mansão, estacou.
Benjamin não respondeu de imediato. Estava relaxado no banco de couro, um sorriso lento se formando nos lábios. Virou o rosto para Clara, e a tranquilidade calculada dele era ainda mais perigosa que qualquer raiva.
— Isso foi só o começo. — disse, a voz baixa, carregada de certeza. — Aquele dossiê… foi fácil demais.
Clara arqueou uma sobrancelha, curiosa.
— Fácil?
Benjamin inclinou-se para frente, os olhos fixos na figura de Olívia desaparecendo ao longe com o filho.
— O que eu planejo… é muito pior. — um riso curto escapou. — Ou ela desiste de vez de ajudar Ian… ou vai acabar afundando junto com ele.
Clara sorriu, satisfeita.
E Olívia, mesmo sem saber, estava prestes a se tornar uma peça crucial em um jogo muito maior do que ela poderia imaginar.
A vida que ela conhecia estava prestes a mudar para sempre, e as escolhas que faria nas próximas horas poderiam determinar não apenas seu destino, mas também o de Léo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido