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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 51

O grito de Helena ecoou como um raio pelo saguão.

— Senhora, é o Léo!

O chão desapareceu sob os pés de Olívia. Ela não pensou, não respirou. Apenas correu, subindo as escadas como se a vida dela dependesse de cada passo.

Os pés de Olivia mal tocavam os degraus. O coração batia tão rápido que parecia rasgar sua garganta.

Empurrou a porta do quarto, estava em penumbra. Ela travou na porta, segundos o suficiente para Helena já se curvar outra vez sobre o menino, checando seus sinais vitais.

Leo estava sentado na cama, pálido, o corpo pequeno curvado, os braços pressionando o peito, os lábios entreabertos, respirando com dificuldade. O pequeno peito subia e descia num esforço doloroso. Cada respiração parecia uma batalha perdida.

— Léo! — Olívia caiu de joelhos ao lado dele, os dedos tremendo ao tocar sua testa fria.

— Ele começou a se queixar de tontura e falta de ar, de repente. — Helena explicou, com a calma profissional que tentava esconder a urgência. — Preciso que você o mantenha tranquilo, enquanto realizo os primeiros procedimentos.

— Mamãe… — Leo falou em seguida, voz dele era um fio de ar, quase imperceptível. — Tô… tonto…

O coração de Olívia se quebrou em mil pedaços. Mas ela não podia deixar que ele visse. Não podia.

Forçou um sorriso que mais parecia uma máscara rachada.

— Shhh... mamãe tá aqui agora, meu amor. — sua voz tremia, mas ela forçou um sorriso. —Respira comigo. Olha pra mamãe. Devagar… inspira… solta… Como a gente treinou, lembra? Devagarzinho, comigo. Isso, meu anjo. Você é forte. Você é o menino mais forte do mundo.

Leo olhou para ela, os olhos marejados.

— Eu... tô com medo... — ele sussurrou.

As lágrimas ardiam nos olhos de Olivia, mas ela não podia ceder. Beijou-lhe a testa fria.

— Eu sei, meu anjo. Mas eu tô aqui. Você nunca está sozinho. Vai ficar tudo bem.

Helena já estava em ação, com uma agulha em mãos, preparando algo que Olívia não conseguiu identificar.

— Ele está entrando em crise. Preciso estabilizá-lo agora. — a enfermeira avisou, firme, mas com o olhar carregado de preocupação.

As mãos de Olívia tremiam tanto que ela as escondeu atrás das costas para não assustar o filho.

Foi nesse momento que porta se abriu com um estrondo. Ian entrou, ofegante, o rosto tenso, sem sua máscara habitual de frieza. Não era mais o Moretti frio, calculista, que dominava reuniões e destruía inimigos. Era um homem ofegante, com o rosto tomado pelo medo cru.

— O que houve?! — a voz dele falhou, algo raro demais. O tom grave tomado por algo que Olivia jamais ouvira antes vindo dele: medo.

— Ele teve uma crise. — Helena respondeu, rápida. — Preciso que fique calmo, ou vai assustá-lo mais. Também preciso de água e compressa fria. E que ninguém o pressione.

Ian desapareceu no mesmo instante, para voltar segundos depois com o que foi pedido. Quando voltou, seu olhar estava fixo em Léo. E pela primeira vez, não havia cálculo, apenas desespero contido. O menino lutava por ar. E naquele instante, algo despedaçou dentro dele. A máscara, a frieza, tudo caiu.

Ele avançou, mas parou quando sentiu o olhar desesperado de Olívia.

— Fica… fica com a gente. — ela implorou, a voz embargada.

Ian assentiu, sem conseguir falar. Sentou-se do outro lado da cama. E, sem pensar, sua mão encontrou a de Léo, pequena e gelada.

Olívia viu aquilo e, pela primeira vez, não odiou. Não desconfiou. Apenas sentiu… alívio.

— Respira, campeão. — Ian murmurou, baixo, como quem falava com um pedaço dele mesmo. — Você é mais forte do que parece.

O menino tentou sorrir. Mas tossiu.

De repente, Clara surgiu. Ela estava encostada a parte, a expressão fingidamente preocupada. A voz doce, venenosa e falsa.

— Oh, pobre menino... Que cena triste… — sussurrou, como se fosse uma espectadora numa peça, o prazer doentio escondido na voz doce era arrepiante. — Tão frágil. Talvez ele não aguente a pressão de tudo isso. Como pode carregar o nome dos Moretti assim?

Olívia se virou como uma leoa, os olhos em chamas.

— Cala a boca, Clara! — o grito estourou pelo quarto. — Ele não é espetáculo para você comentar ou vir assistir.

Eles permaneceram assim, lado a lado, ligados pelo pavor de perder o Leo. A raiva, as mágoas, os segredos... tudo desapareceu por um instante. Restava apenas o menino entre eles, e afeto desesperado que os dois, cada um a sua maneira, sentiam por ele.

De repente, Helena suspirou aliviada após conseguir estabilizar Léo depois de alguns minutos. A respiração dele voltou ao ritmo normal, embora frágil.

— Ele estabilizou. Mas precisamos levá-lo ao hospital imediatamente. — disse, firme. — Não podemos arriscar esperar.

Olívia já ia se levantar quando Nicolau ergueu a mão, avançando um passo.

— Não. — a voz era um aço que não permitia réplica, firme e cortante. — Os médicos virão até aqui. Esta família não será exposta.

Olívia congelou. Virou-se para ele, estarrecida.

— O quê? — sua voz saiu num sussurro incrédulo. — Está dizendo que vamos arriscar a vida dele para manter sua imagem? — perguntou, a voz carregada de fúria.

Nicolau a encarou com a serenidade cruel de um rei que governa pelo medo.

— Estou dizendo que, nesta casa, nada escapa ao meu controle. Ninguém precisa saber que o herdeiro dos Moretti está frágil. — completou, seco.

— Frágil?! — Olívia cuspiu a palavra, a garganta fechando. — Ele não é um troféu, Nicolau! É uma criança! É meu filho!

O olhar do patriarca caiu sobre ela, frio, avaliador.

— Lembre-se: tudo que se protege demais… acaba virando a fraqueza que destrói.

O silêncio explodiu no quarto.

Olívia sentiu o corpo estremecer, a vontade de gritar até perder a voz, de arrancar o filho dali, quase prisão dourada. Mas algo a segurou. Não eram só as palavras dele. Era a mão de Ian, que pousou sobre seu ombro, firme, como um aviso silencioso: não aqui, não agora. Seu olhar pousou nela, firme, intenso. Ele parecia pronto para lutar, mas também sabia que uma guerra aberta contra Nicolau poderia ser ainda mais perigosa.

Olivia engoliu o choro, respirou fundo, dividida entre enfrentar e proteger. Olhou para o filho. E em seguida para Nicolau, o ódio e o medo se misturando, enquanto Ian ainda segurava a mão dela com força, como se ali estivesse a única âncora em meio ao caos.

E pela primeira vez, Olivia deixou que Ian a guiasse, que fosse, sua âncora.

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