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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 48

Capítulo – 48

O frio da noite pareceu se infiltrar em cada poro da pele de Olívia quando o rosto de Ian se inclinou, os lábios a um sopro de distância dos dela.

Ela estremeceu. Parte dela queria se afastar, parte queria se perder naquele espaço reduzido entre eles.

Mas, como sempre, sua boca foi mais rápida do que seu coração.

— Não. — murmurou, quase sem voz, recuando alguns centímetros.

Ian parou, os olhos ainda fixos nos dela. Não havia raiva em seu olhar. Nem decepção. Havia algo pior: paciência. Como se soubesse que o tempo estava ao lado dele, não dela.

— Não? — ele repetiu, a voz grave, quase divertida, como se testasse a resistência dela.

Olívia engoliu em seco, tentando reorganizar a respiração.

— Isso… isso não faz sentido, Ian. — ela sussurrou. — Eu não posso.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Não pode… ou não quer?

A pergunta caiu como um tiro.

Ela abriu a boca para responder, mas não conseguiu. O silêncio dela foi resposta suficiente.

Ian recostou-se na grama, como se tivesse todo o tempo do mundo.

— Então vamos fazer diferente. — disse. — Vamos jogar.

Olívia o olhou desconfiada.

— Jogar?

— Sim. — os olhos dele brilhavam sob a lua. — Vinte perguntas. Você me pergunta algo, eu respondo. Depois eu pergunto, e você responde. Sem mentiras.

Ela quase riu.

— Isso é ridículo.

Depois ergueu os olhos para ele, desafiadora, mas com um sorriso no canto dos lábios.

— É. — ele concordou. — Mas depois do dia de hoje você precisa de um respiro. E eu… talvez também.

Olívia hesitou. Aquilo parecia infantil, quase tolo. Ponderou se deveria aceitar, mas acabou assentindo. Havia algo irresistível na ideia de ouvir Ian Moretti se expor, nem que fosse em fragmentos.

— Está bem. — ela cedeu. — Mas eu começo.

Ele fez um gesto com a mão, concedendo.

Olívia pensou por alguns segundos, e então disparou:

— Qual era seu prato preferido na infância?

Ian piscou, surpreso pela simplicidade da pergunta.

— Macarrão com queijo. — respondeu. — Mas só quando era feito por meu pai. O resto… nunca tinha o mesmo gosto.

Olívia sorriu, sentindo a resposta aquecer algo dentro dela.

— A cor que você mais gosta?

— Preto. — disse sem hesitar.

— Óbvio. — ela riu. — Algum lugar que sonha em visitar?

Ian respirou fundo.

— Islândia. — respondeu, olhando para a água. — O tipo de silêncio que não existe em nenhum outro lugar do mundo.

As primeiras perguntas foram leves, quase brincadeira. Mas aos poucos, Ian parecia relaxar. Contou uma memória boba de infância, quando caiu no lago tentando imitar um filme de piratas e riu de si mesmo.

Olívia não pôde evitar sorrir. Aquele som… o riso dele… era humano demais, inesperado demais.

— Quando foi a última vez que você foi feliz de verdade?

O sorriso de Ian sumiu. O silêncio demorou, denso. Finalmente, ele respondeu:

— Acho que ainda estou esperando por isso.

A resposta ficou no ar, crua, dolorida. Olívia sentiu o peito apertar.

— Agora é minha vez. — ele disse. — Qual foi o pior dia da sua vida?

Ela fechou os olhos por um instante. Não queria ir lá. Não queria reviver. Mas a regra era clara.

— O dia em que descobri a traição. — murmurou. — Voltar pra casa e ver… ele. Ela. Na minha cama. Aquilo quebrou algo em mim que nunca voltou a ser inteiro.

Ian a observava, sério. Sem ironia, sem sarcasmo. Apenas silêncio.

— Próxima. — ela tentou afastar a lembrança. — Qual é a sua maior cicatriz?

Ele deu uma risada baixa, sem humor.

— Só pode ser uma?

Olívia franziu o cenho. Ele levantou a barra da camisa e mostrou uma marca antiga, quase apagada, próxima às costelas.

— Quatro pontos. Quase morri aos doze. — contou com naturalidade. — Mas não é dessa que eu me lembro.

Ela ergueu os olhos, intrigada.

— A pior cicatriz… — ele continuou, a voz mais baixa — …não se vê.

Olívia sentiu a pele arrepiar. Aquelas palavras ecoaram fundo, porque ela entendia. Entendia demais.

— Sua vez. — ele disse.

Ela respirou fundo, escolhendo com cuidado.

— Quem você seria se não fosse um Moretti?

Ian ficou em silêncio por longos segundos, olhando o reflexo da lua no lago. Quando respondeu, sua voz era quase um sussurro:

— Alguém livre.

O coração de Olívia acelerou.

Então veio a vez dele perguntar.

— Você sempre quis ser veterinária? — a voz dele carregava ironia. — Ou precisava de uma desculpa pra passar o dia cercada de cachorros que não mentem?

O coração dela disparou. Ela tentou disfarçar.

— Isso é… medo. — disse, firme.

Ian sorriu, lento, venenoso.

— Não. — murmurou, chegando tão perto que os lábios quase roçaram os dela. — Eu sei que não é medo.

Olívia perdeu o ar. Por um instante, achou que iria ceder. Mas fechou os olhos, virou o rosto e se afastou.

Ela recuou como se lembrasse de todas as razões para não ceder.

Ian não insistiu. Apenas sorriu de canto, enigmático.

O silêncio voltou, mas dessa vez era incandescente, carregado de tudo o que não se permitiram.

Ela se levantou abruptamente, a respiração descompassada.

— Eu… preciso voltar. — murmurou, tentando soar firme. — Léo pode precisar de mim.

Ian apenas a observou. Não insistiu. Mas o olhar dele a seguiu até o carro, queimando cada passo que ela dava.

Até que ele quebrou o silêncio:

— Você faz perguntas como quem quer fugir de mim… mas olha só como sempre acaba voltando.

A frase ficou martelando na mente dela enquanto ele oferecia a mão para ajudá-la a entrar no carro.

Olívia não respondeu. Apenas sentiu o coração em disparada ao aceitar a mão dele.

Durante todo o caminho, as palavras dele ecoavam na mente, implacáveis:

"Eu sei que não é medo."

E o que mais a apavorava… era a possibilidade de ele estar certo.

A viagem de volta foi em silêncio. Ian dirigia com o mesmo controle de sempre, mas Olívia sentia a eletricidade ainda grudada na pele, latejando. Queria arrancar aquele sentimento do peito, sufocar qualquer coisa que tivesse nascido à beira do lago.

Assim que o carro parou diante da mansão, ela respirou fundo e saiu antes mesmo que Ian desligasse o motor.

Cada passo que dava pelo saguão frio era uma tentativa de retomar o controle, de se blindar de novo.

Mas então parou.

Congelou.

No centro da sala, Clara e Benjamin estavam lado a lado. Clara com os braços cruzados e aquele sorriso venenoso. Benjamin com a arrogância estampada no rosto, como se já tivesse vencido.

— Ora, ora… — Clara foi a primeira a falar, a voz melosa escondendo o veneno. — A princesa voltou do seu passeio noturno.

Benjamin deu um meio sorriso cruel, os olhos descendo até o anel na mão de Olívia.

— Parece que até a lua tem seus segredos… mas não se preocupe, Olívia. Nós sabemos arrancá-los.

O estômago dela revirou. Todo o ódio, toda a dor, toda a humilhação que jurara enterrar naquela noite voltou com força.

O silêncio da mansão agora parecia mais perigoso que qualquer grito.

E Olívia soube, naquele momento, nem Nicolau poderia impedi-la.

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